No 1º dia, Conferência Estadual de Saúde Mental defende o cuidado em liberdade e o controle social – NoroesteOnline.com

No 1º dia, Conferência Estadual de Saúde Mental defende o cuidado em liberdade e o controle social

8 de abril de 2022
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O primeiro dia de discussões na 4ª Conferência Estadual de Saúde Mental (Cesm),  nesta-sexta (8), reforçou a bandeira do cuidado em liberdade. O tema esteve presente não só no lema do evento, “Política de saúde mental como direito: pela defesa do cuidado e liberdade rumo a avanços e garantias do serviço da atenção psicossocial no SUS”, como entre todos os participantes que falaram na abertura.

Realizado online, o evento reúne até domingo (10) 700 delegados, que representam 126 municípios gaúchos, atuando em ambiente virtual nas discussões e durante as votações. O público em geral pode acompanhar a programação no canal no YouTube e nas outras redes sociais do Conselho Estadual de Saúde. Confira a programação completa.

“O cuidado em liberdade é o nosso compromisso”, disse a secretária da Saúde, Arita Bergmann, vice-presidente da conferência, na abertura. Ela lembrou que 35 ex-pacientes do Hospital Psiquiátrico São Pedro já foram desinstitucionalizados na atual gestão, passando a viver em residenciais, restando apenas 16 na instituição, e que ainda no primeiro semestre o processo começa no Hospital Colônia Itapuã (HCI). “Os usuários, junto com os funcionários, montaram as casas. Isso é vida”.

 

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Ao lado da secretária adjunta, Ana Costa, a secretária da Saúde fala na abertura do evento – Foto: Divulgação/ SES

 

Depois da apresentação da secretária, foi exibido um vídeo com o depoimento de Heloísa Monteiro Baraci, ex-paciente que passou dos 7 aos 49 anos internada no Hospital São Pedro e foi uma das primeiras beneficiadas pela desinstitucionalização, indo morar em um residencial. “Comecei a minha vitória na casa de passagem”, ela diz. “Aprendi a ler, a escrever, a cozinhar, a fazer compras… Hoje eu pego ônibus, tenho uma vida”.

A coordenadora geral do evento, Maria Conceição Abreu, homenageou a Associação Construção, que fez o desenho da piracema, símbolo da conferência este ano. “Se vocês olharem a imagem, os peixinhos viram aves e sabem voando. É essa imagem que eu trago  para a conferência, o tempo do defeso. O momento em que vamos nos transformar para produzir mais vida, garantir e multiplicar os serviços dos cuidados em liberdade”.

Desafios e vitórias

Já Flavio Resmini, coordenador de Saúde Mental de São Lourenço do Sul, ressaltou iniciativas recentes contra a desinstitucionalização. “ A nossa legislação está sendo desrespeitada. Precisamos fortalecer todos os nossos eixos com a garantia que o SUS nos dá”, defendeu. “O que fazemos se chama SUS. O SUS mental garantiu o cuidado em liberdade e que possamos ver o quanto as pessoas que estavam, socadas dentro de manicômios puderam ter vida”.

 

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Flavio Resmini alertou sobre iniciativas recentes contra a política de desinstitucionalização – Foto: Reprodução/ SES

 

“O desafio é escutar os usuários”, ponderou Sandra Fagundes, primeira palestrante do dia. Ela defendeu que a preocupação com a sustentabilidade seja agregada aos temas de saúde mental. “A maior crise que estamos vivendo está relacionada com o problema ecológico. “Precisamos abrir mais CAPs, mas por que não incluir, além de acessibilidade, a sustentabilidade? Como vai ser a produção do lixo? Os alimentos vão ser comprados de quem?”.

A educadora Veridiana Machado, da Secretaria Municipal de Saúde de Porto Alegre, citou o trabalho com a população de rua como exemplo de que os usuários precisam ter a autonomia respeitada. “Precisamos nos unir com as pessoas que atendemos, olhando para elas em seu potencial”. Ao encerrar a fala, ela citou o escritor português valter hugo mãe: “Inventar algo de bom é melhor do que aceitarmos como definitva uma realidade má”.

Presidente do Cosems (Conselho das Secretarias Municipais de Saúde do Rio Grande do Sul), Guilherme Ribas, também secretário de Saúde de Santa Maria, lembrou, que, apesar das dificuldades devido à covid, 200 municípios realizaram conferências locais de saúde mental.

“Eu, como gestor de Santa Maria, busco sempre acompanhar as discussões sobre saúde mental”, disse. “Nestes dois anos de pandemia, tivermos dificuldade de manter os grupos e de metodologia, mas os conselheiros sempre buscaram estratégias para avançar com os usuários. Vamos buscar fortalecer esta pauta para que a conferência tenha frutos importantes”.

Profissional do Futuro Unijuí

3 de julho de 2026
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