Com o filho de dois anos no colo e os poucos pertences que não precisou vender, Lacey Betancourt, de 31 anos, cruzou a fronteira da Venezuela com o Brasil em busca de uma nova vida. Após observar o que definiu como “as piores cenas”, que vão desde crianças pequenas dormindo nas calçadas até mães, com recém-nascidos atracados no peito, revirando latas de lixo em busca de alimento, Lacey decidiu deixar a terra natal para trás e construir um futuro em solo brasileiro.
“Lamentável. Na Venezuela tudo está devastado, não há comida nos supermercados, não temos acesso a medicamentos e muitas pessoas estão morrendo de fome por conta da crise”, conta.
Segundo ela, praticamente nenhum estabelecimento está funcionando, as empresas tiveram que fechar as portas e há muito desemprego. “Aqueles que estão empregados recebem um salário muito baixo, não conseguem comprar nem um pacote de arroz”, diz. Produtos como medicamentos que ainda estão disponíveis no hospital são utilizados como moeda de troca. “Tudo vira mercadoria, se você não tem dinheiro, e ninguém tem, acaba morrendo. Muitas crianças estão sofrendo. Está fatal. As crianças não estão estudando, não há trabalho, quase nada está funcionando”, enfatiza.