Um dia depois de ser agredida pela irmã de um aluno dentro do próprio local de trabalho, em Porto Alegre, a educadora física Helena Lauenstein ainda tenta tirar a cena da cabeça. “Fica me voltando toda hora a lembrança daquela mão vindo na minha direção”, desabafa.
Professora da Escola Municipal de Ensino Fundamental Afonso Guerreiro Lima, no bairro Lomba do Pinheiro, ela levava uma turma do terceiro ano para o pátio, na quarta-feira (24), quando, de repente, no saguão de entrada, foi surpreendida por socos e chutes.
Nesta quinta (25), ela concedeu uma entrevista ao G1 e lembrou do episódio.
“Eu estava distraída quando ela se aproveitou e me deu dois socos, que eu não vi de onde vieram. Dois socos no rosto. Eu caí no chão, e ela continuou”, conta.

De acordo com Helena, a agressora, de 23 anos, é irmã de um aluno, de 14, que estava suspenso há cerca de 10 dias por causa do mau comportamento. “Ele estava ameaçando os colegas, os professores, saía da sala e batia portas, perturbava a aula”, relata a professora.
Essa não foi a primeira vez que Helena foi agredida na escola. Há cerca de um mês, o soco partiu da mãe de um aluno, só que a situação foi menos grave. “Como eu estava de frente pra ela, ela me arranhou e me deu um soco, mas consegui me defender”, lembra. A educadora disse que ficou com medo de novos episódios, mas achava que as coisas iriam melhorar.
“Falta de estrutura básica da família e estrutura que o estado deveria oferecer para essas comunidades, carentes financeiramente, carentes de exemplos, famílias que não têm emprego, que não tiveram oportunidade de estudar”, define.
Após o último episódio, Helena pretende pedir licença e se afastar da sala de aula para preservar sua integridade física. Mesmo assim, não deixa de acreditar no potencial transformador da profissão.
“O que faz a gente levantar de manhã? É a gente acreditar na educação, no nosso trabalho, um trabalho de formiguinha, que muitas vezes não é valorizado. E a gente acredita nos alunos, a gente sabe que eles podem ter oportunidade de mudar de vida com a educação”, finaliza a professora.
Ao desabafar sobre as situações pelas quais passou dentro da escola, Helena disse que espera que a prefeitura reveja a decisão, tomada há alguns meses, de tirar a Guarda Municipal das escolas. “Reveja essa posição deles, de tirar a estrutura que a gente tem pra trabalhar”, criticou.
Sobre isso, a Secretaria Municipal de Educação disse que vai se reunir nos próximos dias com a Secretaria Municipal de Segurança para tratar do assunto. A Secretaria Municipal de Segurança, por sua vez, afirmou ao G1 que os casos pontuais serão avaliados pelas secretarias para construir “soluções dentro dos parâmetros existentes”.