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Blog da Sandra: Estamos longe demais das capitais

11 de abril de 2019
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Ijuí é uma cidade que fica à Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul. Distante 400 quilômetros da capital, Porto Alegre. “Estamos longe demais das capitais!” Porém, temos por aqui também um problema que vem crescendo a cada dia nas grandes cidade: a droga.

Atualmente, um dos maiores problemas é o crack. Droga barata, porém poderosa perigosa e que tomou conta das cidades do interior. E Ijuí não foge a essa regra. Infelizmente.

Como professora posso afirmar que a droga, nos dias de hoje, faz parte da rotina da maioria das escolas e da maioria das famílias. E fiquei pensando sobre isso, até porque, o consumo de drogas em Ijuí é alarmante. Existe uma série de fatores que levam uma pessoa a experimentar droga pela primeira vez. Como também existem tantos outros fatores que levam essa mesma pessoa se tornar dependente dela ou não.

A falta de assistência às famílias alimenta o consumo de drogas; a falta de políticas públicas sociais alimenta o consumo de drogas; a falta de emprego; a falta de educação; a falta de espiritualidade; a falta de união e de diálogo com os pais aumenta o consumo das drogas; o acesso fácil; a falta de limites; a sensação de impunidade. Isso tudo são fatores que impulsionam esse problema de forma exponencial.

Enfim, são inúmeros os fatores de ordem pública, social e pessoal que alimentam o consumo, aumentando o mercado de drogas desaguando em n’s situações de violência, prisão, exclusão, internação e morte até. E pasmem: uma grande parcela dos nossos alunos já experimentaram drogas ao menos uma vez. Muitas vezes ela está ali, rondando os muros das nossas escolas, de nossas casas. Esperando apenas um descuido para adentrar esse espaço. O enfrentamento desse problema também deve acontecer também em nível educacional e pedagógico.

As escolas, os professores, os pais não podem mais deixar esse problema de lado, como se “na minha casa (escola) isso não vai acontecer”. Acontece, sim. De acordo com uma amiga muito querida, mãe de um adolescente de 17 anos, usuário de drogas, sempre acreditou que o filho estaria livre disso. “Eu sempre dei tudo a ele”, confidenciou essa amiga em uma conversa que tivemos sobre o assunto. “Jamais achei que ele se envolveria com drogas”.  É preciso informações e esclarecimentos, pois sabemos que nossos adolescentes são curiosos e vorazes por novas emoções e experiências. O “não dá nada” está muito presente na fala de cada um deles.

Içami Tiba em seu livro “Anjos Caídos” afirma que a participação da família, em todos os aspectos da vida do jovem (escolar e social) deve ser presente. Afirma o autor “quem tem uma formação familiar forte, pode até experimentar drogas por curiosidade, mas nunca será um dependente”. E eu concordo com o autor.

Sem uma base familiar forte, presente e firme nada poderá ser feito. Conheço pais que nunca foram a uma reunião na escola dos filhos, que nunca olharam um caderno, que não sabem nem o nome da professora de seus filhos, que nunca sentaram para fazer o tema da escola juntos.

A falta de tempo, o excesso de trabalho, a desestrutura familiar são questões que precisam ser revistas com urgência. Se eu não tenho tempo para meu filho, com certeza algum traficante terá. E eles estão bem mais perto do que imaginamos. Enquanto cada um não assumir sua parcela de culpa o problema das drogas vai aumentar. Não adianta culpar o traficante, o usuário, a polícia, o juiz, o promotor, o governo. Isso é fácil. Assumir a culpa que cada um tem diante desse problema é mais difícil e requer deixar de lado falsos pudores e meias verdades.

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