A essencialidade da Educação Física e as questões de empatia em tempos de Covid-19 – NoroesteOnline.com

A essencialidade da Educação Física e as questões de empatia em tempos de Covid-19

8 de setembro de 2020
Compartilhar
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  

Ana Claudia Soares, aluna do curso de Mestrado em Educação nas Ciências, bacharel em Educação Física pela Unijuí. 

Maristela Borin Busnello, professora doutora do Programa de Pós- Graduação em Educação nas Ciências 

A base norteadora deste texto traz à pauta a discussão sob a inter-relação direta entre a prática das práticas corporais e a estreita relação com a empatia, em tempos de COVID-19. O COVID-19 teve sua incidência descrita inicialmente na cidade de Wuhan, na China, no final do ano de 2019.

O coronavírus corresponde a uma grande família de vírus comuns em muitas espécies diferentes de animais que é transmitido por contato próximo por meio de: toque do aperto de mão contaminada; gotículas de saliva; espirro; tosse; catarro; objetos ou superfícies contaminadas, como celulares, mesas, talheres, maçanetas, brinquedos, teclados de computador, etc… (BRASIL, 2020), A doença se espalhou rapidamente, ultrapassando as fronteiras dos continentes e desde então, o mundo como um todo, se mobiliza em busca de soluções para controlá-lo, ao encontro de evitar sua disseminação.

Enquanto muitos se movimentam na busca de superar “juntos” essa situação, tem aqueles que apenas lamentam o crescente número de mortes por todo o mundo. E ainda como senão bastasse tal negligência, faz pouco mérito das recomendações emanadas pelos órgãos representativos do combate à pandemia, como é o caso da Organização Mundial da Saúde (OMS). Buscamos neste ensaio, apresentar uma reflexão sobre esse assunto, não com o intuito de realizar um receituário acadêmico sobre o tema, mas sim apresentar nossa posição a respeito da essencialidade das práticas corporais, e as questões de empatia que permeiam a área da EF no campo da Saúde Coletiva, bem como apresentar algumas proposições, em relação a elas.

O momento que vivemos decorrente pela pandemia de COVID-19 “surpreendeu o mundo e colocou luz sobre disputas ideológicas, geopolíticas, metodológicas e científicas no campo da saúde Global, que devem resultar em novas necessidades na formação e atuação profissional de saúde” (VENTURA et al., 2020, p. 1). Para além dessas necessidades relacionadas à reformulação profissional e demandadas pelo atual cenário, esses novos tempos, nos fizeram refletir sobre outras importantes relacionadas a nós humanos, o agir social. Com ele traz a tona para debate questões relativas à empatia, que, por exemplo, está diretamente relacionada com as questões que envolvem a adesão as medidas de isolamento social.

A área da Educação Física (EF), emergiu nesse cenário de discussões, tendo como base, contraditórios posicionamentos dos profissionais, sociedade científica e entidades de classe, envolvendo o leque representativo das práticas corporais e suas diferentes manifestações (LOCH, RECH e COSTA, 2020). Uma das grandes polêmicas relacionadas ao COVID-19 que tem estreita relação com a EF é a discussão sobre a reabertura das academias de ginástica em plena pandemia (LOCH, RECH e COSTA, 2020). Assim como as outras áreas que compõem a grande área da saúde, a EF precisou movimentar alternativas para fazer frente ao fechamento das academias. As restrições da prática de exercícios ao ar livre e da aglomeração de pessoas, tendo em vista, a necessária busca de diminuir o contágio pelo novo Cornavírus, trouxe a área um desafio e com base nele podemos destacar o aumento na disponibilização e adesão de diferentes práticas corporais domiciliares, estimuladas, como é o caso por vídeo aulas ou treinos disponibilizados de modo on line.

As práticas corporais domiciliares têm “demonstrando ser de grande viabilidade, segurança e eficácia na prevenção primária e secundária de doenças e eventos cardiovasculares” neste momento em que vivemos (CARVALHO, SILVA e OLIVEIRA, 2020, p. 2), como referência, temos a possibilidade da sua maior adesão. O pensar de seu desenvolvimento representa, ainda, outro óculo de visibilidade no que tange o exercício da empatia, fortalecimento do vínculo familiar e social, uma vez que ao praticarmos em casa, evitamos a circulação de pessoas e ainda temos a possibilidade de praticarmos com a família. Tais atitudes como usar máscaras, se manter fisicamente ativos em casa, sair somente o necessário, são ações que podem até não resolver todos os nossos problemas, mas, nos ajuda, á tornar-se mais atores neste palco que è a vida.

As práticas corporais são de fato de extrema relevância para a saúde e bem estar da população, seja sua essencialidade em pauta em tempos de pandemia ou não. No entanto a EF enquanto área da saúde precisa demostrar, agora mais do que nunca, o seu olhar humano, promovendo o bem de todos de acordo com o enquadramento que a atual situação demanda, de forma racional e empática. As práticas corporais se fortalecem assim como nossas escolhas, a partir da demanda de nossos modos de ser e agir, quando pensamos no outro, seja os grupos, as famílias ou os amigos, pensamos além de nos. Esse agir reverbera sob toda uma sociedade, em que voluntariamente contribuímos ao delimitarmos nossas escolhas com empatia e fraternidade.

A “empatia é uma virtude útil, que também propicia vínculo, desencadeando uma “ponte afetiva” de dar e receber (DARK et al., 2018, p. 107). Empatia é “a internalizações do outro, de forma a se colocar no lugar de outrem, compreendendo os pensamentos e emoções evidenciados mediante alguma situação”, agir com empatia condiz em pensar no seu bem-estar, e nos demais, uma vez que os serviços, as empresas e a economia só acontecem perante a humanidade, sem ela, nada disso apresenta sentido algum (DARK et al., 2018, p. 107).

Uma interpretação sobre o outro, no funil das essencialidades das práticas da vida diária, sejam elas interligadas a as práticas corporais ou não é fundamental na pandemia do Covid-19. Trazer á debate esse panorama potencializa a luta em por torná-las parte de um movimento social, orquestrado no pensar de um bem maior, o estado de saúde de toda uma população. Ser individualista neste momento que vivemos é configurar-se sem empatia, seja pelas vidas perdidas, as famílias enlutadas ou por uma reflexão que se se sobrepõe a todo esse contexto, contrariando a luta diária do mundo todo, que busca incessantemente o controle e a irradicação da doença.

REFERÊNCIAS

Brasil. O que é COVID-19. Ministério da Saúde. Disponível em: https://coronavirus.saude.gov.br/sobre-a-doenca https:,2020.

Carvalho FFB de, Silva RG da, Oliveira RB. A essencialidade das academias de ginástica para a saúde diante da pandemia da COVID-19 no Brasil. Rev Bras Ativ Fís Saúde [Internet]. 7o de julho de 2020 [citado 25 de julho de 2020];25:1-. Disponível em: https://rbafs.org.br/RBAFS/article/view/14282

Bark, Marcelo. Mocelin; Posanski, Marjory; Oliveira, Kauhanna, Vianna de; Brancher ,João, Armando; Kriger, Léo; Gabardo, Marilisa, Carneiro, Leão .Alteridade e empatia: virtudes essenciais para a formação do cirurgião-dentista. Revista da ABENO • 18(2): p. 104-113, 2018.

Loch, M.R., Rech, C.R., Costa. F.F. A urgência da Saúde Coletiva na formação em Educação Física: Lições com o COVID-19. Ciência Saude Colet [periódico na internet] (2020/Jun). [Citado em 24/07/2020]

Ventura DFL, Ribeiro HG, Giulio GM, Jaime PC, Nunes J, Bógus CM, Antunes JLF, Waldman EA. Desafios da pandemia de COVID-19: por uma agenda brasileira de pesquisa em saúde global e sustentabilidade. Cad. Saúde Pública 2020; 36(4): e00040620.

EaD UNIJUÍ – 100% a distância

12 de maio de 2020
Copyrights 2018 ® - Todos os direitos reservados
Skip to content