A Ponte Ferroviária do Itaí: o aço que atravessou o tempo – NoroesteOnline.com

A Ponte Ferroviária do Itaí: o aço que atravessou o tempo

19 de outubro de 2025
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No coração de Ijuí, cruzando o Rio Ijuí no Distrito do Itaí, ergue-se uma estrutura que desafia o esquecimento: a Ponte Ferroviária do Itaí, concluída em 1914, símbolo de uma era em que o progresso era medido pelo eco do ferro e o silvo das locomotivas. Sua construção marcou um feito de engenharia notável para o interior do Rio Grande do Sul. A estrutura metálica, importada da Europa pela firma Bromberg & Cia., veio desmontada e cruzou o Atlântico antes de ser montada sobre pilares fincados em solo gaúcho. Cada peça encaixada, cada rebite fixado, era o sinal de um país que sonhava com trilhos levando o desenvolvimento às Missões.

O projeto integrava o antigo ramal ferroviário que ligava Cruz Alta a Santo Ângelo, iniciativa do Batalhão Ferroviário do Exército. Entre 1908 e 1914, dezenas de trabalhadores anônimos, engenheiros e colonos acompanharam o avanço das obras, guiados por figuras como o engenheiro Major Jonathas do Rego Monteiro, responsável por fiscalizar os trilhos e a montagem da ponte. O ferro veio de longe, mas o suor era local, fruto do esforço de homens de enxada e picareta movidos pela esperança de ver o trem cortando o vale do Itaí.

Com 40 metros de vão em cada arco metálico, a ponte resistiu a enchentes, à ferrugem e ao abandono. Por mais de um século, permaneceu como um monumento silencioso da engenharia e da vontade humana. Hoje, sua imagem ainda impressiona quem se aproxima, sendo uma verdadeira viagem no tempo e lembrança do quanto a fé no progresso moldou a paisagem missioneira.

O tempo, contudo, exige novos gestos de memória. Foi com esse espírito que, em 08 de julho de 2017, nasceu a PAAPFI – Primeira Associação dos Amigos da Ponte Ferroviária do Itaí, fundada por Luis Fernando Arbo e pelo professor e amigo Ricardo da Silveira de Jesus. A ideia brotou da necessidade de preservar e valorizar o que o tempo deixou esquecido: uma ponte centenária que merece ser símbolo de história, turismo e cultura. A associação surgiu para reunir apaixonados pela ferrovia, mobilizar a comunidade e despertar nas novas gerações o respeito por esse patrimônio.

Entre os projetos defendidos pela PAAPFI está a criação de um mirante panorâmico que permita contemplar a ponte sob outra perspectiva, de forma segura, acessível e integrada à paisagem. Também propõe-se a melhoria do acesso ao local, com a construção de um estacionamento estruturado e sinalização adequada, para receber visitantes e fortalecer o turismo histórico em Ijuí.

Outra grande bandeira é a iluminação artística da ponte, proposta inédita em mais de cem anos de história. A ideia é transformar a velha estrutura metálica em um ponto de luz e encanto, especialmente no período natalino. A campanha, conduzida pela PAAPFI, há anos conclama o DEMEI e a Ceriluz a unirem-se nesse sonho coletivo de fazer brilhar, pela primeira vez, a ponte que há tanto tempo ilumina a memória dos ijuienses.

Quando finalmente as luzes refletirem no Rio Ijuí, não será apenas a ponte que renascerá. Será a história inteira que voltará a pulsar, unindo passado, presente e futuro sob o brilho de um símbolo que resiste, altivo, à passagem do tempo.

PAAPFI – Primeira Associação dos Amigos da Ponte Ferroviária do Itaí
Luis Fernando de Almeida Arbo – Advogado

Profissional do Futuro Unijuí

3 de julho de 2026
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