A COTRIJUÍ foi fundada em 20 de julho de 1957. Data histórica. A agricultura brasileira enfrentava grandes desafios. Faltavam locais para armazenagem. Faltavam incentivos para a produção de alimentos. Preocupados com a situação, um grupo de agricultores da região noroeste do Estado do Rio Grande do Sul passou a discutir meios de enfrentar as dificuldades, com reuniões na Casa Veterinária Elmers de Ijui.
Após vários encontros, numa tarde chuvosa, nas dependências do Clube Ijuí, em 20 de julho de 1957, ocorreu Assembleia histórica de fundação da Cooperativa Tritícola Serrana Ltda. Seu objetivo inicial era de “congregar os plantadores de trigo da região, para promover a defesa de seus interesses econômicos (…), e superar as dificuldades de comercialização da safra de trigo que vinha se avolumando de ano para ano”.
32 pessoas integraram as 23 primeiras matrículas do Livro n°1. Foram os pioneiros da COTRIJUI, portanto, fundadores da COOPERATIVA. O ato teve o apoio dos Governos Estadual e Federal, face interesse na organização dos produtores de trigo. Assim nascia a hoje denominada COTRIJUI – Cooperativa Agropecuária & Industrial.
Recém fundada, a Cooperativa já enfrentava seu primeiro desafio: organizar sua infraestrutura para receber a produção de seus associados, pois a fundação ocorreu quando as sementes de trigo já estavam plantadas.
A ata n°1 do Conselho de Administração, do dia 24 de julho de 1957, deu garantia “que se receberá o trigo da safra que se aproxima, que sem isso a Cooperativa não poderá cumprir com suas finalidades”.
No dia 01 de setembro de 1957, a Cooperativa contratava a construção do seu primeiro armazém: metálico, com 2.400 m² de área coberta, à oeste do leito da Viação Férrea em Ijuí. Os recursos provenientes da primeira integralização de capital e financiamentos conseguidos em bancos locais. Em 4 de dezembro de 1957 recebia suas primeiras cargas de trigo, naquele ano, 4.295 toneladas. Depositados ao lado da Estação Ferroviária de Ijuí, existente desde 1911.
O fato da Cooperativa ter conquistado a infraestrutura inicial em tempo hábil e atendido a demanda da safra, surtiu um efeito positivo e conquistou a confiança dos seus associados. Logo após a Fundação, a primeira sede da Cooperativa Tritícola Serrana funcionou em um prédio alugado, na Rua Tiradentes n° 404.
O quadro social da Cooperativa, que não ultrapassara 60 associados até o final de 1957, atingiria, menos de 10 anos depois, em 1964, a casa dos 2.400 sócios. Neste ano a Cooperativa passou a funcionar em sua primeira sede própria, na Rua José Hickembick s/n, posteriormente onde funcionou a reitoria da UNIJUI.
A expansão da COTRIJUI teve início em 1969, com a construção de um armazém graneleiro projetado pela própria Cooperativa na cidade de Santo Augusto. Em dezembro do mesmo ano, a Assembleia Geral aprovou a construção de um terminal portuário no Município de Rio Grande. O Terminal Graneleiro, pronto em 1972, levou o nome do seu idealizador: Terminal Graneleiro Luiz Fogliatto. Foi o impulsionador das exportações gaúchas de grãos na década de 1970, responsável pelo escoamento de 80% dos grãos produzidos no Estado. Pertence atualmente ao Grupo CCGL.
Em 1972, a COTRIJUI iniciou a construção de sua nova sede, junto ao complexo industrial e de armazéns graneleiros na rua das Chácaras e. Avenida Porto Alegre. A mudança para o novo escritório foi feita no dia 03 de dezembro de 1975. Nesta estrutura funciona a sede da Cooperativa até os dias atuais.
Em 1970 foi a vez da cidade de Tenente Portela receber a COTRIJUI; em 1973, novas Unidades em Jóia, Coronel Bicaco e Chiapetta; em 1975 era a vez de Ajuricaba e Augusto Pestana.
Em 1977, a incorporação das cooperativas Pedritense Agro-Pastoril de Dom Pedrito-RS, e Copermara de Maracaju-MS, alargam ainda mais as fronteiras da COTRIJUI. Em 1979 eram criadas as Regionais Dom Pedrito e Mato Grosso do Sul, esta última desincorporada em 1993. Esse complexo atendeu as demandas de mais de 19.500 cooperados e proporcionou mais de 3.000 empregos diretos.
Em 2003, após assinatura de um acordo comercial com a Cooperativa Agrícola Alegretense e a Cooperativa Assisense, a COTRIJUI estendeu seus serviços na região da campanha, passando a atuar nas cidades de Manoel Viana e São Francisco de Assis. Em 2004, ambas são incorporadas, passando São Francisco de Assis a constituir a mais recente Unidade da COTRIJUI. Posteriormente a 2007, passou a operar também nos municípios de Santiago, Capão do Cipó, Unistalda, no total de mais de 42 municípios.
A COTRIJUI diversificou suas atividades, ampliando suas ações através da agro industrialização, em especial na indústria de cereais, frigoríficos, fábrica de rações e moinho. Todas voltadas à agregação de valor ao produto primário, buscando assim o melhor atendimento aos associados. Seus integrantes eram chamados de “Família COTRIJUI”.
Ao longo do tempo, com dificuldades, vitorias e derrotas, preservou-se a história desta saga, de empreendedorismo. A entidade nunca mediu esforços para exercer sua vocação ao longo da história de produzir alimentos, na forma associativa de pessoas, possível pela visionária iniciativa dos pioneiros. Colocaram em prática os ideais do cooperativismo e deram forma à Cooperativa Agrícola e posteriormente também comercial e industrial.
Apesar de toda grandeza e importância no cenário regional e estadual, nem sempre teve o reconhecimento devido. Foram homens e mulheres investindo em si próprios, apostando na força da união conseguindo ultrapassar fronteiras para buscar mercado e reconhecimento à sua nobre missão.
Diversificação de culturas, plantio direto na palha, programas voltados à sustentabilidade priorizando o meio ambiente, verticalização da produção, irrigação de culturas, programas de Leite e Carne a Pasto e Agricultura de Resultados, dentre outros, foram ações que tornaram a nossa região conhecida e valorizada.
Até a vigência da Constituição Federal de 1988, a COTRIJUÍ era fiscalizada pelo INCRA, sendo neste período incorporadas as Cooperativas do Mato Grosso do Sul e Dom Pedrito.
Na Floresta Amazônica, a COTRIJUÍ também atuou, por solicitação do INCRA. Depois de inaugurada a Transamazônica, o Instituto de Colonização e Reforma Agrária implantou uma usina de açúcar em área derrubada da floresta. Dividiu lotes à sua volta para plantação de cana. O local escolhido foi um distrito da novo Município de Medicilândia, a 90 km de Altamira, Estado do Pará, principal município da região. Este nome homenageia Emílio Garrastazu Médici, o general-presidente responsável pela estrada que rasgou a mata.
A inauguração da usina do INCRA, em 1974, trouxe um prenúncio das dificuldades. Não era possível produzir açúcar em quantidade e qualidade suficientes. Com o tempo, a usina deslanchou. Em 1979, chegou a produzir 300 mil toneladas. Depois, porém, o teor de sacarose da cana foi caindo gradativamente. Recuperar o desempenho exigiria investimentos maciços em melhoramento genético das plantas e em fertilizantes, algo que o Incra estava cada vez menos disposto a bancar. A solução do governo foi chamar a COTRIJUÍ.
Com a moeda forte e a pujança da Cotrijui, a usina denominada Abraão Lincoln, podia voltar a crescer, como dizia, confiante, o chefe da moenda, funcionário desde a inauguração. Para a produção da cana era necessária viabilização do projeto de colonização de 400.000 hás de terras.
A Cotrijuí foi pioneira, também, com maior participação, nas Cooperativas Centrais de LEITE – CCGL, CCGTEL (Cooperativa Central Gaúcha de Telecomunicações). Foi impulsionadora da implantação da bacia leiteira na região pioneira, inclusive, com a importação de novilhas holandesas do Uruguai e repassadas a associados.
A CCGC – Cooperativa Central Gaúcha de Carnes, operava em Júlio de Castilhos. Com a sua extinção, a Cotrijui assumiu ativo e passivo dando inicio a atividades de forma como Cooperativa singular na área suinícola. Em seguida, deixou de operar em Julio de Castilhos, transferindo atividades, para São Luiz Gonzaga com a locação de um Frigorifico. Lança então a marca Tche e adquire o frigorífico.
Pioneira também na CCGH ( Cooperativa Central Gaúcha de hortigranjeiros) com entreposto junto ao CEASA em Porto Alegre.
Operou também na fabricação e distribuição de vacinas contra a febre aftosa, no IRFA (instituto RioGrandense contra febre aftosa) e COTRIDATA, empresa que operava na área de Processamento de Dados. Também a Transcooper Serviços de Transporte.
Na área da comunicação, lança o COTRIJORNAL, bem como programas de radio em cadeia de emissoras em sua área de ação.
Participação muito importante da COTRIJUÍ ocorreu na área da Saúde regional. O Sistema Único de Saúde (SUS) e suas bases doutrinárias foram geradas na 8ª Conferência Nacional de Saúde, em 1986, durante o processo de redemocratização do país e nas vésperas da realização da Constituinte de 1988. Portanto, as resoluções de 1986 embasaram na Constituição, as formulações do SUS, afinal regulamentado pela Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990.
Antes da criação do SUS, existia um sistema de saúde atendendo, no setor público, os pacientes com direito aos Institutos de Assistência, centralizados no antigo INAMPS. Então, quem não tivesse direito e acesso ao INAMPS, deverua ser atendido em outro sistema paralelo, na região bastante deficiente, principalmente com vistas a população do meio rural.
Diante de tantas dificuldades na área da saúde para o produtor rural, a COTRIJUI adquiriu prédios em Ijuí e Santo Augusto e administrou os hospitais Bom Pastor em Santo Augusto e Bom Pastor em Ijuí. Os hospitais Santa Libera de Jóia e Coronel Dico de Coronel Barros também foram administrados pela Cotrijui. Posteriormente ditos hospitais foram assumidos pela comunidade. O Hospital Bom Pastor de Ijuí opera até os dias atuais em prédio da Cotrijui em regime de comodato.
Atuou muito forte também na área de pesquisas de melhoramento de solo, de pastagens, da piscicultura, através do centro de Treinamento COTRIJUÍ – CTC em Augusto Pestana.
A COTRIJUI e seus associados, ativos ou inativos, pela sua crescente aceitação como defensora dos agropecuaristas, como pioneira em muitos aspectos do Cooperativismo, no seu próprio meio, no âmbito dos parceiros comerciais e na esfera pública, em todas as instâncias, municipais, estadual e federal, merecem uma nova união de esforços.
Constitui-se a Cotrijui numa das maiores cooperativas do ramo agropecuário não só no Rio Grande do Sul, mas também no Brasil e América Latina. Vive momentos de grande incerteza, com risco de extinção.
Foi grande geradora de tributos, criou milhares de empregos, formando um considerável número de profissionais nas mais diferentes áreas, Sua assistência técnica e acompanhamento comercial e de serviços a todos os produtores deixa um vazio expressivo e negativo ao desenvolvimento do Estado e até da União Federal.
O desmantelamento do conjunto de seu patrimônio não pode acontecer.
Ao completar seus 61 anos, neste 20 de Julho de 2018, pelo que significou e poderá significar, impõe-se a reunificação de esforços de toda a sociedade ijuiense e regional, assim como órgãos governamentais no sentido de evitar sua extinção.
Está na dependência de decisão do Poder Judiciário a continuidade das atividades da Cotrijui.
Ijuí, 20 de julho de 2018
ASSOCIAÇÃO DOS CREDORES, AMIGOS E INTERESSADOS NO SOERGUIMENTO DA COTRIJUÍ