A Polícia Civil deflagrou na manhã desta terça-feira a Operação Andróid, com o objetivo de desarticular ações oriundas do tráfico de drogas e crimes que eram comandados do interior de casas prisionais. Estão sendo cumpridas 104 ordens judiciais, sendo 43 mandados de prisão e 61 mandados de busca e apreensão domiciliar. As ações acontecem nas cidades de Santo Augusto, Coronel Bicaco, Redentora, Campo Novo, Tenente Portela, Três Passos, Crissiumal, Independência, São José do Inhacorá, Três de Maio, Ijuí, Palmeira das Missões, Passo Fundo, Carazinho, Lagoa Vermelha, Lajeado, Dois Irmãos, Campo Bom, Montenegro, Novo Hamburgo, Charqueadas e Santiago, e na região de Florianópolis (SC). Até as 8h, 45 pessoas já haviam sido presas pela Polícia Civil.
A investigação se deu através de uma Força-Tarefa que se desenvolveu a partir da Delegacia de Polícia Regional de Três Passos e que foi concebida em toda a Região Celeiro. A ação está sendo executada por aproximadamente 200 policiais civis, com o apoio integrado de 100 policiais militares e dez policiais rodoviários federais, e emprego de mais de 100 viaturas e o helicóptero da Polícia Civil.
Durante as investigações foi apurado que traficantes líderes comandavam, de dentro dos presídios, e gerenciaram comparsas controlando desde o transporte de drogas, fracionamento, entrega a gerentes regionais e locais, até alcançar as vendas a usuários. Pré-determinados gerentes regionais eram responsáveis por recepcionar e distribuir a gerentes locais em cada cidade da Região Celeiro as drogas oriundas da Região do Vale dos Sinos.
Em cada cidade, controlados de forma rígida de dentro de presídios, traficantes locais fizeram funcionar “bocas de fumo” de propriedade desses líderes, revendendo as drogas a usuários. O fenômeno, novo na região, foi marcado por intensa disputa de territórios de tráfico e “ajustes de contas” entre traficantes, em que a violência e intimidação empregada acabaram culminando, inclusive, em homicídios tentados e consumados entre traficantes, ceifando vida até mesmo de cidadão inocente.
O nome “Andróid” dado à operação se relaciona ao trabalho de inteligência de dados que resultaram em prisões e ações operacionais ao longo das investigações.