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Brasil enfrenta desabastecimento de remédios contra a hanseníase

3 de fevereiro de 2021

Municípios de pelo menos 18 Estados brasileiros estão sem os remédios usados para tratar a hanseníase: uma combinação de três antibióticos chamados de poliquimioterapia ou PQT.

O dado foi divulgado pelo Morhan (Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase), que reuniu, nos últimos 15 dias, mais de cem relatos de pacientes que estão desde o segundo semestre de 2020 sem tratamento.

A OMS (Organização Mundial da Saúde) emitiu um alerta aos governos que dependem da importação da poliquimioterapia, caso do Brasil, em dezembro de 2019. Outros alertas e recomendações foram emitidas pela ONU (Organização das Nações Unidas) diretamente ao governo brasileiro desde então. Segundo a ONU, o Ministério da Saúde apenas tem respondido que cuida do caso.

As entidades nacionais ligadas à hanseníase também têm se mobilizado para pressionar o Ministério da Saúde há mais de seis meses. Em agosto, tanto o Morhan quanto a SBH (Sociedade Brasileira de Hansenologia) realizaram audiência com o MPF (Ministério Público Federal) para relatar a crise.

“Começamos a receber tanta denúncia de pessoas com o tratamento interrompido que abrimos um formulário on-line para receber os relatos. No dia 27 de janeiro, lançamos uma petição para pressionar o governo mais uma vez”, explicou o coordenador do Morhan, Artur Custodio.

Mais de 40 mil brasileiros realizam tratamento contra a hanseníase e dependem desses remédios, segundo dados do Ministério da Saúde.

Os sintomas da doença aparecem, principalmente, nas extremidades das mãos e dos pés, no rosto, orelhas, nádegas, costas e pernas. São manchas esbranquiçadas, amarronzadas ou avermelhadas, com perda de sensibilidade ao calor, ao toque e à dor.

Fonte: O Sul

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