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Mutação do coronavírus fecha fronteiras e acende novo alerta às vésperas do Natal

21 de dezembro de 2020

O alerta veio do Reino Unido, que classificou como “fora de controle” uma variação do novo coronavírus, em uma cepa que indica ser muito mais contagiosa do que a que se disseminava até então no país.

O sinal amarelo provocou uma reação em cadeia, com diversos países anunciando restrições a viajantes oriundos do Reino Unido e de outras nações onde há indicativos ou casos confirmados dessa mutação da Covid-19.

Em solo britânico, o primeiro-ministro Boris Johnson fez um recuo brusco na reabertura do país e anunciou uma série de novas restrições, a fim de conter a disseminação do novo coronavírus.

O primeiro-ministro vinha indicando que iria no sentido contrário, flexibilizando as orientações com a proximidade das festas de final de ano. “Isso agora está se espalhando muito rápido”, alertou Johnson. “É com o coração muito pesado que digo que não podemos continuar com o Natal como planejado.”

Como quase tudo que diz respeito à pandemia, as decisões políticas estão tendo de ser tomadas com o carro andando, quando ainda não se sabe tudo a respeito dos desafios pela frente. Até agora, o panorama é de uma contaminação mais rápida, mas não mais mortal ou imune a uma vacina.

“Existe alguma evidência de que esta cepa pode ser mais infecciosa. Não há evidência de que seja mais mortal e não há evidência de que será mais resistente a uma vacina”, resumiu o médico Ashish Jha, da Escola de Saúde Pública da Universidade de Brown.

Origem e disseminação

A líder técnica da OMS (Organização Mundial da Saúde), Maria Van Kerkhove, afirmou que os dados atuais indicam que a nova variante surgiu na Inglaterra, entre o sudeste do país e a capital, Londres.

Maria afirmou que casos de Covid-19 causados pela cepa mais contagiosa foram verificados na Dinamarca, na Holanda e na Austrália. No final do domingo (20), ao menos um caso já havia sido registrado também na Itália.

O final de semana se encerrou com crescentes anúncios de países impondo restrições de viagem a passageiros oriundos do Reino Unido. A Holanda adotou uma das restrições mais longas, decidindo que voos oriundos do Reino Unido estarão impedidos de pousar no país até o final de 2020. O governo holandês afirmou que a cepa foi identificada em um paciente, diagnosticado no início de dezembro, e que está investigando se há outros casos.

O primeiro-ministro da França, Jean Castex, anunciou uma suspensão de 48 horas de viagens entre os dois países por todos os meios de transporte. O governo da Irlanda tomou medida semelhante. O país anunciou a suspensão dos voos “pelos interesses de saúde pública”, inicialmente nesta segunda-feira (21) e terça-feira (22). O mesmo na Bélgica. Segundo o primeiro-ministro Alexander De Croo, os belgas determinarão o bloqueio aéreo por 24 horas e reavaliarão se será necessário prorrogar.

No caso de Israel, a decisão vai além. O país optou por restringir os voos não só do Reino Unido, mas também da Dinamarca e da África do Sul, onde a nova mutação também teria sido registrada. A Arábia Saudita suspendeu todos os voos internacionais ao país, independentemente da origem, por ao menos uma semana.

A Espanha reforçará a exigência e a conferência dos testes do tipo PCR, obrigatórios para entrada no país, dos passageiros britânicos. El Salvador fechará as fronteiras para o Reino Unido e a África do Sul.

Mutações são normais?

Segundo a Organização Mundial da Saúde, “todos os vírus, incluindo o da Covid-19, mudam com o tempo”. Os vírus são as estruturas mais simples conhecidas no nosso planeta: são basicamente material genético envolvido por uma cápsula proteica. Essa simplicidade faz com que ele seja altamente mutável.

Renato Kfouri, diretor da SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações), afirma que essas variações são normais e acontecem no momento em que os vírus se reproduzem. “Toda vez que os vírus se copiam, eles podem errar uma parte e criar uma microvariante. É como se eles cortassem o cabelo, fizessem a barba, passassem batom. É diferente num detalhe específico”, disse. Até novembro, ao menos oito linhagens da Covid-19 estavam em circulação no Brasil, de acordo com a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz).

Como prevenir a contaminação

Até o momento, nenhuma das mutações registradas no Brasil ou no mundo é diferente a ponto de “escapar” da cobertura das vacinas já desenvolvidas contra a doença do novo coronavírus. “Não há demonstração até o momento que essas mutações tenham relação com mais gravidade, transmissão mais rápida ou aspecto diferente que a vacina não cubra”, afirmou Kfouri, da SBIm.

Fonte: O Sul

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