Nunca se escreveu tanto, tão errado e se interpretou tão mal – NoroesteOnline.com

Nunca se escreveu tanto, tão errado e se interpretou tão mal

9 de agosto de 2018
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Nunca se escreveu tanto, tão errado e se interpretou tão mal. Quem afirma é Otávio Pinheiro, fundador da Redação Online, plataforma que viabiliza correções de redações preparatórias para o Enem e outros concursos. A opinião foi dada recentemente em um artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo.

Segundo Pinheiro, que também é historiador e cientista político, os dados de leitura, escrita e interpretação do Brasil ajudam a entender a origem do problema.

Em 2016, dos 70 países avaliados pelo Pisa (Programa Internacional de Avalição de Alunos), o Brasil ficou na posição 59 em termos de leitura e interpretação. Não é de se admirar, portanto, que 537 mil alunos tenham zerado a redação do Enem no ano de 2014 – o que significa 10% dos 6 milhões de participantes. Já em 2017, 309 mil redações tiveram nota zero. Apenas 53 alcançaram nota máxima.

E o problema se reflete nas universidades, de acordo com o fundador da Redação Online. Ele cita a pesquisa Indicador de Alfabetismo Funcional, conduzida pelo Instituto Paulo Montenegro em parceria com a ONG Ação Educativa. Nela, 22% dos universitários aparecem com plena condição de compreender e se expressar – que ficam no chamado nível proficiente, o maior estágio de alfabetismo.

A mesma pesquisa aponta que 4% dos brasileiros que chegam à universidade estão no grupo de analfabetos funcionais. São pessoas capazes de compreender minimamente letras e números, mas que não desenvolvem habilidade de interpretação de textos ou de operações matemáticas.

Para Pinheiro, dados como esses ratificam a urgência de se colocar a escrita, a leitura, a interpretação e a comunicação como bandeira em todos os níveis da sociedade. São estímulos, referências e políticas de Estado que deem prioridade a estes aspectos educacionais – desde que de forma integrada.

“É preciso que os processos de recrutamento das empresas deem mais valor para atividades que incluam o texto como avaliação. E também contar com os negócios de impacto social focados em educação para endereçarem soluções viáveis.”, acrescenta ele na Folha de S. Paulo. “Saber ler e interpretar é questão de sobrevivência.”

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