Venezuelanos recebidos no Rio Grande do Sul projetam uma nova vida no Brasil – NoroesteOnline.com

Venezuelanos recebidos no Rio Grande do Sul projetam uma nova vida no Brasil

5 de novembro de 2018
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Com o filho de dois anos no colo e os poucos pertences que não precisou vender, Lacey Betancourt, de 31 anos, cruzou a fronteira da Venezuela com o Brasil em busca de uma nova vida. Após observar o que definiu como “as piores cenas”, que vão desde crianças pequenas dormindo nas calçadas até mães, com recém-nascidos atracados no peito, revirando latas de lixo em busca de alimento, Lacey decidiu deixar a terra natal para trás e construir um futuro em solo brasileiro.

“Lamentável. Na Venezuela tudo está devastado, não há comida nos supermercados, não temos acesso a medicamentos e muitas pessoas estão morrendo de fome por conta da crise”, conta.

Segundo ela, praticamente nenhum estabelecimento está funcionando, as empresas tiveram que fechar as portas e há muito desemprego. “Aqueles que estão empregados recebem um salário muito baixo, não conseguem comprar nem um pacote de arroz”, diz. Produtos como medicamentos que ainda estão disponíveis no hospital são utilizados como moeda de troca. “Tudo vira mercadoria, se você não tem dinheiro, e ninguém tem, acaba morrendo. Muitas crianças estão sofrendo. Está fatal. As crianças não estão estudando, não há trabalho, quase nada está funcionando”, enfatiza.

Antes da chegada ao Rio Grande do Sul, Lacey chegou a dormir nas ruas de Boa Vista, em Roraima, por conta da superlotação da cidade

Antes da chegada ao Rio Grande do Sul, Lacey chegou a dormir nas ruas de Boa Vista, em Roraima, por conta da superlotação da cidade

Lacey, o pequeno Cesar David e centenas de venezuelanos chegaram ao município de Canoas, na Região Metropolitana de Porto Alegre, em 12 de setembro. Desde então eles vivem em um abrigo disponibilizado pelo processo de interiorização promovido pelo governo federal com apoio da Agência da ONU para Refugiados (Acnur), da Agência da ONU para as Migrações (OIM), do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud).

Ela vivia com a família em Maturín, capital do estado de Monagas, cerca de 600 quilômetros da capital do país, Caracas, onde, segundo ela, a situação está ainda pior. Antes de chegar ao Rio Grande do Sul, Lacey chegou a dormir nas ruas de Boa Vista, em Roraima, por conta da superlotação da cidade. “Eram muitos venezuelanos, não tinha espaço para todos, muito menos emprego”, relata.

Após ter sido acolhida em um abrigo com o filho, começou a pensar se conseguiria sobreviver nas condições que estavam impostas no Norte do Brasil. “Preciso trabalhar pois ainda tenho três filhos na Venezuela, um de 14, outro de 11 e um de 10 anos. Quero trazê-los para cá, mas tenho medo de voltar para buscá-los.”

Fonte: Correio do Povo

Profissional do Futuro Unijuí

3 de julho de 2026
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