Diversificação na produção é defendida em ações de Segurança Alimentar – NoroesteOnline.com

Diversificação na produção é defendida em ações de Segurança Alimentar

10 de dezembro de 2022
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A segurança alimentar e nutricional consiste na realização do direito de todos ao acesso regular e permanente a alimentos de qualidade, em quantidade suficiente, sem comprometer o atendimento de outras necessidades essenciais, tendo como base práticas alimentares promotoras de saúde que respeitem a diversidade cultural e que sejam ambiental, cultural, econômica e socialmente sustentáveis. Nessa perspectiva, são realizadas pela Emater/RS-Ascar ações de Assistência Técnica e Extensão Rural e Social (Aters) na área de Segurança Alimentar com 2.932 famílias assistidas nos 32 municípios de abrangência do Escritório Regional de Erechim. As ações envolvem práticas como a produção para o autoconsumo com base ecológica e convencional, educação alimentar, educação alimentar nas escolas, capacitação para merendeiras e intercâmbio de sementes e mudas crioulas.

As produtoras rurais Nilce Teresinha Mesadre Centofante, Marinês Rosa Roncaglio e Lurdes Zoculotto, do município de Charrua, estão entre os diversos exemplos no foco de segurança alimentar, visando resgatar a cultura alimentar local, reconhecer a culinária local como importante traço da identidade cultural da região, valorizando os alimentos regionais produzidos na propriedade e processados no domicílio, bem como diversificar a produção de alimentos.

Feira do produtor
Em um município essencialmente agrícola, com população estimada 3.228 pessoas (IBGE/2021), em que o alimento é produzido nas pequenas propriedades, exemplos mostram que é possível produzir para além do próprio consumo. A produtora Nilce Mesadre é um desses exemplos. Há cinco anos ela comercializa a produção na feira do produtor, realizada uma vez por semana, na sede do Sindicato dos Trabalhadores Rurais. Na feira, considerada um exemplo de diversificação de produção, são comercializadas hortaliças, como alface, couve, couve-flor, brócolis, ervilha, cenoura, pepino, repolho, sal temperado e elaboradas chimias. “Este trabalho também é uma terapia”, avalia.

Diversidade nas propriedades
Outro exemplo na diversidade na produção está na propriedade de Marinês Roncaglio. Além de consumo da fruta in natura e da venda na propriedade, frutas, como morango e pêssego, rendem geleias, doces, compotas, sucos e licor. “Tudo produzido sem agrotóxicos e feito com muito amor e dedicação”, destaca a produtora. A maior parte da produção está voltada para tomates e morangos. Com mais de mil pés de tomates, Marinês cultiva seis variedades, sendo uma específica para produção de geleia, como a geleia de tomate com pimenta. A produtora destaca a importância de aproveitar os alimentos. “Desperdiçar seria um pecado. Aprendi muito com a minha mãe a aproveitar os alimentos”, diz, ao destacar que a produção é comercializada na propriedade e por encomenda.

“Na produção tivemos o apoio da Emater, que nos orientou com as receitas e nos demais processos”, explica. “Um cuidado muito importante é com a higienização do material e com o envasamento”, complementa, ao afirmar que seu sonho é ter uma agroindústria. Marinês e o marido Adir conduzem a propriedade pensando na sucessão familiar do único neto, o Miguel.

Para a extensionista do Escritório Municipal de Charrua, Roseli Bonesso, é gratificando ver a produtora Marinês se empenhando e colocando em prática todos os procedimentos e técnicas repassados, como higienização, esterilização e pasteurização. A ideia do trabalho é contribuir com as famílias assessoradas para que possam transformar e processar o excedente e garantir renda extra. Roseli destaca a importância da participação nos cursos oferecidos pela Emater/RS-Ascar, ministrados no Centro de Treinamento de Agricultores (Cetre), e nas oficinas.

Sementes de feijão para saladas
Quem vê a produtora Lurdes Zoculotto, de 77 anos, trabalhando na propriedade, com uma produção tão diversificada, fica encantado com o exemplo de diversificação. São muitos anos de trabalho e dedicação. “Sempre trabalhei na roça”, lembra. São cultivadas frutas como pêssego, uva, figo, pera e ameixa, e hortaliças como couve-flor e repolho, dentre outras. As frutas também são usadas na elaboração de compotas e chimias. “Me sinto bem produzindo”, disse ao observar que também conta com a ajuda da nora e da mãe da nora.

No cultivo de feijão, dona Lurdes planta nove variedades de sementes, além de feijão-vagem, que são usadas no preparo de saladas. A produção é para consumo próprio e para venda. Ela aconselha a plantar para diversificar.

Profissional do Futuro Unijuí

3 de julho de 2026
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