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Soja apresenta condições diferentes conforme a região do Estado

17 de janeiro de 2023

A cultura da soja ainda está em implantação no RS. Conforme o Informativo Conjuntural produzido e divulgado na quinta, 12, pela Emater/RS-Ascar, a evolução da semeadura, que aconteceu em pequenas áreas onde ainda havia umidade das chuvas mais volumosas, não alterou a proporção estadual, mantida em 96% implantados. A área projetada para a safra 2022/2023 é de 6.568.607 hectares. A produtividade estimada é de 3.131 kg/ha.

Cerca de 80% das lavouras se encontram em desenvolvimento vegetativo, que ocorre de maneira irregular e desuniforme pela variação dos teores de umidade nos solos. Onde o déficit hídrico é mais grave, as lavouras apresentam menor porte, encurtamento dos entrenós, amarelecimento dos primeiros trifólios e até morte de plantas, principalmente nas bordas das lavouras e em topografia de solos rasos. Em lavouras em que ocorreram precipitações, onde há maior volume de palha residual de culturas anteriores, localizadas em solos profundos ou em várzeas, o dossel das plantas encobre as entrelinhas, e o estado geral das lavouras é mais próximo da normalidade.

As lavouras em floração alcançam 19%, com aumento da emissão dos botões florais, tornando-as mais sensíveis ao estresse hídrico. A reposição de umidade é urgente para não ocorrer o abortamento floral. As perdas de produtividade já são apontadas e são distintas entre as regiões, dependendo da distribuição e dos volumes irregulares das chuvas. Avalia-se uma redução na produtividade nas regiões administrativas da Emater/RS-Ascar de Bagé, Ijuí, Pelotas e Santa Maria. Nas outras regiões administrativas os danos não são significativos até o momento. No entanto, há necessidade de cautela com essas estimativas, pois podem ser revertidas, dependendo da capacidade de recuperação da cultura, ou ainda aumentar, caso se prolongue o período seco.

A principal prática de manejo consiste no controle de ervas daninhas de modo a evitar a competição por água e nutrientes. O monitoramento de pragas é voltado principalmente para ácaros, insetos beneficiados por condições de clima seco e quente. É crescente o número de produtores que estão adotando a pulverização com drones, seja adquirindo o equipamento, seja contratando as empresas que prestam o serviço. Como as pulverizações são realizadas com baixo volume de calda por hectare, recomenda-se atenção para as condições de temperatura e umidade relativa para evitar perdas das gotas por evaporação. O mesmo cuidado deve ser tomado para as aplicações com baixo volume, realizadas por pulverizadores de barras tratorizados ou autopropelidos.

CULTURAS DE VERÃO

Milho – A área estimada de cultivo para a safra 2022/2023 é de 831.786 hectares. A produtividade estimada inicialmente é de 7.337 kg/ha. A semeadura evoluiu 1%, e a operação ocorreu em pequenas áreas onde houve chuvas pontuais e em áreas em sucessão ao tabaco. A área semeada alcançou 93% da projetada inicialmente.

As lavouras tiveram a situação de danos agravada com a continuidade do fenômeno La Niña, com insuficiência de chuvas e altas temperaturas na maior parte das regiões do Estado. De modo geral, as perdas são maiores no Centro e Oeste do Estado. As regiões administrativas da Emater/RS-Ascar mais afetadas são: a de Santa Maria, com perdas estimadas em até 50%; a de Frederico Westphalen, 45%; as de Bagé, Ijuí e Santa Rosa, superiores a 30%; as de Erechim e Pelotas, 20%; e as regionais de Lajeado, Soledade e Passo Fundo apresentam redução de rendimento entre 3% e 9%. As de Caxias do Sul e Porto Alegre não foram afetadas. Outra particularidade nas perdas é que a distribuição irregular das chuvas provocou diferentes resultados em lavouras, até dentro de um mesmo município. As perdas são menores onde houve uma eventual ocorrência de chuvas em volumes significativos e maiores na ausência ou onde ocorreu pequeno índice pluviométrico. Em termos de época de semeadura, as menos afetadas foram as implantadas no cedo, antes do mês de agosto. As plantadas posteriormente apresentam maiores danos, pois os períodos de florescimento e enchimento de grãos coincidiram com períodos críticos de ausência de umidade e altas temperaturas.

Em termos fitossanitários, permanecem os manejos de controle de plantas invasoras, e as pragas – lagarta do cartucho e cigarrinha do milho –, mas estão sendo monitoradas e controladas quimicamente quando necessário.

Milho silagem – O cultivo apresenta 15% das lavouras em desenvolvimento vegetativo; em floração são 15%; em enchimento de grãos, 22%; prontos para o corte, 18%; e foram colhidos 30%.
A insuficiência de chuvas também afeta a produtividade. A maior expectativa de redução acontece nas regiões administrativas da Emater/RS-Ascar de Ijuí e Santa Maria, com 45%; segue nas regionais de Frederico Westphalen e Santa Rosa, com expectativa de quebra pouco superior a 30%. Nas de Erechim e Pelotas, cerca de 25%, e na de Soledade, exatos 15%. Na de Caxias do Sul, não há redução, e nas de Bagé, Lajeado, Passo Fundo e Porto Alegre o decréscimo é estimado em aproximadamente 5%.

Há também perdas na qualidade da massa vegetal a ser conservada, pois a massa vegetal a ser ensilada apresenta-se mais seca e fibrosa e com menor proporção de grãos em sua composição.
A área estimada de cultivo de milho silagem é de 365.467 hectares e a produtividade esperada inicialmente é de 37.857 kg/ha.

Arroz – A área estimada de arroz pelo IRGA é de 862.498 hectares. A produtividade projetada é de 8.226 kg/ha.

As lavouras estão com 82% em desenvolvimento vegetativo, 15% em floração, e 3% já iniciaram a formação dos grãos.

O tempo seco e ensolarado permaneceu favorecendo o desenvolvimento e a sanidade das lavouras onde há volume de água suficiente para manter a lâmina inundada de irrigação.

Onde o regime de chuvas nos meses de verão não foi suficiente para a manutenção de mananciais e dos reservatórios, já aparecem efeitos nos cultivos, com abandono de algumas lavouras, mudanças no método de irrigação em outras e perdas na produtividade.

O período foi de tratos culturais. Os rizicultores seguem realizando as adubações em cobertura e manejo d’água nas lavouras.

Feijão 1ª safra – A cultura tem fases de desenvolvimento distintas em função da época de semeadura. Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Caxias do Sul, maior produtora da leguminosa, as lavouras são semeadas mais tardiamente, após os períodos mais frios, e estão em sua totalidade em desenvolvimento vegetativo. Nas demais regiões, a colheita já está sendo efetuada e aproxima-se da finalização na regional de Santa Rosa (90%); está bastante adiantada na de Frederico Westphalen (72%); nas de Ijuí, Lajeado, Porto Alegre, Santa Maria
e Soledade, foram colhidos em torno de 50%; nas de Erechim e Passo Fundo, a colheita não ultrapassa 20%.

A diminuição do volume de chuvas em decorrência do fenômeno La Niña também afeta os rendimentos de forma variável. As regiões mais atingidas são as de Santa Maria e Pelotas, com expectativa de redução de produtividade entre 30% e 40%. Em uma segunda faixa, entre 10% e 20%, estão as de Frederico Westphalen, Ijuí e Santa Rosa. As perdas situam-se entre 5% e 10% nas de Erechim e Soledade. Nas demais, não há diminuição na produtividade até o momento. A área projetada de feijão 1ª safra é de 30.561 hectares. A produtividade estimada inicialmente é de 1.701 kg/ha.

FRUTÍCOLAS
Mirtilo – Na regional de Caxias do Sul, a colheita de mirtilo está em andamento e deve se estender até o final do mês de janeiro. As condições climáticas não foram as ideais para o desenvolvimento da cultura na atual safra, pois houve temperaturas baixas e geadas durante a floração e início da frutificação (outubro e novembro/2022) e, na sequência, um déficit no regime pluviométrico. No entanto, como praticamente todos os pomares são irrigados, as perdas na produção foram causadas principalmente pela ocorrência de geadas. Na região dos Campos de Cima da Serra, as perdas foram estimadas em 50% da produção esperada. Em relação à qualidade, as frutas apresentam bons calibre e qualidade. O principal destino da produção é para mercado de frutas frescas. O preço pago ao produtor que entrega para o embalador está entre R$ 20,00 e 25,00/kg. A fruta encaminhada para a indústria de congelados é comercializada a R$12,00 e 15,00/Kg.

Framboesa – Na regional de Caxias do Sul, a colheita da framboesa em hastes novas está em andamento, e foi encerrada a colheita nas hastes velhas, que já foram eliminadas. Assim como para amora, as condições climáticas não foram as ideais para o desenvolvimento da cultura na atual safra devido às temperaturas e à falta de chuvas. As perdas em produção na colheita das hastes velhas foram estimadas em 20% do esperado. Em relação à qualidade, como os pomares são irrigados, há menos problemas com calibre. Porém, devido à alta incidência de mosca-das-frutas (Anastrepha fraterculus e Drosophila suzukii), os produtores que não fizeram o manejo adequado para o controle dessas pragas estão colhendo frutas com presença de larva, o que deprecia o produto. O principal destino das frutas é a indústria de congelados. A comercialização ocorre de forma regular, o preço pago aos produtores está entre R$ 15,00 e R$ 20,00/kg. A fruta fresca foi pouco comercializada, o preço pago ao produtor ficou entre R$ 35,00 e R$ 40,00/Kg.

BOVINOCULTURA DE LEITE
Na maior parte do Estado, a estiagem está causando prejuízos diretos na produção de leite. Vários fatores estão contribuindo para a queda de produtividade, como a redução da oferta de forragens e o estresse térmico, prejudicando o bem-estar das matrizes, além da falta de água nos açudes e bebedouros para dessedentação dos animais.

As temperaturas ambientais elevadas têm aumentado a necessidade de sombra e de água para os animais a fim de evitar o estresse calórico e consequentemente as perdas produtivas e reprodutivas do rebanho.

Apesar de não haver registro de queda significativa no preço do leite, a margem de lucro do produtor segue baixa devido à necessidade cada vez maior do uso de alimentos conservados.

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