O Salão Nobre da Sociedade Ginástica da cidade recebeu, à noite, o Giro pelo Rio Grande. A iniciativa contou com a participação do cientista político, Fernando Schuler, e do consultor econômico, Marcelo Portugal. Os painelistas foram mediados pelo presidente do Sistema Fecomércio-RS/Sesc/Senac, Luiz Carlos Bohn, e pelo economista e gerente de Relações Governamentais da Federação, Lucas Schifino. Em 2023, a temática abordada é “Brasil: para onde estamos indo?”.
A primeira palavra foi do presidente do Sindilojas Noroeste, Juarez Neme da Costa, que agradeceu pela escolha de Ijuí como sede de uma das edições do evento no estado. Ele destacou que iniciativas do tipo são importantes, pois tornam os empresários bem informados e, assim, capazes de tomarem melhores decisões para seus negócios. E reforçou a gratidão à Federação por sempre se mostrar preocupada em auxiliar seus representados.
Na sequência, o prefeito de Ijuí, Andrei Cossetin, saudou os presentes e parabenizou pela realização do evento. Cossetin relembrou que 87% do orçamento do município é composto por serviços e comércio, o que torna ações como o Giro pelo Rio Grande ainda mais relevantes para a região.
O economista e gerente de Relações Governamentais da Federação, Lucas Schifino tomou a palavra, agradeceu a acolhida e comentou sobre o grande potencial econômico da cidade e das imediações. Também frisou que, tendo em vista o governo vigente, os desafios que dirigentes do terceiro setor irão enfrentar não serão fáceis, mas que a Federação está trabalhando para minimizar danos.
Após, foi a vez do presidente do Sistema Fecomércio-RS/Sesc/Senac, Luiz Carlos Bohn, realizar sua manifestação. “Para que serve o passado? Para interpretar o futuro. Sem dúvida, temos um ambiente bastante desafiador à frente”, ele introduziu, explicando que os painelistas a seguir iriam abordar questões delicadas e pertinentes. Bohn ressaltou a necessidade da união do empresariado em prol dos interesses da categoria. “Precisamos estar atentos”, ele concluiu.
O primeiro palestrante, o consultor econômico Marcelo Portugal, abordou aspectos da reforma tributária que está em andamento. Segundo o economista, a reforma ideal iria ditar a taxação apenas de bens finais, não de intermediários. Ou seja, não taxar “quando CNPJ vende para CNPJ, mas sim quando CNPJ vende para CPF”, explicou. A atual proposta em tramitação, de acordo com Portugal, apresenta perigo por causa de um provável aumento da carga tributária que deve ser regido por lei complementar. Ao criar CBS e IBS (ambos impostos sobre bens e serviços; o primeiro, com destino ao governo federal e o segundo, aos estados e municípios), a mudança tributária tem aspectos positivos, como a isenção de tributos para exportações e o fato de que a receita ficará no destino final. Mas também apresenta características negativas, como o alto risco de aumento da carga tributária, a insegurança que ainda existe a respeito de quanto será a alíquota aplicada e a criação de um imposto seletivo que atingirá somente determinados produtos encarados como danosos à saúde e ao meio ambiente.
Para encerrar a noite, o cientista político, Fernando Schuler, realizou uma análise histórica dos últimos governos do Brasil. E teceu previsões: “nós estamos num momento de aumento de carga tributária. O governo tem déficit de cerca de 150 bilhões de reais para o ano que vem. Ele precisa correr atrás de imposto”, disparou. Sobre o atual contexto vivido, ele pincelou decisões que julga equivocadas, como o fim da reforma administrativa e o aumento de 9% no funcionalismo, por exemplo. Além disso, destacou quão caros são o judiciário e legislativo ao contribuinte. Schuler resumiu que “o sistema político perdeu suas travas” e está tomando decisões que não são plausíveis. Ele ainda abordou como o judiciário, na figura do STF, tem interferido em matérias que cabem ao legislativo.
A fala final do Giro pelo Rio Grande em Ijuí ficou a cargo de Luiz Carlos Bohn, que concluiu afirmando: “nós, Fecomércio-RS, estamos cumprindo nossa missão. Somos uma entidade de representação dos empresários e estamos cumprindo o papel de conscientizá-los”.
Reunião com Sindilojas Noroeste
O primeiro compromisso do presidente do Sistema Fecomércio-RS/Sesc/Senac, Luiz Carlos Bohn, em Ijuí, foi uma reunião com dirigentes do Sindilojas Noroeste, no início da tarde desta quinta-feira, 21 de setembro. Estavam participando do encontro o presidente do sindicato, Juarez Neme da Costa, a vice-presidente Cleusa Maria Waslawick, o ex-presidente e atual vice-presidente administrativo, Bruno Hass, além de demais membros da diretoria e representantes da instituição. Também se fizeram presentes o diretor regional do Senac-RS, Ariel Berti; representando a Diretora Regional do Sesc-RS, Sandra Lindorfer, Gustavo Santos Rocha da Rocha; o diretor do Sesc Ijuí, Ronaldo Moura Soares e o diretor do Senac Ijuí, Paulo Krüger.
A primeira pauta foi a apresentação do projeto da nova sede da escola do Senac Ijuí. O local, na Rua Treze de Maio, 136, contará com dois pavimentos com mais de 1.700 metros quadrados. No novo endereço, estarão disponíveis diversas salas multiuso, sala de idiomas, laboratório de informática e de saúde. A previsão de entrega das obras, que ainda irão iniciar, e que devem ter um investimento de mais de três milhões, é no segundo semestre de 2024.
“Essa visita, além da apresentação do projeto do novo Senac Ijuí, é a visita que sempre faço para ouvir os sindicatos”, com essa frase Luiz Carlos Bohn abriu o segundo momento do encontro. Foram abordadas questões como as obras de melhorias da cidade e do entorno nas quais o sindilojas teve forte atuação, por exemplo. Também foi tratado sobre o empenho do sindicato para informar sobre as ações da Federação e para angariar novos associados. “A gente tem trabalhado muito para fazer com que os empresários entendam como funciona o ‘Tri Juntos’. Para que saibam que as ações que fazemos são retorno da contribuição que é paga por eles”, concluiu Juarez.