Abrilino Oliveira da Rosa: da produção ao conserto de calçados – NoroesteOnline.com

Abrilino Oliveira da Rosa: da produção ao conserto de calçados

1 de dezembro de 2021
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Produção: ID Ijuí – https://www.idijui.com.br/

Cheiro de borracha. De Cola. Rodeado de um maquinário valoroso e armários recheados de histórias. Sentado em sua cadeira, com um sorriso tímido estampado no rosto e mãos sábias sobrepostas em um calçado prestes a receber toda a sua atenção e dedicação. O IDijuí conta a história de Abrilino Oliveira da Rosa e a sua arte de meter as mãos onde os outros colocam os pés.

O ofício de sapateiro nasceu no instante em que o homem percebeu a necessidade de proteger seus pés. Sobrevivendo através de séculos, sendo transmitida de geração a geração, os sapateiros, além de consertar calçados, também tinham que fazê-los.

Atualmente, existe quem procure os artesãos, que fazem renascer algo que para nós parece estar muito velho ou acabado. E Abrilino é a história viva de todo esse processo, que foi da produção ao conserto de calçados.

Com 61 anos, casado com Cleuza Maria Tamiozzo da Rosa, os dois tiveram um filho, o Magnus. Abrilino conta que a sua relação com calçados iniciou aos 10 anos, na cidade de Santo Augusto, quando o seu padrinho o chamou para trabalhar e aprender a produzir alguns tipos de coturnos e botas.

Aos 15 anos, com mais experiência, Abrilino dominava a fabricação de calçados. ‘Quando a gente era criança levava mais na esportiva, mas depois ficou sério e comecei a ganhar dinheiro. Isso me incentivou”, disse ele.

Depois de receber todo o conhecimento possível do seu padrinho, Abrilino realizou um curso de modelagem e construiu uma fábrica de calçados, em Santo Augusto. “Eu tinha 35 funcionários. Fabricava para o catálogo Hermes e recebia pedidos de 45 mil pares”.

Com uma produção de 700 pares por dia, a sua fábrica também atendia lojas da região e de vários estados. Em relação ao faturamento, Abrilino não recorda, mas afirma que superava os rendimentos de grandes empresas, como a Cotrijuí.

Todavia, devido a problemas de entrega de um dos pedidos a empresa sofreu sérios prejuízos, que culminaram no seu encerramento, após 10 anos em atividade. “Uma vez deu uma enchente, onde os caminhões ficaram cinco dias e não passavam para Porto Alegre, que depois ia até o Rio de Janeiro. E como eles (cliente) queriam todo o dia mercadoria chegando, acabamos tendo um prejuízo grande”, lamenta.

“E se eu não pagasse em 24 horas, eu ia preso”.

Após o encerramento da empresa em Santo Augusto, Abrilino abriu uma fábrica menor em Três de Maio, empregando, na época, dez funcionários. Porém, alguns problemas judiciais da antiga empresa surgiram e não teve outra escolha a não ser fechar novamente.

Ainda afetado pelas dificuldades financeiras, Abrilino ousou e mudou de ramo abrindo uma loja de R$ 1,99, em Santo Ângelo. Entretanto, os problemas trabalhistas não cessaram e voltaram com mais força. “Me colocaram na justiça e estourou para eu pagar. Os imóveis tive que tirar do meu nome. Eu não tinha os documentos para comprovar os pagamentos dos funcionários de Santo Augusto. E se eu não pagasse em 24 horas, eu ia preso”, disse.

Precisando de dinheiro urgente, Abrilino teve que vender a sua recente loja de Santo Ângelo. “Uma loja montada, onde eu tinha um faturamento de mais ou menos uns 30 a 40 mil reais por mês. Tive que dar de presente a loja para poder pagar os funcionários. A empresa valia R$ 10 mil, por exemplo, e eu tive que vender por R$ 3 mil.

Depois dessas adversidades, o município de Ijuí se tornou o seu novo lar. “Depois de tudo isso, eu vim morar em Ijuí. Os meus irmãos já trabalhavam como sapateiros aqui. Então, acabei comprando novas máquinas e comecei sozinho”, ressalta Abrilino.

“Apesar de tudo que eu passei, eu não tenho o que me queixar. Eu me considero feliz, mesmo do jeito que estou aqui. É uma terapia o que eu faço. E faço com gosto”.

Com uma mudança radical. Da criação ao conserto de calçados. Abrilino abriu a Sapataria Oliveira Rosa, localizada na rua Floriano Peixoto nº 91, próxima a Livraria Centenária, na qual já está aproximadamente 10 anos em atividade.

Com 10 a 15 pedidos por dia, Abrilino destaca que o seu rendimento na sapataria é o suficiente para viver bem, contudo alguns clientes acabam levando o seu calçado para consertar e não voltando para retirá-lo. “Eu tenho muitas caixas cheias de sapatos esquecidos. E isso acaba gerando uma despesa. Não pelo material, mas sim, pelo tempo perdido”, comenta.

Questionado sobre amar o novo ofício, Abrilino afirma que continuará sendo sapateiro até quando der. “Apesar de tudo que eu passei, eu não tenho o que me queixar. Eu me considero feliz, mesmo do jeito que estou aqui. É uma terapia o que eu faço. E faço com gosto”.

Abrilino é um exemplo de superação. E a cada sola de sapato colada, a cada sandália costurada, a arte de consertar sapatos segue viva e seguirá até o último sapateiro descansar o seu calçado.

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