Alfredo Camargo estava bem, trabalhando normalmente como bancário, quando chegou em casa na última segunda-feira com uma sensação de cansaço diferente. Deitou para dormir. Não conseguiu, por causa das náuseas que o levaram a vomitar a noite toda. Tentou se tratar em casa, mas só depois de uma consulta médica veio o diagnóstico: virose.
Mas o que é este problema de saúde que ataca crianças e adultos? Há quem diga se tratar de uma reposta médica quando não se sabe o que o paciente tem. No entanto, não é bem assim, como diz o gerente de internação do Grupo Hospitalar Conceição, José Accioly Jobim Fossari. “Se a pessoa está debilitada, esgotada pode, sim, receber a visita do que chamamos de “vírus oportunista”. Basta que consuma um alimento mal conservado ou estragado que a contaminação acontece”, diz o médico. Qualquer infecção que afeta o organismo pode ser chamada genericamente de virose. Pode acometer as vias respiratórias, sistema digestivo e até os olhos.
O contágio de uma virose pode ocorrer pelo ar, por meio de tosses e espirros ou por higienização incorreta, como lavar as mãos de forma inadequada ou sem a utilização de álcool gel. Ao contrário do que se pensa, a virose não é um problema apenas do verão, segundo Fossari. “Não é questão de estação. Se não as pessoas não teriam diarreia no inverno. Acontece muito mais em função de consumo de alimento em má conservação. Não existe geração espontânea do vírus”, informa o clínico geral. Alimentos expostos ao sol, vencidos ou mal higienizados podem ocasionar as viroses. Um mesmo vírus pode acometer várias partes do corpo do paciente e o próprio organismo se encarrega de resolver a virose, que desaparece em até cinco dias.
A recorrência do problema, no entanto, deverá ser corrigida. “A pessoa vai ficando fraca, perdendo sódio e potássio se não ingerir alimentos. Beber água é muito importante. Água, água. Se persistir a virose, aí procure um médico”, orienta Fossari. Além dos cuidados com a higiene das mãos e dos alimentos, é recomendável a reposição de sais minerais através da água de coco, bebidas eletrolíticas e soro caseiro, com uma colher de sopa de açúcar e uma pitada de sal para cada litro de água.
A coordenadora adjunta de Atenção Primária da Secretaria Municipal de Saúde, Diane Nascimento, informou que não há um levantamento específico para as chamadas “viroses”, porque os órgãos de saúde são orientados a registrar somente doenças com notificação obrigatória como a dengue, a febre amarela e a gripe, por exemplo. Segundo ela, “três a cinco dias é o tempo que, no geral, a virose fica mais sintomática e depois a intensidade dos sintomas vai diminuindo”.
• Sintomas de viroses
Respiratórias: São transmitidas por gotículas da boca e do nariz da pessoa doente. Essas gotículas podem ser expelidas diretamente para a boca ou o nariz da pessoa saudável ou ficarem sobre suas mãos ou objetos.
Sintomas: Obstrução nasal, dor de garganta, febre, tosse, falta de apetite, coriza, mal-estar.
Gastrointestinais: Além de serem transmitidas por gotículas da boca ou do nariz, podem ser transmitidas através do contato fecal-oral. Ou seja, mãos, objetos ou alimentos contaminados com fezes de uma pessoa infectada se tornam meios de transmissão da doença em contato com a boca.
Sintomas: Náusea, vômitos, dor abdominal, cólicas, diarreia, mal-estar, febre (às vezes).
Fonte: Ministério da Saúde