No município de Ijuí, a Assistência Farmacêutica (AF) apresenta muitas fragilidades principalmente na infraestrutura, nos recursos humanos e na operacionalidade dos serviços. Desta forma, faz-se necessário avaliar a gestão da AF para proposição de estratégias que contribuam para melhora do cenário local.
Nestes primeiros meses, identificamos as prioridades das demandas da AF e elaboramos um diagnóstico situacional, além de várias análises a fim de obter soluções objetivas e coerentes.
Há uma grande preocupação com o acesso aos medicamentos, porém isso não significa apenas leva-lo à um local mais próximo do usuário, e sim oferecer um serviço resolutivo, de qualidade e com responsabilidade.
O modelo antigo que contava com dispensários operados por estagiários e colaboradores em desvio de função, em horários diferentes e limitados, que fechava semanalmente para reuniões de equipe, frequentemente desabastecido, e que não oferecia ao paciente acolhimento ou mesmo mínimas condições de privacidade durante o atendimento, será reformulado e reestruturado.
A implantação de farmácias distritais pode reduzir o itinerário do paciente até o medicamento, pois contando com a presença do farmacêutico, será possível realizar a dispensação de antibióticos e medicamentos de controle especial além daqueles essenciais, e ainda, oferecer suporte técnico para demandas relacionadas a farmacoterapia. A falsa ideia de “fechar as farmácias” não condiz com esta proposta, pois estaremos levando ao encontro do paciente muito mais que um produto, estamos zelando pela qualidade do tratamento além de outros serviços como o acompanhamento e cuidado farmacêutico, que são serviços clínicos de seguimento e podem contribuir para a redução dos riscos e agravos, assegurando o o uso racional de medicamentos e a redução das desigualdades em saúde.
O plano municipal da assistência farmacêutica está sendo construído e dentre os principais objetivos podemos citar a execução da implantação das farmácias em locais estratégicos de fácil acesso a população, em edificações próprias para otimizar recursos e evitar a rotatividade de referências para o serviço. Prevemos neste projeto a implantação gradual, pois tendo em vista o atual contexto em que muitas unidades de saúde possuem espaços limitados, e em alguns casos deteriorados, enfrentamos uma pandemia que se estende e apresenta constantemente novos desafios, e nos comprometemos com uma gestão estratégica dos recursos financeiros. Neste primeiro momento, visamos a implantação de farmácias nas unidades meio rural, boa vista e modelo. Após, penha e pindorama. Ainda, visamos a construção de uma unidade especifica para os serviços farmacêuticos, que será planejada após a execução das etapas anteriores, sendo que neste local serão instalados os seguintes serviços:
Neste local será concentrado a dispensação de insumos especiais de forma que o paciente ou seu responsável não precise se deslocar a vários locais e em diferentes horários, em especial para pacientes acamados e aqueles portadores de necessidades especiais.
Além disso, a farmácia especializada oferecerá o serviço de acompanhamento farmacoterapêutico previsto nos protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas do ministério da saude para doenças crônicas de baixa prevalência mas que tem alto custo associado ao tratamento. Também será realizado atendimento especializado a situações clínicas que requerem monitoramento rigoroso do tratamento, como os pacientes diabéticos e anticoagulados.
Hoje, está operacional a Central de Dispensação de medicamentos localizada na rua 19 de outubro, 742 – Centro, próxima a SMS, que conta com farmácia básica e especializada, dispensação de insumos farmacêuticos e formulas nutricionais. Este espaço conta com 5 guichês de atendimento e farmacêutico em tempo integral. A dispensação de medicamentos de uso contínuo é realizada para atender dois meses de tratamento, de forma a evitar a circulação dos usuários proporcionando mais comodidade e contribuindo para a contenção da pandemia COVID19. Junto a este serviço se encontra a Central de Abastecimento farmacêutico que foi instalada neste espaço adaptado recentemente, devido a instalação anterior ser inadequada para o armazenamento de medicamentos e pelos aos constantes alagamentos.
Além disso há um dispensário ativo na unidade de saúde meio rural, no qual atua uma estagiária CEFOR com carga horária de 6h. O horário de atendimento é das 07:30 às 13:00, e neste estabelecimento não há dispensação de antibióticos nem medicamentos de controle especial.
Os medicamentos essenciais são disponibilizados também pelo programa Farmácia Popular do Governo Federal e pode ser encontrado em inúmeras farmácias comercias do município.
Quanto a notícia sobre o fechamento de farmácias, seguem os fatos:
– não existiam Farmácias nas unidades, pois para tal, conforme a legislação é necessário a presença em tempo integral do farmacêutico e existem requisitos mínimos para implantação deste serviço no SUS que poucos locais possuem;
– ocorria a dispensação de medicamentos de uso continuo por estagiários e profissionais em desvio de função, em pequenos espaços, adaptados de forma precária para o armazenamento de medicamentos.
– na unidade de saúde Luiz Fogliatto, havia um dispensário em uma sala compartilhada com agentes de saúde, o que impedia o acolhimento, bem como o atendimento individualizado dos pacientes, no qual trabalhava uma CC sem formação na área. Este dispensário foi fechado no ano passado e a CC designada a unidade dispensadora da unidade Tancredo Neves. Este dispensário foi fechado após a exoneração da CC.
– na unidade de saúde CSU, que contava com um dispensário no qual atendia uma serviçal em desvio de função, foi fechada pois após as férias da atendente e a mesma foi designada a farmácia da UPA.
– as unidades do Pindorama e Thomé tiveram seus dispensários fechados, pois a colaboradora concursada foi designada a atuar na Central de Abastecimento Farmacêutico, sendo que neste setor havia uma agente de saúde em desvio de função que também foi designada a UPA.
– o dispensário de medicamentos da unidade jardim foi fechado porque a colaboradora concursada foi designada à central de dispensação. Este dispensário não contava com geladeira para dispensação de insulina, sendo que os pacientes que fazem uso deste medicamentos eram orientados a retira-lo no dispensário da unidade de saude do meio rural;
– o dispensário de medicamentos da unidade mundstock foi fechado após o pedido de demissão da estagiária cefor;
Em todas as unidades onde foram fechados os dispensários, as salas foram imediatamente ocupadas para outra função tendo em vista o aumento das demandas de saude e em alguns casos a precária situação de infraestrutura.
O caminho que está sendo percorrido vem consolidando o entendimento da Assistência Farmacêutica vinculada à garantia do acesso aos medicamentos com o seu uso racional e da necessidade da articulação do conjunto das ações de saúde, sendo o usuário o foco principal de seus serviços.
A compreensão desse conceito é de suma importância, pois quando se fala em acesso, no caso específico dos medicamentos, significa ter o produto certo para uma finalidade específica, na dosagem correta, pelo tempo que for necessário, no momento e no lugar adequado, com a garantia de qualidade e a informação suficiente para o uso, tendo como consequência a resolutividade das ações de saúde (BRASIL, 2008a). Assim, o acesso com a qualidade necessária requer a estruturação e a qualificação dos serviços de Assistência Farmacêutica – no Brasil, ainda deficiente – e a articulação de ações que disciplinem a prescrição, a dispensação e o uso (BRASIL, 2004a).
Ampliar o acesso e garantir o uso racional dos medicamentos, integrar a Assistência Farmacêutica às demais políticas de saúde, otimizar os recursos financeiros existentes, incorporar e integrar o farmacêutico na rede municipal de saúde, desenvolver e capacitar recursos humanos para implementar a Assistência Farmacêutica e tornar a gestão eficiente são alguns dos desafios presentes e futuros.