Crise de financiamento ameaça expansão e qualidade das universidades paulistas – NoroesteOnline.com

Crise de financiamento ameaça expansão e qualidade das universidades paulistas

11 de agosto de 2018
Compartilhar
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  

As universidades estaduais paulistas passaram, nos últimos anos, pela maior crise da história recente. Na raiz do problema está a falta de financiamento público. Para entidades que representam professores e estudantes, o quadro atual coloca em xeque a qualidade das instituições. Ouça a quinta e última reportagem sobre educação da série ‘Desafios do próximo governo – São Paulo’.

A USP é uma cidade. É a frase dita quando alguém tenta dimensionar a maior universidade pública do país.

Mais de 300 cursos de gradução, 90 mil alunos, quase 15 mil professores e funcionários, orçamento de R$ 5 bilhões.

Na primeira década do século, a USP passou por uma forte expansão, mas os últimos anos foram os mais difíceis da história recente da universidade.

Em 2015, só a folha salarial superava todo o orçamento. De lá pra cá, começou um processo de cortes. Obras foram paralisadas. A expansão foi freada. Os salários estagnaram. Mais de 300 professores se desligaram. Além disso, a USP perdeu 3.600 funcionários que aderiram a um programa de demissão voluntária.

Para David Paraguai, coordenador do Diretório Central dos Estudantes, isso impacta na qualidade do ensino e da pesquisa.

“O mais preocupante para os estudantes mesmo é a contratação temporária de professores, que virou uma prática recorrente na USP. Começou a se fazer uma grande substituição dos professores contratados por temporários, que não tem vínculo com a universidade, com o aluno e com a pesquisa, o que diminui muito a qualidade da universidade. E deixa a universidade com um deficit educacional.”

O Hospital Universitário reduziu drasticamente seu quadro, cortou leitos e fechou o pronto-socorro infantil. O PS adulto fechou as portas ao público geral e passou a atender apenas pacientes encaminhados de outras unidades de saúde.

O cirurgião José Pinhata Otoshi, professor associado da Faculdade de Medicina da USP, atua há 37 anos no HU. Ele diz que, além de ter prejudicado o atendimento ao público, a crise no hospital impactou o ensino e a pesquisa dos estudantes da área de saúde.

“O Hospital Universitário tem uma função diferente de um hospital público qualquer. Ele é um hospital de ensino, não só para alunos de medicina, como de farmácia, enfermagem, fisioterapia, fonoaudiologia, psicologia. O atendimento está sendo mantido, mas em um nível bastante diminuído em relação ao que já foi. Teve redução de leitos, de número de cirurgias, de atendimentos ambulatoriais. Praticamente a metade da capacidade operacional dele. Ou até mais.”

O orçamento das universidades paulistas é atrelado ao ICMS. 9,57% do arrecadado com o imposto no estado financia além da USP, a Unesp e a Unicamp, que vivem situação semelhante. Em tempos de crise, a arrecadação cai e impacta diretamente as contas das universidades. Mas as despesas continuam subindo.

Para Rodrigo Ricupero, presidente da Adusp (Associação dos Docentes da USP), o primeiro passo é o estado parar com a política de isenções de ICMS, combater a sonegação com mais eficiência e arcar com o pagamento das aposentadorias dos servidores da universidade.

“Do ponto de vista mais imediato, o estado deveria arcar com a parte das aposentadorias que lhe cabe, por lei inclusive, e que desse as verbas da expansão que tinha se comprometido a dar e não deu. Essa é uma das formas de aliviar a situação.”

Para o próximo governador, o desafio é ampliar o acesso às universidades, especialmente das camadas populares, manter a qualidade do ensino público e gratuito, e ter o financiamento adequado pra isso.

Fonte: Rádio CBN

Pós-Graduação Unijuí

3 de dezembro de 2018
Copyrights 2018 ® - Todos os direitos reservados
Skip to content