Impactos dos agrotóxicos na saúde e no meio ambiente são discutidos em Santo Ângelo – NoroesteOnline.com

Impactos dos agrotóxicos na saúde e no meio ambiente são discutidos em Santo Ângelo

5 de julho de 2018

Dados foram apresentados no 4º Encontro Macrorregional sobre os Impactos dos Agrotóxicos, no Distrito de Buriti, em Santo Ângelo. O município de Catuípe esteve participando do evento através da Vigilância Ambiental, pela servidora Fernanda Bertoldo.

“A Organização Internacional do Trabalho (OIT) estima que, entre trabalhadores de países em desenvolvimento, os agrotóxicos causam anualmente 70 mil intoxicações que evoluem para óbito. E pelo menos 7 milhões de doenças agudas e crônicas não fatais”. Foi com essa fala que a médica toxicologista da Divisão de Saúde do Trabalhador do Estado, Virgínia Dapper, iniciou o 4º Encontro Macrorregional sobre Agrotóxicos, na última segunda, 18, em Santo Ângelo. O objetivo, segundo ela, é atentar para a importância em debater o impacto do uso desses químicos na saúde da população e, em especial, do trabalhador do campo.

Em 2013, uma pesquisa revelou que foram consumidos no Brasil 16 quilos de agrotóxicos por hectare plantado, ou seja, o equivalente a 6 quilos por pessoa. O Rio Grande do Sul, em especial a região Noroeste Missões, está entre as regiões com maior índice de impacto negativo na saúde causado pelo uso de agrotóxicos. Os dados são preocupantes, segundo a médica, especialmente pela estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS), revelam que para cada caso de intoxicação relatado, existem outros 50 casos que ficam fora da estimativa. “O Rio Grande do Sul tem a maior taxa de mortalidade por câncer e precisamos nos perguntar o porquê. Certamente os agrotóxicos têm a ver”, explicou Virgínia, citando ainda que lugares com maior uso de agrotóxicos têm maior incidência de suicídios, já que ele deprime o sistema nervoso.

Para completar a fala da médica, o tenente da 2ª Companhia de Polícia Ambiental de Cruz Alta, Fernando Hochmuller, explicou como é possível denunciar o uso de agrotóxicos às autoridades. “As denúncias podem ser feitas através do telefone (55) 3322-8305. É importante citar ainda que, com relação as denúncias que recebemos, a maioria são procedentes, causadas pela exposição à aplicação de agrotóxicos, tanto na deriva terrestre quanto na pulverização aérea. Em decorrência disso, todo um aparato policial é deslocado ao local para fazer a análise da ocorrência, coletam-se provas e após é feito um boletim de ocorrência, para daí tornarmos um inquérito policial para que se possa responsabilizar as pessoas responsáveis pelos danos cometidos”, esclareceu.

Os debates do 4º Encontro Macrorregional ainda abordaram o depósito e destinação correta das embalagens de agrotóxicos, o uso racional desses produtos e os equipamentos de segurança nas atividades agrícolas, além das possibilidades de produção agroecológicas com certificação.

O GT Macrorregional sobre Agrotóxicos é um grupo de trabalho que tem por objetivo integrar as diferentes instituições que tenham interesse nessa temática e pensar ações que visem a combater o impacto negativo do uso de agrotóxicos na saúde e no meio ambiente. Para Elisa Lucchese Bezzera, fonoaudióloga do Cerest e membro da equipe diretiva do GT Macrorregional sobre agrotóxicos, eventos como o 4º Encontro Macrorregional proporcionam “uma maior divulgação da existência do GT Macrorregional e despertam o interesse das instituições a fazerem parte do nosso Grupo de Trabalho”.

 

Profissional do Futuro Unijuí

3 de julho de 2026
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