A quarta greve geral contra a política econômica do governo de Mauricio Macri, convocada pela principal central sindical da Argentina, paralisa transportes e serviços nesta terça-feira (25) no país. A greve foi convocada no momento em que Macri está em Nova York para participar da Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas) e se reunir com investidores para tentar transmitir confiança.
Pelo menos 15 milhões de pessoas são afetadas pela paralisação, que atiginge o funcionamento de ônibus, metrô e trens. Desde o final da tarde de segunda-feira (24), as seis linhas do metrô de Buenos Aires estavam completamente paralisadas. Elas não funcionam até esta quarta-feira (26).
Nos aeroportos, empresas como Aerolíneas Argentinas e Latam anunciaram o cancelamento de todos seus voos domésticos, sugerindo aos clientes que reprogramem suas viagens. Foram canceladas nesta terça pelo menos quatro decolagens com destino a São Paulo e três ao Rio de Janeiro, além de dois voos que partiriam de Porto Alegre e um de Curitiba.
Não há transporte de caminhões, bancos, comércios, escolas, universidades e repartições públicas foram fechadas. Nos hospitais públicos, funcionam os serviços mínimos para emergências. Os serviços de coleta de lixo e postos de combustíveis também são afetados pela paralisação.
A greve, promovida pela CGT (Confederação Geral do Trabalho), visa protestar contra os ajustes do governo em meio à crise que afeta o país pela desvalorização abrupta do peso argentino registrada desde o final de abril, a alta inflação (que deve superar 40% em 2018) e a queda da atividade econômica. Os líderes sindicais exigem reposição salarial e também rejeitam o acordo com o FMI (Fundo Monetário Internacional).
As greves anteriores de 24 horas promovidas contra o atual governo por parte da CGT aconteceram em abril e dezembro de 2017 e no final de junho de 2018. O presidente argentino reiterou que este não é “um momento oportuno” para fazer uma nova greve, que segundo as estimativas terá um custo econômico de aproximadamente 31,6 bilhões de pesos argentinos (US$ 847,16 milhões), o equivalente a 0,2% do PIB (Produto Interno Bruto).
A expectativa é de que até sexta-feira (28) haja o anúncio de um novo acordo financeiro com o FMI. Em entrevista para a Bloomberg TV na segunda-feira, Macri disse que o país estava perto de atingir um acordo final com o FMI e que havia “chance zero” de que a Argentina daria default em sua dívida externa no próximo ano.