Conceito de Biopolítica orienta pesquisas na área do Direito – NoroesteOnline.com

Conceito de Biopolítica orienta pesquisas na área do Direito

3 de dezembro de 2019
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A Vice-Reitoria de Pós-Graduação, Pesquisa e Extensão da Unijuí desenvolve, em parceria com a Coordenadoria de Marketing, o Projeto Popularização da Ciência, com o objetivo de divulgar a produção e ações dos professores e bolsistas de projetos de Pesquisa e Extensão da Universidade. Confira matéria da Bolsista do Projeto, estudante de Jornalismo, Natália Langer.

 

 

O conceito de biopolítica assume o papel de ferramenta conceitual necessária para a compreensão e explicação de alguns fenômenos sociais contemporâneos. Dessa forma, o projeto de pesquisa intitulado “O conceito de biopolítica como canteiro arqueológico inacabado: de Michel Foucault a Giorgio Agamben”, busca entender a concepção de biopolítica baseado na filosofia e teorias de Michel Foucault, apresentando assim, a evolução do conceito em relação a temática da guerra e do racismo de Estado na atualidade, com foco no projeto filosófico (home sacer) de Giorgio Agamben.

Segundo Maiquel Wermuth, professor coordenador do Projeto, é importante ressaltar que Michel Foucault foi um filósofo, historiador de ideias, teórico social, filólogo e crítico literário. “O seu pensamento teve grande importância para grupos de pesquisadores e acadêmicos, pois possibilitou debates entre poder e conhecimento. Já o filósofo italiano Giorgio Agamben, possui obras que debatem temas relacionados a essa linha de pensamento. Um dos seus trabalhos mais conhecidos trata da investigação dos conceitos de estado de exceção e homo sacer (homo sacer é uma expressão em Latin que significa ‘homem sagrado’, ou, ‘homem a ser julgado pelos deuses’)”, observa.

O projeto, ainda em fase inicial, conta com uma vasta equipe de pesquisadores, composta por professores da Unijuí, professores de outros estados, mestrandos, doutorandos e bolsistas de iniciação cientifica. Os pesquisadores utilizam o marco teórico da biopolítica, na vertente destes dois autores, para analisar alguns temas da atualidade, como guerra e o racismo de Estado, discutindo essas temáticas paralelamente com os assuntos que são próprios da sociedade brasileira contemporânea, como atividades punitivas, violação de direitos humanos no âmbito carcerário, políticas migratórias e a violação de direitos humanos por meio das censuras biopolíticas que são estabelecidas pelas políticas migratórias contemporâneas.

O coordenador do projeto de pesquisa, professor Maiquel Wermuth, explica a importância desse estudo, destacando que existem inúmeros assuntos para debater dentro desse espaço. “Ao contrário de mecanismos disciplinares, a biopolítica não vai buscar a alteração do indivíduo, não se ocupa dos fenômenos individuais dos homens isoladamente considerados. A partir de previsões, estimativas, estatísticas, medições, a biopolítica vai priorizar as intervenções dos fenômenos em nível global, com finalidade de estabelecer mecanismos reguladores. Então, o foco da biopolítica deixa de ser o corpo individual e a consideração do indivíduo do detalhe como na disciplina. Esses mecanismos disciplinares são substituídos por mecanismos globais, que tem por objetivo estados globais de equilíbrio e de regularidade, então, na medida em que se normaliza a população, torna-se mais fácil controla-la e otimizar a sua produtividade”, acrescentou.

É neste sentido, que a biopolítica não se apropria da vida para extingui-la, segundo o professor, mas sim, para administrá-la em termos regulativos. A ideia é de que o projeto, que se encerra em 2022, forneça à sociedade artigos, livros, debates e discussões que acontecem nas reuniões, da perspectiva crítica desse marco teórico utilizado, propondo a análise desses temas na contemporaneidade. “Possibilitando que a comunidade envolvida se capacite a olhar para esses temas a partir de uma linha crítica de raciocínio”, complementa.

 

Imagem: Reprodução da obra “A Ronda dos Prisioneiros”, de Van Gogh.

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