Metade das pessoas que repactuaram empréstimos voltaram a atrasar contas em um ano, diz Banco Central – NoroesteOnline.com

Metade das pessoas que repactuaram empréstimos voltaram a atrasar contas em um ano, diz Banco Central

12 de junho de 2019
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Há mais de um ano, mais de R$ 2 bilhões em dívidas são renegociados entre clientes e bancos mensalmente – cheque especial, cartão de crédito, empréstimo pessoal. Em abril, foram R$ 2,7 bilhões, montante 24% superior ao registrado um ano antes. Metade das pessoas, porém, repactuaram mas voltaram a atrasar em um ano.

A esse volume se somará a campanha lançada pela Caixa no final de maio, para repactuar contratos com clientes que estão inadimplentes há mais de um ano com descontos entre 40% e 90% do valor da dívida.

Há ainda o programa do banco público focado em negociar dívidas de financiamento imobiliário.

Para o professor William Eid, coordenador do Centro de Estudos de Finanças da FGV, o crescimento nas renegociações reflete um interesse dos bancos em reaver parte dos recursos perdidos mesmo em um ambiente em que consumidores ainda estão com a renda espremida pelo desemprego elevado. Em abril, a taxa de desocupação era de 12,4%.

Desde o agravamento da crise econômica, os grandes bancos mantêm portais de renegociação de dívidas permanentemente. As ações se intensificam no final do ano, quando a renda extra de 13º salário e férias aumentam a chance de receber o dinheiro.

“Os bancos têm pouco interesse em ver a sua carteira de financiamentos com problemas”, diz o professor da FGV.

Para os bancos, a vantagem é a diminuição das perdas e do volume de recursos que precisa ser separado para cobrir eventuais calotes, o que reduz o lucro das instituições.

Ainda assim, Walter Franco, professor de economia do Ibmec SP, vê iniciativas voltadas especialmente para devedores que já estão inadimplentes.

“O banco não vai fazer uma ação dessas [de renegociação] se a pessoa está pagando em dia. Buscará fazê-lo se existir uma interrupção do processo, quando há inadimplência”, sugere Franco.

Há casos, porém, em que as instituições ofertam empréstimo pessoal a consumidores com uso de cheque especial elevado ou que podem dar calote no cartão de crédito.

Não há desconto na dívida e a medida pode contribuir para evitar um calote ao ampliar o prazo de pagamento do que é devido. Para o consumidor, a vantagem é driblar a bola de neve dos juros altos com um crédito pessoal.

Apesar das alternativas, mais de 63 milhões de brasileiros estão com o nome sujo, segundo o Serasa, um dos birôs de crédito do País. O número permanece há anos acima dos 60 milhões.

Há ainda uma dificuldade adicional: o Banco Central mostrou no Relatório de Economia Bancária que metade dos brasileiros que renegociam dívidas conseguem, depois de um ano, manter as contas sob controle. A estatística considera o pagamento dos débitos integralmente ou aqueles que mantêm em dia as novas prestações.

A outra metade, porém, é formada por consumidores que até tentaram reorganizar as contas, mas o acordo feito não foi suficiente para manter o orçamento em ordem. Novas negociações foram feitas em 3,6% dos casos.

O mais comum é que o cliente tenha ficado inadimplente (atraso acima de 90 dias) ou tenha sido considerado uma perda pelo banco (depois de 180 dias de atraso).

Para a planejadora financeira Myrian Lud, certificada pela Planejar (associação de profissionais do setor), a dificuldade ocorre quando a renegociação é feita de forma afobada, repetindo os mesmos erros que levaram à inadimplência.

Para ela, o crescimento na carteira de renegociações está ligada a esses acordos refeitos repetidamente.

O esforço, portanto, é que a renegociação com o banco só seja feita depois que o consumidor já fez as contas e descobriu quanto efetivamente tem a pagar por mês.

Esse cálculo deve desconsiderar dívidas e computar apenas as despesas correntes do mês, como aluguel, condomínio, luz e despesas com alimentação.

O valor que sobrar (ou puder ser economizado dos gastos do dia a dia) será usado como referência para a renegociação com o banco.

“Preciso fazer minha planilha de receita e despesa. Quanto ganho e quanto tenho de despesas. Tira os empréstimos, que vão ser renegociados. O que sobra é a capacidade de pagamento. A pessoa vai renegociar dentro da capacidade de pagamento”, explica a planejadora financeira.

Com essa conta feita, aumenta o poder de barganha com o banco, que tende a se adequar às necessidades do correntista. Isso evita que um novo acordo precise ser feito no futuro.

A tendência, além disso, é de que o banco corte as linhas de crédito do cliente, para evitar novas dívidas.

Acordos ocorrem com mais facilidade, porém, em casos em que o devedor não tem bens em seu nome. Do contrário, o banco pode pedir a execução de carro e casa para receber o dinheiro de volta, mesmo que eles não tenham sido dados em garantia.

EAD UNIJUÍ

31 de julho de 2019
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