Museu: a história de uma Árvore Genealógica – NoroesteOnline.com

Museu: a história de uma Árvore Genealógica

8 de dezembro de 2018
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Família que pesquisa unida, permanece unida. Daiane Bender e Lorena Wüst, mãe e filha, chegaram no Museu Antropológico Diretor Pestana com o objetivo de montar a árvore genealógica sobre a sua família realizando pesquisas na Genealogia, uma subclasse do Arquivo Ijuí preservado pelo MADP.

Neste dia 08 de dezembro é comemorado o dia da família, conheça a trajetória de mãe e filha para desvendar a história de um bisavô solteirão, quieto e tímido. Leia o relato de Lorena Wüst:

“Fazer pesquisas de uma geração inteira não é nada fácil. Imagina, então, de várias gerações, cada uma mais antiga que a outra. Esse é o árduo trabalho para se montar uma árvore genealógica. Seguir as pistas, supor teorias e buscar as provas de onde moravam, o que faziam, porque se mudavam tanto, onde cada um dos filhos foi morar e constituir sua própria família… e assim por diante.

Por exemplo: só descobri o registro de nascimento do meu bisavô na Suíça porque uma das primas mais velhas da minha mãe que lembrava dele deixou escapar que ele era um “solteirão quieto e tímido quando veio para cá”. Essa informação comportamental poderia ser insignificante para ela, mas para nós foi o que juntou todos os pontos da história.

Até então procurávamos o nascimento dele no Brasil, porque sabíamos que a família veio inteira (mãe, pai e todos os filhos nascidos na Alemanha) por volta de 1880. E o casal não tinha nenhum filho com o nome de Gottfried, logo, ele teria nascido no Brasil.

Achamos seu registro de casamento com minha bisavó em 1916. Ela tinha 20 anos e ele não apresentou documento algum. Quando essa prima da minha mãe disse isso percebemos que a família toda veio e o deixou para trás, porque ele simplesmente já era adulto. Era muito mais velho que minha bisavó, deveriam ter uns 20 anos de diferença de idade.

Não era normal naquela época casamentos assim, de homens “quarentões” com mocinhas que ainda eram menores de idade, por isso, tínhamos descartado essa possibilidade e procurávamos incansavelmente o nascimento dele no Brasil nos anos de 1890 em diante, pois fazia mais sentido.

Descobrir essa peculiaridade de comportamento nos fez imaginá-lo como se o conhecêssemos. Tentamos imaginar que ele tinha um modo diferente de pensar, de ver o mundo, as coisas, de sentir, de se expressar e que decidiu ficar sozinho na Alemanha quando toda a família partiu e só decidiu vir muito tempo depois. Isso nos fez levar em conta essa possibilidade e…. Pimba!

Estava lá o tempo todo o registro do seu nascimento. No ano de 1876, na Suíça.

Essa foi uma das descobertas mais importantes dessa viagem que fiz com minha mãe do dia 06/07/2018 à 18/07/2018 pelas cidades do Rio Grande do Sul onde eles passaram.

Em Ijuí infelizmente não conseguimos muita coisa porque os livros da Igreja Luterana foram confiscados e destruídos durante a ditadura militar. Os cemitérios estavam praticamente todos destruídos. Anos e anos sem o devido respeito e cuidado por parte do governo municipal, sem contar a ação de vândalos, que parece estar fora de controle nesta cidade, tornaram impossíveis a verificação de túmulos importantes para nossa pesquisa.

O apoio e a dedicação do Museu Antropológico Diretor Pestana foi, sem dúvidas, fantástico! Todos estavam muito animados e não mediram esforços para ajudar, trazendo mais materiais do que aqueles que solicitei. Infelizmente só tinha o censo do ano de 1896, e não era o que precisávamos. Com isso gostaria de ressaltar à comunidade a importância de levar ao Museu informações, fotos e documentos antigos que às vezes estão em sótãos ou baús esquecidos. Esse é o lugar onde esses objetos permanecem vivos e contando a sua história. É lá que as futuras gerações vão descobrir quem fomos eu e você em tempos remotos”.

Pós-Graduação Unijuí

3 de dezembro de 2018
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