Cinzas nas paredes da casa - NoroesteOnline.comNoroesteOnline.com ">

Cinzas nas paredes da casa

12 de junho de 2021

Acordo entre duas empresas do Sul de Santa Catarina encaminha resíduo de usina movida a casca de arroz para ser misturado à argila pela indústria da cerâmica

No Sul de Santa Catarina, uma iniciativa inédita uniu duas indústrias, uma de cerâmica e uma de beneficiamento de arroz. A parceria foi estabelecida a partir da necessidade que a Fumacense Alimentos, de Morro da Fumaça, tinha de destinar corretamente parte das cinzas originadas da queima da casca de arroz para geração da energia elétrica que abastece a própria fábrica desde 2008. A Cerâmica Guarezi, de Treze de Maio, se interessou pelo projeto e, há um ano, incorpora o resíduo aos tijolos que fabrica. Além da redução do impacto ambiental, o uso das cinzas possibilitou um retorno financeiro maior à cerâmica.

A maior parte das cinzas geradas pela incineração das cascas da Fumacense já era utilizada por indústrias siderúrgicas e cimenteiras de diferentes estados brasileiros. No entanto, ainda restava em torno de 20% do resíduo. “Até então, destinávamos essa parcela para produtores rurais que utilizavam as cinzas em suas lavouras como uma espécie de adubo para terra”, relata o coordenador da Central Termelétrica da empresa, Lucas Tezza. “O problema é que não tínhamos rastreabilidade desse montante.”

Para viabilizar um destino mais seguro para esses resíduos, a Fumacense passou a mobilizar estudos junto ao Sindicato da Indústria de Cerâmica Vermelha de Morro da Fumaça. Com o projeto consolidado, se escolheu a Cerâmica Guarezi para receber gratuitamente as cinzas.
A usina da Fumacense tem uma potência instalada de 1,5 Megawatt (MW) e gera 60 Megawatt-hora (Mwh) por mês a partir da queima de 80 toneladas de casca por dia. Das 16 toneladas de cinza que sobram por dia, cerca de 3 mil são direcionadas à Guarezi, que incorpora o volume como 15% da massa dos seus tijolos.

Além de contribuir com um destino sustentável para as cinzas recebidas da usina termoelétrica da Fumacense, a Guarezi também percebeu impactos que a beneficiaram diretamente. O primeiro foi que, com o uso do resíduo, deixou de extrair mensalmente uma média de 300 a 350 metros de argila virgem, equivalentes a cerca de 10% do total que retirava de uma jazida própria, localizada a 15 quilômetros da fábrica. “Também ganhamos velocidade no processo, porque a mistura com a cinza perde umidade mais facilmente, o que agiliza o processo de secagem”, acrescenta o sócio-proprietário da empresa, Gelson Guarezi. Verificou-se ainda um aumento de cerca de 10% no volume de produção, que chega a 3 mil toneladas por mês.

Fonte: Correio do Povo

Saia da zona de conforto: faça pós-graduação Unijuí

23 de fevereiro de 2021
Copyrights 2018 ® - Todos os direitos reservados