Pesquisas indicam perigo da ingestão de microplásticos por humanos – NoroesteOnline.com

Pesquisas indicam perigo da ingestão de microplásticos por humanos

22 de setembro de 2019
Compartilhar
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  

Os chamados microplásticos vêm gerando preocupações na comunidade científica. Os pequenos pedaços de plástico que poluem o meio ambiente podem acabar sendo ingeridos por uma pessoa em fragmentos imperceptíveis no copo de água e até no alimento. Este é um dos assuntos presentes em discussões propostas por instituições ambientalistas de diversos países que realizam neste sábado (21) o World Cleanup Day ou, simplesmente, Dia Mundial da Limpeza, como o evento é chamado em português.

O Dia Mundial da Limpeza busca chamar a atenção e oferecer atividades de combate ao problema global de resíduos sólidos. O impulsionamento mundial é liderado pela Let’s Do It World (LDIW), um movimento cívico global sediado na Estônia e com alcance em 157 países. Eles criaram um mapa online que traz informações das iniciativas espalhados pelo mundo. A proposta do evento teve como base experiências que vinham sendo realizadas desde 2008, quando 50 mil pessoas se uniram na Estônia para recolher lixo em todo o país.

O movimento decidiu fixar o Dia Mundial da Limpeza sempre no terceiro sábado de setembro. No ano passado, o Brasil registrou ações em 363 cidades. Neste ano, a expectativa é que o evento chegue a mais municípios.

“Teremos neste dia, em todo o mundo, mutirões para limpeza, por exemplo, do lixo local gerado na praia: bituca de cigarro, tampa de garrafa, canudos, copos, garrafas, sacolas plásticas”, diz Jonas Leite, doutor em oceanografia e gerente no Rio de Janeiro do Projeto Meros do Brasil, uma das iniciativas responsáveis por organizar as ações em cidades brasileiras.

Microplásticos no intestino humano

Esse material minúsculo tem sido encontrado, há anos, poluindo as águas dos oceanos e, consequentemente, no organismo de várias espécies de vidas marinhas. Diversas pesquisas já detectaram quantidades significativas do material em atum, lagosta e camarão, por exemplo. Os pedaços se inserem nas cadeias alimentares dos oceanos. O microplástico no organismo humano pode afetar a saúde de inúmeras maneiras. Se acumulados no trato gastrointestinal, por exemplo, esses materiais podem interferir na resposta imunológica do intestino. Isso, claro, sem contar o risco da absorção de produtos químicos tóxicos ao corpo.

Leite considera que as atividades na praia fomentam a conscientização, mas alerta que, em qualquer lugar do país, quando o lixo é jogado no chão ou levado para um lixão que não faz o tratamento correto, o resíduo vai acabar indo para os rios e pode percorrer milhares de quilômetros até o oceano. “É o destino final de praticamente todo o lixo que não é gerido da forma correta. Você pode nunca ter pisado na praia, mas o seu lixo, se não for bem gerido, vai chegar lá”, disse.

Segundo o especialista em oceanografia Jonas Leite, nem todo o lixo encontrado em uma praia é gerado no local. “Durante toda a maré cheia, o mar traz resíduos que não foram jogados ali. O mar não tem país. E o lixo, independente de qual país o gerou, é o mesmo para todos. Ele continua no planeta Terra. O lixo que se joga aqui pode aparecer um dia na Argentina, dependendo das correntes marinhas”.

No ritmo atual, se nada for feito, as projeções da ONU apontam que os oceanos terão mais plástico do que peixes em 2050. Em alguns pontos têm se formado as ilhas de plástico. Segundo Jonas, isso ocorre nos vórtices das correntes marinhas.

“As principais correntes fazem como se fossem redemoinhos, promovendo o acúmulo do lixo em certos pontos. Esse lixo que está na superfície boiando atrai a vida marinha. Então a presença de um marisco, um mexilhão, faz com que uma garrafa grude na outra. E os resíduos vão sendo aglutinados pelos seres marinhos, até que vira um grande aglomerado. Algumas dessas ilhas crescem tanto que já ocorreram acidentes com navios e há vários países buscando soluções para a questão”, explica.

Segundo ele, o mundo, inclusive o Brasil, já possui soluções para quase todas as questões relacionadas com embalagem. “A indústria só não recorre a elas porque é mais caro, ou porque falta interesse e o mercado continua consumindo com as embalagens desnecessárias. Mas já tem, por exemplo, mercado embalando vegetais e legumes com folha de bananeira. Um caso clássico é a pasta de dente. Para quê tem uma caixa de papelão protegendo o tubo da pasta de dente? Para quê embalar frutas com várias camadas de isopor e plástico, se a casca já é uma embalagem natural que garante a durabilidade do alimento?”, questiona.

Fonte: O Sul

Vestibular de Verão UNIJUÍ 2020

30 de setembro de 2019
Copyrights 2018 ® - Todos os direitos reservados
Skip to content