Há 35 anos nascia primeiro bebê de proveta do Brasil – NoroesteOnline.com

Há 35 anos nascia primeiro bebê de proveta do Brasil

8 de outubro de 2019
Compartilhar
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  

A paranaense Anna Paula Caldeira é um marco na ciência brasileira que já ultrapassou três décadas. Anna Paula foi o primeiro bebê de proveta do país e seu nascimento, no dia 7 de outubro de 1984, abriu caminho para o desenvolvimento de técnicas cada vez mais avançadas de reprodução assistida. As informações são do jornal O Globo.

A mãe da jovem, a administradora Ilza Caldeira, já tinha cinco filhos quando procurou o médico Milton Nakamura, em São Paulo, indicada por sua ginecologista. Casada pela segunda vez, ela queria ter um bebê com o novo marido, mas havia perdido as trompas por causa de uma peritonite. A administradora não fazia ideia do que era inseminação artificial.

Quando a minha médica me falou de bebê de proveta, brinquei que aquilo era coisa para o ano 2000. Eu nem era a paciente ideal para testar o novo método, já tinha 36 anos. Só foram me contar que eu era a primeira mulher grávida por fertilização in vitro no Brasil quando já estava com dois meses de gestação” lembra Ilza.

A gravidez transcorreu normalmente, tanto que Ilza trabalhou até dois dias antes do parto, uma cesariana, feita em Curitiba. Anna Paula veio ao mundo apenas seis anos após a inglesa Louise Brown, a primeira criança no mundo a ser concebida em laboratório. Seu nascimento foi o resultado de 13 anos de pesquisas da equipe de Nakamura, morto em 1997.

Primeiro bebê de proveta do mundo

Desde os primórdios da Humanidade, a reprodução humana não sofrera transformações – o ato sexual era etapa imprescindível. Pois deixou de ser no dia 25 de julho de 1978, quando Louise Brown nasceu de cesariana no Hospital de Oldham, cidade industrial no noroeste da Inglaterra. Louise, de 2,608 quilos, era o primeiro bebê de proveta do mundo. Seu nascimento dava esperança a milhões de mulheres estéreis e apontava numerosos desdobramentos para a medicina genética.

O ginecologista Patrick Steptoe e o fisiologista Robert Edwards já vinham fazendo experiências com reprodução em laboratório havia 12 anos, quando foram procurados pelo motorista de caminhão John Brown e pela mulher Lesley, estéril devido a um bloqueio nas trompas de Falópio e que tentava há mais de nove anos ser mãe. Os médicos aplicaram os procedimentos em que vinham trabalhando: a paciente recebeu hormônios para que ovulasse no momento adequado, quando, então, teve o óvulo retirado. Este foi fecundado em laboratório, com um espermatozoide do marido, e alguns dias depois implantado no útero, onde continuou a se desenvolver. Steptoe e Edwards haviam feito o mesmo procedimento mais de 200 vezes, fracassando sempre. Daquela vez seria diferente. O feto resistiu e cresceu normalmente no útero de Lesley.

O êxito da gestação provocou debates envolvendo questões religiosas, éticas e morais. Muitos temiam que a nova técnica pudesse ser a concretização do sonho nazista de uma raça superior, geneticamente controlada. Outros, a possibilidade de se criar crianças defeituosas. Previram-se, ainda, os clones, concebidos diretamente a partir das células de alguém.

Vestibular de Medicina UNIJUÍ 2020

29 de novembro de 2019
Copyrights 2018 ® - Todos os direitos reservados
Skip to content