O governador Eduardo Leite defendeu que as privatizações de empresas dos setores de energia e de saneamento vão possibilitar a modernização do Rio Grande do Sul e o encaminhamento de “resoluções para os problemas do passado”. Neste sentido, o tucano defendeu que os recursos não serão utilizados para custeios, mas para a quitação de passivos, conforme o Plano de Recuperação Fiscal. “Você não pode vender um patrimônio para colocar no custeio. Não adianta forçar investimentos sendo caloteiro. Tem que quitar as dívidas com quem oferece serviços ao Estado”, argumentou nesta segunda em entrevista ao programa Esfera Pública, da Rádio Guaíba.
“Tenho o compromisso de que recursos de privatizações não sejam colocados no presente. Isso já aconteceu no passado e foi uma fórmula que deu errado. Estamos defendendo que as privatizações sejam feitas pela oportunidade de encaminhar resolução do nosso passado para que possamos investir recursos no futuro. É fundamental nos desprendermos no passado. Há um fantasma nos assombrando que nos impede de ir para frente”, avaliou.
Citando a Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE) como exemplo, Leite argumentou que, no momento em que ela foi criada, o Rio Grande do Sul vivia outra conjuntura. “Era outro momento, com outras leis e dinâmicas. Então, fazia sentido ingressar nesse setor”, disse, avaliando que a privatização é necessária para a maior eficiência dos serviços prestados. Como foram protocoladas com regime de urgência, as propostas estarão aptas para votação a partir desta terça-feira e a apreciação pode seguir pelas duas sessões seguintes. Caso haja atraso e os parlamentares não terminem de votar os projetos no dia 2, a pauta permanecerá trancada até o dia 9.
O governador considerou que, “com o Estado no vermelho”, não é simples manter uma política de investimento com a velocidade necessária com a modernização desses setores. “Há diversos fatores: como instabilidade nos serviços públicos, que geram ineficiência e que fazem com o povo pague a conta. Já são mais de R$ 1 bilhão de dívidas em ICMS para o Estado”, considerou. “É difícil ser bem administrada quando trocam os seus administradores a cada quatro anos. Além de benefício fiscal, (a privatização) conduzirá a uma política que gerará empregos”, ressaltou.
Questionado sobre essa promessa de novas vagas de trabalho, o governador afirmou que não existe uma solução mágica nem será uma atitude de governo que resolverá a questão. “É uma série de medidas articuladas em termos de modernização da economia que gera ambiente para desenvolvimento econômico. Observamos investidores aguardando se haverá reforma da Previdência ou não que anime esses investimentos privados. Se o Brasil manter um quadro de déficit fiscal, de desequilíbrio nas contas, isso significa mau pagamento por parte dos Estados. E a União mantendo ou buscando juros elevados para conter o risco do país quebrar e buscar recursos. Tudo isso interfere na economia de uma empresa estatal”, avaliou.