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Incêndio na Boate Kiss, em Santa Maria, completa oito anos sem o julgamento dos réus

27 de janeiro de 2021

“Kiss, oito anos de impunidade” é a frase do novo mural grafitado sobre a fachada do que restou da Boate Kiss, em Santa Maria, na Região Central do RS, onde um incêndio de grandes proporções matou 242 jovens, a maioria universitários, na madrugada do dia 27 de janeiro de 2013.

A tragédia, que comoveu o País e gerou grande repercussão internacional, se arrasta em uma novela sem data para terminar. Quase uma década depois, os quatro réus do caso ainda aguardam o júri popular, que não tem data para acontecer. Na melhor das hipóteses, ocorrerá no segundo semestre deste ano.  

“Essa situação é muito injusta. São oito anos de sofrimento e dor e, durante esses anos, a gente perdeu muitos familiares, pais de vítimas, que tiveram outras doenças, agravadas pela dor da perda, e acabaram morrendo”, lamentou o presidente da Associação dos Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria, Flávio Silva.

Fundada cerca de dois meses após a tragédia, a entidade reúne pais e familiares das vítimas em busca de reparação. Silva perdeu a filha Andrielle, de 22 anos, no incêndio. Na ocasião, ela estava na boate com mais quatro amigas para celebrar o seu aniversário. Todas morreram asfixiadas pela fumaça tóxica liberada pelo fogo que consumia a espuma de isolamento acústico do local.

“A gente não teve tempo de curtir o luto porque nós partimos do luto para a luta. Então, é uma questão de a gente tentar transformar a dor em um ato de amor, que é esse ato de prevenção, e tentar salvar vidas”, afirmou o pai.

Todo dia 27 de janeiro é marcado por homenagens às vítimas do incêndio em Santa Maria. Neste ano, por causa da pandemia de coronavírus, a homenagem ocorre de forma virtual. A Associação de Familiares Vítimas e Sobreviventes da Tragédia organizou uma live, às 20h30min desta quarta-feira, mediada pelo jornalista Marcelo Canellas, com a participação dos atores Tony Ramos, Chistiane Torloni e Dira Paes, a autora de teledramaturgia Glória Perez, a mãe de uma das vítimas da tragédia Ligiane Righi e o jurista Jair Krischke, presidente do Movimento de Justiça e Direitos Humanos do RS.

Durante madrugada, às 2h30min, uma sirene do Corpo de Bombeiros tocou na cidade para lembrar o exato momento em que o incêndio começou, também como forma de homenagear os mortos.

Situação do processo 

No processo criminal, com mais de 85 volumes, os empresários e sócios da Boate Kiss, Elissandro Callegaro Spohr e Mauro Londero Hoffmann, além do vocalista da banda Gurizada Fandangueira, Marcelo de Jesus dos Santos, e o produtor do grupo musical, Luciano Bonilha Leão, respondem por homicídio simples (consumado 242 vezes, por causa do número de mortos) e por 636 tentativas de homicídio, de acordo com o número de feridos.

Ao longo do ano passado, enquanto o País mergulhava na crise sanitária por causa da pandemia de Covid-19, três dos réus (Elissandro, Mauro e Marcelo) travaram uma batalha judicial vitoriosa para que o julgamento pelo júri popular fosse transferido da comarca de Santa Maria para um foro em Porto Alegre.

Em seguida, o Ministério Público opinou para que Luciano Bonilha também tivesse o desaforamento concedido, embora ele não tivesse requisitado a medida. Dessa forma, todos os réus poderão ser julgados em uma única data e pelo mesmo júri. Entre os argumentos para pedir o desaforamento do caso, os réus alegaram dúvida sobra a parcialidade dos jurados em Santa Maria, por causa da comoção da tragédia, e o ambiente mais distante e controlado da Justiça de Porto Alegre.

Incêndio

O incêndio na boate iniciou depois que um integrante da banda Gurizada Fandangueira, que fazia uma apresentação ao vivo, acendeu um sinalizador de uso externo dentro da casa noturna, e faíscas do artefato acabaram queimando a espuma que fazia o isolamento acústico do local.

A queima da espuma liberou gases tóxicos, como o cianeto, que é letal. Foi justamente essa fumaça tóxica que matou, por sufocamento, a maior parte das 242 vítimas. Além disso, a discoteca não contava com saídas de emergência adequadas, os extintores eram insuficientes e estavam vencidos. Parte das vítimas foi impedida por seguranças de sair da boate durante a confusão, por ordem de um dos donos, que temia que os clientes não pagassem as contas.

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