Um estudo da ONU revelou que o Brasil tem a segunda maior taxa de homicídios da América do Sul – NoroesteOnline.com

Um estudo da ONU revelou que o Brasil tem a segunda maior taxa de homicídios da América do Sul

10 de julho de 2019
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Um relatório da ONU (Organização das Nações Unidas), divulgado nesta segunda-feira (8), revelou que o Brasil tem a segunda maior taxa de homicídios da América do Sul e uma das maiores do mundo. O estudo do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime mostra que o País registrou 30,5 homicídios a cada grupo de 100 mil habitantes, ficando apenas atrás da Venezuela. Os números são relativos a 2017.

O estudo, que analisou dados de todos os continentes, aponta uma tendência de alta nos chamados “homicídios intencionais” nesta década no Brasil, com a taxa que oscilava entre 20 e 26 a cada grupo de 100 mil habitantes, em 2012, indo para os atuais 30,5. Entre 1991 e 2017, 1,2 milhão de pessoas foram mortas no País.

Outro ponto destacado pela ONU é o alto número de homicídios cometidos por policiais: em 2017 foram 1.599. Para efeito de comparação, nos EUA a polícia matou 448 pessoas. Os agentes de segurança também são vítimas da violência: em 2017, foram 80 policiais mortos. O relatório trabalhou com dados oficiais.

Os números do Brasil seguem a tendência na América Latina, que desde a década de 1990 registra um aumento substancial no número de homicídios. Em El Salvador, a taxa é de 62,1 a cada grupo de 100 mil habitantes, a maior da região. Na Venezuela, o índice chega a 56,8, o maior da América do Sul.

A América Central e a América do Sul registraram, assim, as taxas mais altas do planeta, com 25,9 e 24,2 assassinatos por cada 100 mil habitantes, de acordo com a ONU. No topo da lista está o Caribe, com 15,1.

Mas também há sinais positivos. Na Colômbia, que em 1991 tinha uma das maiores taxas de assassinatos do planeta, quase 80 a cada grupo de 100 mil habitantes, os números hoje estão perto de 20. Para a ONU, isso é, em parte, resultado do acordo  entre o governo colombiano e as Farc, colocando fim a um dos mais longos conflitos armados das Américas.

Regiões seguras

Os avanços na Colômbia refletem uma tendência vista em quase todos os continentes. Segundo a ONU, a média global é de 6,1 homicídios, uma queda de quase 15% em relação à década de 1990. As regiões mais seguras do mundo são Ásia, Europa e Oceania, onde os números ficam em torno de 2 homicídios a cada grupo de 100 mil pessoas. Ao todo, 460 mil pessoas foram mortas em todo o mundo em 2017.

A ONU ressalta que os números da África não são totalmente confiáveis, com muitas lacunas que impedem análises mais detalhadas. Um exemplo é a Nigéria, apontada como o país mais violento do continente. Sem números oficiais disponíveis, as estimativas podem apresentar variações consideráveis, como em 2012, quando variaram entre 2.712 assassinatos, números da Polícia Nacional, e 33.817, estimativa feita pela Organização Mundial da Saúde.

Mesmo assim, a ONU afirma que, em números absolutos, Nigéria e Brasil registram 28% de todos os homicídios cometidos no planeta. Os dois possuem cerca de 8% da população mundial.

O estudo também traça um perfil das principais vítimas: homens entre 15 e 29 anos de idade correspondem a uma taxa média de 16,6 homicídios a cada grupo de 100 mil habitantes, seguidos por homens com idade entre 30 e 44 anos, com taxa de 14,7.

Crime ‘mata mais que guerra e terrorismo’

Outro fator destacado pelo estudo é o papel do crime organizado. De acordo com Yury Fedotov, diretor-executivo do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, 19% de todos os homicídios estão ligados a ações de grupos criminosos e atividades como o tráfico de drogas.

Ele afirma que “o crime organizado causou mais mortes em todo o mundo do que conflitos armados e terrorismo, combinados”. Ele teme que, caso nada seja feito, as metas do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 16, de reduzir mortes violentas, não serão alcançadas.

O Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime também destaca que as mulheres, embora registrem taxas de homicídios mais baixas que as dos homens, são alvo de violência doméstica, com assassinatos cometidos por parceiros e parentes. Um fenômeno que, para Yury Fedotov, é frequente e muitas vezes ignorado.

O relatório também indica caminhos para reduzir os homicídios. Além do foco em políticas de combate ao crime organizado, a ONU defende medidas para diminuir o acesso a armas de fogo, além de políticas do conscientização sobre o uso de álcool e drogas. Outras sugestões incluem ações de combate à corrupção, serviços públicos mais eficientes e a ressocialização de jovens envolvidos com gangues e organizações criminosas.

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