Por Sandra Raquel de Faveri
É comum se falar que “os tempos mudaram”. Isso é verdade. Ouve-se e percebem-se essas mudanças diariamente. Relações pessoais e familiares mudaram, hoje se tem maior acesso às informações, ao conhecimento. E com a mudança dos tempos, a escola também mudou. A escola contemporânea emerge com novas exigências educacionais. A escola de hoje não é (e nem deve ser) a mesma de anos atrás.
A escola contemporânea se vê diante das transformações da sociedade, obrigando-a a buscar novos posicionamentos (TRAVI, 2009), ou seja, as velhas práticas, as ferramentas defasadas e as metodologias ultrapassadas deixaram de ser suficientes para compor o atual cenário da educação.
As escolas mais sensíveis às mudanças e atentas ao contexto do tempo atual já estão procurando iniciar processos de inovação e de reforma que poderão dar conta de novos desafios. É preciso mudar não somente a escola, enquanto uma organização de ensino que possui conteúdos programáticos, métodos, mas sobretudo, é necessário mudar a educação formal.
Necessita-se levar em consideração que as informações são hoje rápidas e acessíveis quase que instantaneamente. Os estudantes estão cada vez mais protagonistas de seu aprendizado. As tecnologias educacionais revolucionam diariamente a forma de ensinar e aprender. Essa é a escola contemporânea que apresenta na contemporaneidade.
Nesse contexto é preciso lembrar que fora dos muros da escola, muitas vezes o mundo configura-se como algo atrativo. Bem mais atrativo que a sala de aula. O mundo fora da escola convida o aluno a fazer muitas descobertas. E essas descobertas nem sempre são positivas. Nesse viés, buscar tornar a experiência em sala de aula interessante é algo realmente desafiador, porém, não é impossível.
A escola de hoje exige estratégias diferentes na forma de ensinar. É preciso lembrar que existe um mundo de possibilidades para este aluno, cabe à escola e ao professor buscar, de alguma forma, fazer com esse aluno também tenha condições de permanecer em sala de aula. E não se fala apenas no uso das novas tecnologias. A criatividade pode e deve colorir os muros de dentro da escola e dar um significado diferente ao processo de ensino-aprendizado através de projetos diferentes, interdisciplinaridade e aulas mais dinâmicas e interativas.
O fato é que muitos alunos vão para a escola porque isso simplesmente faz parte de suas rotinas ou pela obrigatoriedade de sua presença nesta. Querem a escola, o convívio com os colegas, mas não querem a sala de aula. Essa é uma realidade que precisa ser mudada. E uma maneira interessante de provocar essa mudança é ofertando ao aluno um ensino que tenha a sua cara, contextualizado com as suas vivências cotidianas, com elementos que fazem parte do seu dia a dia. Pensar conteúdos pertencentes à realidade dos estudantes, possibilita que o aluno perceba que a escola, a sala de aula possuem um sentido diferente em sua vida. Tornar o conteúdo recebido pelo professor em vivências que possam ser aplicadas em situações reais faz muita diferença e é um caminho importante para que esse aluno venha para a escola sentindo-se parte dela, identificando-se com ela.
O verdadeiro “x” da questão na escola de hoje definitivamente não é investir apenas em novas tecnologias, mas sim saber aplicá-las para tornar o aprendizado interessante e motivador, qualificando também o professor, para que esse seja de fato um mediador dentro da escola e da sala de aula.
Atualmente, é importante que a escola tenha um lugar de destaque. Um lugar que seja percebido como um ambiente no qual as relações interpessoais são fundamentais para o crescimento dos alunos, contribuindo para educá-los para a vida adulta por meio de estímulos que vão além de testes e provas. Mas principalmente com vivências, ensinamentos e práticas pedagógicas que possam ser incluídas no dia a dia de cada um.