O que São Paulo não aprendeu com a crise hídrica – NoroesteOnline.com

O que São Paulo não aprendeu com a crise hídrica

7 de agosto de 2018
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Cerca de quatro anos após o início a crise hídrica que afetou o estado de São Paulo entre 2014 e 2016, o Sistema Cantareira entrou novamente em estado de alerta em 29 de julho de 2018, quando chegou a 39,9% de sua capacidade. A quantidade de água armazenada é a mais baixa para o mês de julho desde 2015, quando o Estado enfrentava a crise hídrica.

Segundo as novas regras da operação, em vigor desde 2017, o sistema entra automaticamente na “faixa 3” de estado de alerta, quando o sistema fica abaixo de 40%. Para ser considerado normal, precisa chegar a 60%.

Na crise hídrica, que atingiu principalmente a Região Metropolitana de São Paulo, o Sistema Cantareira chegou ao volume morto, reservatório de emergência situado abaixo das comportas das represas, cuja água nunca havia sido utilizada para atender a população.

Também houve redução de pressão nas tubulações pela Sabesp, medida que deixou sem água moradores de municípios do interior e bairros mais afastados da capital. Economista, Bruno Peregrina Puga investigou, em sua tese de doutorado pela Unicamp, como atores da governança dos recursos hídricos do estado de São Paulo lidaram com a crise.

“Com a possibilidade de maior ocorrência de eventos climáticos extremos, devido a intensificação das mudanças climáticas, temos que avaliar se temos capacidade adaptativa frente a tais eventos e quais são os gargalos que impedem que se atinja a segurança hídrica”, disse Puga ao Nexo.

Como funciona a gestão de recursos hídricos do estado de São Paulo?

Basicamente, com a descentralização feita a partir da Lei das Águas, todas as decisões no tocante a recursos hídricos dentro da bacia são tomadas pelos comitês de bacias, instituições deliberativas que têm como objetivo essa gestão.

Participam dele tanto os órgãos estaduais, as empresas de saneamento, as prefeituras, a sociedade civil e as empresas, que são os usuários. Cada bacia tem o comitê e a agência de bacias, que é o braço executivo do comitê.

Como o governo do estado de São Paulo lidou com a crise hídrica?

A crise ocorreu em um momento político conturbado, e as eleições serviram como cortina de fumaça, adicionando uma camada de complexidade maior ao processo político. O TCE [Tribunal de Contas do Estado] considerou o estado de São Paulo o grande culpado pela crise, dizendo que houve falta de planejamento.

No entanto, o planejamento até existiu, como pode ser visto no Plano Diretor de Abastecimento de Água da Região Metropolitana de São Paulo. O que faltou foi execução para reduzir a dependência excessiva da região na transferência de outras bacias, bem como medidas de recuperação da qualidade das águas em São Paulo.

Fonte: Nexo Jornal

Profissional do Futuro Unijuí

3 de julho de 2026
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