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O racismo que persiste no futebol brasileiro e mundial

30 de dezembro de 2019
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Apesar da adesão cada vez maior dos clubes na luta contra o racismo no futebol, os números mais recentes mostram que o problema só cresce, tanto em termos nacionais como mundiais. No Brasil, quase um terço dos episódios em 2019 foram registrados no Rio Grande do Sul.

Em 2014, o Grêmio se viu de repente no centro das atenções tanto do cenário esportivo como policial. E não por bons motivos. Na noite de 28 de agosto daquele ano, o Tricolor enfrentava, na Arena, o Santos pelas oitavas de final da Copa do Brasil. Perdia por 2 a 0, mas o resultado seria o menor dos problemas. Em dado momento, o goleiro santista Aranha foi alvo de ofensas raciais proferidas por torcedores nas arquibancadas.

As câmeras flagraram uma torcedora que visivelmente chamava o jogador de “macaco”. A repercussão foi enorme, o caso foi parar nos tribunais e o clube acabou eliminado da competição. Tudo isso há cinco anos. De lá para cá, os times passaram a tomar uma série de medidas preventivas e educacionais no sentido de coibir o racismo no futebol. Era de se esperar que os casos diminuíssem. Só que eles aumentaram. Se em 2014, foram registrados 20 episódios de racismo no futebol brasileiro, este número saltou para 59 em 2019.

O mais impressionante em se tratando da luta contra o racismo – e nunca é demais lembrar que no Brasil injúria racial é crime, previsto no artigo 140 do Código Penal, com penas que podem chegar a três anos de reclusão – é que, analisando os números, não há indicativos de que o problema esteja sendo controlado. Muito pelo contrário.

O Observatório da Discriminação Racial no Futebol organiza, desde 2014, relatórios anuais, recolhendo dados sobre casos de preconceito, seja racial, homofóbico ou de xenofobia. À exceção de 2016, quando houve uma queda nos números absolutos, em todos os outros anos houve crescimento em relação ao ano anterior.

Neste ponto, é necessário contextualizar os levantamentos e a metodologia dos Relatórios Anuais. O diretor do Observatório, Marcelo Carvalho, explica que recolhe todos os casos que ganham espaço na mídia. Não são computadas, por exemplo, denúncias feitas apenas nos sites de redes sociais. Na prática, isso abre espaço para algumas leituras.

Uma é de que os casos podem ser ainda mais numerosos, já que vários sequer chegam às páginas. A outra é de que a visibilidade tem feito com que haja menos receio nas denúncias por parte dos profissionais que são vítimas de injúria racial. Não se tem medo em denunciar como em outros tempos. Há uma grande chance ainda de que as duas leituras ocorram em paralelo.

Seja como for, os números assustam. Afinal, como explicar que, com tantas ações recentes e frequentes por parte dos clubes, em 2017 tenham sido registrados 43 casos no futebol brasileiro, que a média tenha se mantido no ano seguinte, com 44, mas que tenha saltado para 59 ao longo deste ano que se aproxima do fim? As explicações, como era se de prever, transcendem o campo do futebol.

“Enquanto eu era enxergado pelo retrovisor lá longe, não era um problema. Agora, quando avanços sociais permitiram que não só o negro, mas que a mulher, o homossexual pudessem avançar e serem respeitados, a distância do retrovisor diminuiu. E o que acontece agora é a reação deste sistema”, afirma o técnico Roger Machado, revelado pelo Grêmio e que hoje treina o Bahia.

Em outubro, o treinador participou de uma ação do Observatório no Maracanã, no jogo entre Bahia x Fluminense. Mesmo que o futebol tenha uma longa história no Brasil, foi apenas em 2019 que pela primeira vez dois técnicos negros comandavam as casamatas em um jogo válido pela Série A.

Após a partida, Roger concedeu uma entrevista que se tornou icônica na luta contra o racismo. “Temos que refletir e nos questionar. Se não há preconceito no Brasil, por que os negros têm um nível de escolaridade menor que o dos brancos? Por que a população carcerária é 70% negra? Por que quem mais morre no Brasil são os jovens negros? Por que os menores salários entre brancos e negros são para os negros? Por que entre as mulheres, quem mais morre são as negras? Há diversos tipos de preconceitos. Quantas mulheres negras têm comentando esporte? Então, temos que nos perguntar. Se não há preconceito no Brasil, qual é a resposta relacionada a isso? Vivemos um preconceito estrutural, institucionalizado”, denunciou o treinador.

 Roger é técnico do Bahia. Foto: Uarlen Valério / Estadão / CP 

Roger passou a ser mais requisitado para falar sobre o tema e não se omitiu. Em dado momento, dentro de campo, o Bahia, que vinha fazendo uma boa campanha, oscilou. Vieram então as contestações. “O time logo depois passou por uma queda técnica e existia uma crítica voltada ao clube de que as ações sociais estavam se sobrepondo ao campo. Muitos dizem que futebol não deveria ser misturado com política. Já é política. Viver é fazer política. Mas isso é o sistema querendo reagir e querendo voltar ao status quo, quando um lado não reclamava e fingia que estava tudo bom, que o racismo não existe e a vida segue”, diz ele.

Polarização

Há um outro elemento citado com regularidade quando se levanta a questão do crescimento de casos de racismo no futebol brasileiro. O fator que seria responsável por impulsionar tantos episódios detestáveis tem a ver com o momento político do país – e do mundo.

“A sociedade está doente. E a rede social potencializa uma celebridade agressiva, alguém que quer se destacar e virar notícia fazendo um gesto inadmissível. É inacreditável que em 2019, quase 2020, as pessoas tenham preconceito com o diferente. O problema da democracia não é você conviver com a maioria, é viver com quem pensa diferente. Porque se eu sou uma pessoa que aceita o diferente, a opinião contrária, eu posso conviver de uma maneira civilizada. Agora, ‘Ah não, se o meu voto não ganhar, não me serve’. Então desculpa, mas você não é um democrata, é um ditador”, afirma o presidente do Inter, Marcelo Medeiros.

Rival nas arquibancadas, o presidente do Grêmio tem visão semelhante. “Não vejo necessariamente uma expressão de ódio, mas sim de completo descontrole emocional. Ao mesmo tempo existem, sim, situações racistas. O mundo vive esse debate hoje, muito mais intensamente que em outros tempos. E o país vive esse debate por conta das posições políticas do governo, que é uma política conservadora. E ao ter uma política conservadora, acirra esse tipo de debate. E muitas vezes bate nas pessoas essa ressonância, essa necessidade de fazer parte do debate, contra ou a favor”, diz Romildo Bolzan Júnior.

Para Marcelo Carvalho, o momento político no Brasil e no resto do mundo é um fator que conspira para o afloramento do racismo. “Temos governantes aqui, na Itália, nos Estados Unidos, Hungria, que falam abertamente de seus preconceitos, fazendo com que seus seguidores se sintam à vontade para expor o seu racismo. Eles pensam o seguinte: ‘Bom, se meu presidente fala e não acontece nada com ele, então posso me expor também’. Não existe punição. E o futebol reflete a sociedade”, afirma, lembrando, mais uma vez, que em 2019 os casos de racismo dispararam não só por aqui, mas pelos estádios ao redor de todo o mundo.

“Mas o racismo ficou mais visível também porque os jogadores estão chegando a um nível mais elevado de conscientização e começaram a denunciar os casos, indo para as redes sociais ou avisando os árbitros quando veem as manifestações racistas partindo das arquibancadas”, destaca o diretor do Observatório. “Aquilo que tínhamos na época do Pelé desapareceu. Aquilo de os craques dizerem que responderiam às atitudes racistas das arquibancadas destruindo nas partidas já foi. Hoje os atletas abrem a boca mesmo”, diz.

Não faltam casos recentes para comprovar a afirmação, inclusive com alguns nomes bem conhecidos do torcedor gaúcho, como o atacante Taison e o volante Fred, ambos ex-Inter. O primeiro foi alvo de insultos racistas por parte dos torcedores do Dynamo Kiev durante a disputa do maior clássico ucraniano, no início de novembro.

O brasileiro reagiu quando passou a escutar cânticos racistas das arquibancadas. Taison voltou-se então para a torcida adversária, chutou a bola e fez um gesto obsceno em direção às arquibancadas. O árbitro Mykola Balakin chegou a paralisar o jogo, mas, ao retomar a partida, expulsou o atacante por causa de sua reação. O jogador deixou o campo chorando e o confronto seguiu normalmente até o final.

Após o jogo, Taison desabafou nas redes sociais, citando trecho da música “Jesus chorou”, do Racionais MC’s: “Amo minha raça, luto pela cor, o que quer que eu faça é por nós, por amor”. No texto, o jogador agradeceu pelas mensagens de apoio e ressaltou a firmeza que deve ser adotada no combate ao racismo.

 Taison foi alvo de cânticos racistas da torcida. Foto: Uwe Anspach / DPA Picture-Alliance / AFP / CP 

“Jamais irei me calar diante de um ato tão desumano e desprezível. Minhas lágrimas foram de indignação, de repúdio e de impotência. Impotência por não poder fazer nada naquele momento. Mas somos ensinados desde muito cedo a sermos fortes e a lutar. Lutar pelos nossos direitos e por igualdade. O meu papel é lutar, bater no peito, erguer a cabeça e seguir lutando sempre! Em uma sociedade racista, não basta não ser racista, precisamos ser antirracistas”, desabafou. O jogador chegou a dizer que deixaria o clube. Taison foi procurado pela reportagem do Correio do Povo, mas não respondeu aos pedidos de entrevista. “Ele reagiu a um ato de racismo, mas depois não quis mais tocar no assunto”, revela Carvalho.

Menos de um mês depois, foi a vez de Fred ser a vítima. No clássico entre o seu time, o Manchester United, e o grande rival, Manchester City, pelo campeonato inglês, um torcedor adversário fez sons e imitou um macaco. Desta vez não saiu impune. Foi identificado, preso e expulso dos quadros sociais do clube.

Aqui e lá 

Os casos na Ucrânia e na Inglaterra são significativos na medida em que evidenciam que o problema está longe de ficar concentrado no Brasil. Na Itália, por exemplo, o tema tem ganhado cada vez mais as manchetes. Só neste ano, o racismo no futebol italiano deu as caras com o senegalês Kalidou Koulibaly, do Napoli, que ouviu torcedores da Inter de Milão reproduzirem sons semelhantes aos de macacos no estádio Giuseppe Meazza; com o atacante belga da mesma Inter, Romelu Lukaku, alvo de cantos ofensivos da torcida do Cagliari, em setembro, sua segunda partida na Itália; e com o (negro) italiano Mario Balotelli, do Brescia, que ouviu ofensas na partida diante do Hellas Verona.

Furioso, ele chutou a bola em direção aos agressores, e ameaçou deixar o gramado, sendo contido por seus companheiros e adversários. Depois, ainda teve que ouvir do próprio presidente de seu clube algo inacreditável. Massimo Cellino, que também é dono do Brescia, disse as seguintes palavras ao ser perguntado sobre Balotelli: “É negro, está trabalhando para clarear, mas está com dificuldade”.

O dirigente falou isso para jornalistas antes de uma entrevista coletiva. “Eu aceitei (a contratação do jogador) porque considerava um valor agregado, ele deve dar respostas em campo, não nas mídias sociais”, debochou, pois Balotelli reclamou em suas redes sociais sobre o racismo que vem sofrendo. Depois, Cellino adotou a postura padrão neste tipo de caso e alegou ter sido mal interpretado, como se houvesse espaço para outro tipo de interpretação aqui.

Só que a coisa não fica por aí. A Federação Italiana, na tentativa de lidar com os casos, idealizou uma campanha. Encomendou a um artista plástico três quadros, acredite se quiser, com caras de macacos para os incluir em uma ação de combate ao racismo. “Não somos macacos, somos seres humanos. Quem fez a campanha? Gente branca. Não têm negros na Federação Italiana para alertar. Falta o feeling, falta perguntar aos negros o que eles acham disso”, alerta Carvalho.

A reação foi forte e imediata. Alguns clubes criticaram duramente a campanha. O Milan, em sua conta de Twitter, escreveu: “A arte pode ser poderosa, mas discordamos fortemente com o uso de macacos na luta contra o racismo e estamos surpreendidos com a total falta de consulta junto aos clubes”. Já a Roma questionou se esta seria a forma correta de abordagem antirracista: “Compreendemos que a Liga queira combater o racismo, mas não acreditamos que esta seja a maneira correta de o fazer”.

Acuada, a Liga Italiana de futebol pediu desculpas por ter utilizado as imagens: “Peço desculpa a todas as pessoas que se sentiram ofendidas pelo trabalho do artista Simone Fugazzotto. Mesmo que o artista tenha explicado que a mensagem era contra o racismo, algumas pessoas acharam-na criticável”, desculpou-se Luigi De Servio, chefe executivo da Liga.

Índice Indesejado 

Os números dos Relatórios Anuais do Observatório da Discriminação Racial no Futebol trazem uma marca indesejada para o Rio Grande do Sul. Desde o início dos levantamentos, em 2014, apenas em um ano (2016) o Estado não liderou em número de casos verificados. Em todos os demais, não apenas esteve à frente, como com uma larga diferença para os demais. Em 2019, não foi diferente. Dos 59 episódios registrados no ano, 16 foram em solo gaúcho, o que significa quase um terço do total. Dentro do Estado, por sua vez, a maioria dos casos se concentra na Serra gaúcha. O que não significa que outras regiões também não apareçam no levantamento.

Os episódios também não ficam restritos ao futebol profissional. Há poucos dias, em 15 de dezembro, o ex-árbitro Márcio Chagas da Silva foi vítima de racismo em um jogo do qual havia sido convidado para participar. Hoje comentarista, ele apitava o duelo entre América e Juventus, pelo campeonato municipal de Ajuricaba, na região Noroeste do Estado, quando um torcedor dirigiu-se a ele gritando: “Apita direito, negro safado. Se não apitar, vão fazer que nem em Bento Gonçalves”. O episódio referido pelo torcedor é um dos mais infames da história do futebol gaúcho.

Em março de 2014, o árbitro foi alvo de ofensas raciais como “volta para o circo” e “teu lugar é na selva” durante a partida entre Esportivo x Veranópolis, na Montanha dos Vinhedos, em Bento Gonçalves. Além disso, após o jogo, quando chegou ao estacionamento, encontrou bananas em seu carro. O clube foi denunciado e meses depois, em julgamento no Tribunal de Justiça Desportiva do RS, multado em R$ 30 mil e perdeu seis mandos de campo. A pena mais dura, porém, foi a perda de nove pontos, o que decretou o rebaixamento do Esportivo para a Segunda Divisão gaúcha.

As duras punições ao Esportivo no Gauchão e ao Grêmio na Copa do Brasil, contudo, ainda são exceções no cenário esportivo do Brasil. Carvalho lembra, por exemplo, da mais recente Copa Ipiranga, disputada em dezembro.

“Ocorreram três casos de racismo. E o que fez a organização da competição? Nada. Nem uma nota repudiando os casos. Aconteceu, segue o jogo. Para eles, o mais importante é a bola rolando, manter os patrocinadores. A Fifa já tem em suas regras que uma partida pode ser paralisada ou até mesmo encerrada em casos de racismo. E não ocorre isso, aqui e em lugar nenhum. Aí são vários fatores, começando com a cobrança sobre o árbitro, os anunciantes, processo no tribunal”, enumera.

Para quem convive com olhares enviesados há anos, a simples punição ao clube ou ao torcedor em casos de racismo é necessária, mas está longe de ser suficiente. “O que não podemos é individualizar o preconceito. Punir só aquele que cometeu o ato. Se a gente não rever o que está inserido sistematicamente na estrutura, que é o que faz esses atos acontecerem, eles vão continuar”, pondera o técnico Roger Machado.

Na luta contra o racismo no futebol, o que é possível além de cumprir as leis? Em busca de respostas, vários clubes deram o pontapé inicial em iniciativas que fujam à simples batalha contra casos pontuais. No começo de dezembro, o Grêmio assinou um Protocolo de Intenções com a Defensoria Pública da União, por meio do Grupo de Trabalho de Políticas Etnorraciais (GTPE-DPU).

O documento, assinado pelo presidente Romildo Bolzan, pelo Subdefensor Público-Geral Federal, Jair Soares Júnior, e pela defensora pública da União e coordenadora do grupo de trabalho de Políticas Etnorraciais, Rita Cristina de Oliveira, prevê ações de enfrentamento ao racismo institucional e estrutural no âmbito do futebol. “Se não fizermos a expressão de valor para o nosso torcedor do combate a essas questões, vamos deixar isso solto. Então o Grêmio precisa dar sinalizações muito claras de que um clube de futebol se comporta de uma maneira absolutamente correta socialmente porque são os valores do clube”, explica Romildo Bolzan.

Mudanças na prática 

Representante do clube no protocolo, o vice-presidente do Conselho Deliberativo do Grêmio, Alexandre Bugin, ressalta que a parceria com a DPU faz parte de mudanças mais profundas na forma como o clube está encarando este tema. Até mesmo uma mudança estatutária tem sido cogitada. “O nosso objetivo maior é que pessoas preconceituosas, racistas sintam-se, no curto e médio prazo, excluídas do ambiente da Arena. Não temos lugar para gente que pensa e age assim”, diz.

 Torcida gremista com faixa contra o racismo no futebol. Foto: Edison Vara / Divulgação / Grêmio / CP 

Não por acaso, a própria direção manteve conversas com representantes das torcidas organizadas para evitar determinados cânticos. E neste ponto, não há nada mais delicado do que o verso “chora macaco imundo”, que por anos foi entoado nas arquibancadas da Arena e do Olímpico.

“Num primeiro momento esse canto não era racista, porque era um canto de provocação. Mas nesses momentos de hoje ele pode ser absolutamente mal interpretado, colocado de uma maneira racista ou provocativa, por isso que nós proibimos. O Grêmio proibiu as torcidas organizadas de cantar isso desde que nós assumimos. Aquilo que parecia culturalmente aceitável há pouco tempo, deixou de ser. Por conta exatamente dos ambientes criados é que o Grêmio teve que se adequar às posturas corretas do ponto de vista desta luta”, afirma Romildo.

No Estado, o Juventude foi outro clube que colocou em prática campanhas antirracismo. De acordo com o vice-presidente de marketing do clube, Mauro Trojan, ocorreu um incidente em um jogo contra o Botafogo pela Copa do Brasil, no Alfredo Jaconi. “Um torcedor ofendeu um jogador do Botafogo. Ele foi identificado e retirado do estádio. Mas ali vimos que teríamos de tomar uma atitude para que fatos como esses não se repetissem”, afirma o dirigente.

Trojan destaca ainda que o Juventude e a cidade de Caxias do Sul não são, de forma alguma, racistas. “Estamos longe disso. Afinal, somos uma sociedade feita por imigrantes italianos. E hoje em dia recebemos de braços abertos haitianos, senegaleses, nigerianos. Basta dar uma andada pelo centro da cidade para ver a nossa diversidade. Não nego, porém, que podem ocorrer manifestações individuais, porém estas pessoas devem ser educadas”, observa o dirigente.

Por mais iniciativas que os clubes passem a ter daqui para frente, é ilusório achar que os casos de racismo no futebol brasileiro vão cessar sem uma mudança estrutural que vá muito além dos campos. “Para mim, o futebol sempre foi um meio, nunca um fim. Muitos dizem que futebol e política não se misturam, e aqui não falo de política partidária, mas sim da arte de dialogar. Se não dialogarmos, não vamos andar para frente”, aponta Roger Machado, que completa logo em seguida: “Neste momento, adotar esse tipo de postura (de lutar contra o racismo) é um caminho que não tem volta. Senão no futuro seremos cobrados”.
Fonte: Correio do Povo/Rádio Guaíba

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