Uniformes lançados para a Copa do Catar venderam dez vezes mais do que as camisas do Mundial de 2018 – NoroesteOnline.com

Uniformes lançados para a Copa do Catar venderam dez vezes mais do que as camisas do Mundial de 2018

12 de setembro de 2022
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Lançada cerca de 100 dias antes do início da Copa do Mundo, a camisa da Seleção Brasileira se saiu bem diante de seu primeiro teste de fogo no varejo. De acordo com levantamento da própria Nike, os novos uniformes (considerando todas as versões disponíveis) venderam dez vezes mais do que em 2018 – considerando os dois primeiros dias de lançamento.

O resultado vem após anos seguidos em que as peças foram intimamente relacionadas aos apoiadores de Jair Bolsonaro. A Centauro, uma das principais lojas de artigos esportivos no país, tem dados que mostram que a versão “amarelinha” – mais comuns nas manifestações de teor político – segue como carro-chefe de vendas masculinas, correspondendo a 70% das compras.

Entre as mulheres e crianças, porém, a versão azul conta com 50% da preferência. A varejista, inclusive, tem uma nova coleção própria de peças com temáticas do Brasil – das quais alguns itens já estão esgotados e aguardam reposição.

A nova camisa oficial chegou ao mercado no mês passado, em meio a um burburinho nas redes sociais que justamente propõe um retorno do verde e amarelo e dos motivos ligados à seleção como uma referência “fashion”, para além das manifestações políticas.

O modismo foi batizado de “Brazilcore”. A nomenclatura, numa tradução livre do inglês, quer dizer “Brasil no centro”. Ou seja, são conjuntos de roupa em que referências brasileiras dão maior peso à indumentária. A divulgação consiste em criar “looks do dia” – como os influenciadores chamam a roupa que usam – que carregam referências da “amarelinha”. Ou de outros uniformes esportivos.

O modismo apareceu no TikTok, rede social amplamente frequentada pela geração Z – jovens nascidos entre a segunda metade dos anos 1990 e os anos 2010.

Um dos que aderiu à novidade foi o influenciador de moda e estudante de direito Arthur Freixo, de 20 anos.

“A nova tendência vem da vontade de ressignificar o verde e amarelo, tirá-los das mãos da extrema direita. Fora que é ano de Copa. Meu público sentiu-se inspirado. Recebi diversas mensagens dizendo que o post ‘mudou mentalidades’. Pessoas que disseram que não teriam mais vergonha de usar a camisa (do Brasil)”, declara.

Para além da presença nas redes, grifes nacionais também deram sinal verde às cores da bandeira e apresentaram suas colaborações, sobretudo em acessórios. A Misci, sob a batuta do designer mato-grossense Airon Martin, mostrou na passarela da última São Paulo Fashion Week um look todo vermelho coroado com um boné verde e amarelo, onde se lia “Mátria Brasil”.

“Há quem diga que entrou em um restaurante usando o boné e recebeu olhares tortos, mas exibir essas cores é um passo que precisamos dar. É necessário que se perca esse medo. Aos poucos, vamos voltando a usá-la”, diz Airon.

Quem também lançou mão das cores do Brasil foi o designer de acessórios Alexandre Pavão. Na última coleção, apresentada no primeiro dia deste mês, há uma versão da bolsa de mão, em couro azul com detalhes verdes e amarelos. A alusão à bandeira do Brasil é clara:

“Quando lancei a bolsa, muitos compradores pediram que eu fizesse uma versão totalmente vermelha. Há, sim, um interesse em observar de maneira diferente o verde e amarelo, mas ainda será preciso mais tempo para que as pessoas realmente decidam aderir ao estilo. A internet é um primeiro passo.”

Marcio Banfi, professor de styling da Faculdade Santa Marcelina, em São Paulo, diz que o retorno das camisas e roupas inspiradas na bandeira do Brasil – e consequentemente na camisa da seleção – necessita de um olhar a longo prazo.

“Hoje em dia, as tendências surgem e desaparecem de maneira bastante acelerada. Será preciso mais tempo para saber se o uso dessa referência realmente se estabelecerá. Embora exista, sim, um desejo de usar essa camisa para além das razões políticas. Está acontecendo um movimento que mostra o desejo de voltar a se orgulhar dessa camisa.” As informações são do jornal O Globo.

Fonte: O Sul

Profissional do Futuro Unijuí

3 de julho de 2026
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