O ódio aos livros e a realidade que paira sobre nós. Por Sandra De Faveri - NoroesteOnline.comNoroesteOnline.com ">

O ódio aos livros e a realidade que paira sobre nós. Por Sandra De Faveri

8 de fevereiro de 2021

Os bombeiros, segundo pesquisa realizada pelo IBOPE, representam a profissão mais confiável no Brasil. Segundo o instituto de pesquisa, 95% dos entrevistados considera os bombeiros os melhores no quesito confiança. Até ai tudo bem, porque também acredito que eles sejam uma classe profissional muito confiável.

Agora imagine esses “profissionais do fogo” não apagando incêndios, não salvando vítimas de acidentes, não tirando gatinhos de bueiros (sim, eu já chamei os bombeiros para isso e eles salvaram o bichano). Imagine esses profissionais causando incêndios. Sim! Queimando livros. Muitos livros. Nada passando batido. Ódio aos livros!!!

O filme “Fahrenheit 451” (versão de 2018, pois tem a versão de 1966 que ainda quero assistir) mostra exatamente isso. O ódio aos livros. O ódio às ideias. Segundo o enredo do filme, os livros representam a infelicidade humana. O homem não precisa pensar. Precisa apenas ser um autômato. Para que pensar? Para sofrer? Os livros são instrumentos de sofrimento, de acordo com o filme. Sofrimento porque nos faz pensar.

Um história absurda? Sim. Mas é preciso refletir um pouco mais sobre isso. O filme que assisti tira as pessoas da zona de conforto. Causa dor ver tantos livros sendo queimados. Sofri em algumas cenas. Isso é a chamada catarse. E olha que fazia tempo que não sentia isso. Porque a catarse evoca pensamentos, perguntas, reflexões, divagações.

Mostra o quanto sua vida pode não ser tão feliz quanto parece ou quanto você pretende fazer crer que é. E assim continuamos com a velha e boa tática, sorriso no rosto, mas o coração em pedaços.

Imagine agora um povo que pensa, que tem opinião própria, que tem argumentos. Imagine um povo com ideias, criativo, empreendedor. Um povo assim é difícil de lidar. E quem quer lidar com pessoas que pensam?

O mais eloquente nesse filme é que, apesar do livro ter sido lançado originalmente em 1953, é tão, mas tão atual que chega a causar espanto. Claro que precisamos levar em consideração que foi escrito após a Segunda Guerra Mundial, quando, ainda, o mundo estava com feridas abertas.

Em uma era tecnológica como a nossa, para que ler? Para que comprar livros? Para que pensar? Precisamos ter o melhor computador, o melhor telefone, a maior tela de televisão. Somos diariamente bombardeados com programas e tecnologias cada vez mais avançadas com intuito único e exclusivo de deixar as pessoas sem pensar muito. E uma pessoa que não pensa muito, não causa problemas. Aceita tudo o que lhe é imposto.

Isso me faz lembrar daquela música do Zé Ramalho: “Ê, ô, ô, vida de gado. Povo marcado, ê! Povo feliz!”

E assim caminhamos a passos largos. Mas para onde?

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23 de fevereiro de 2021
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