Dia 27 de maio de 2017. Estádio dos Eucaliptos. Riograndense 3 x 1 Guarany de Camaquã. A partida, que classificava o clube esmeraldino para a segunda fase da Terceirona, foi a última do centenário clube santa-mariense. Após aquele jogo, alegando falta de estádio pela não liberação dos Eucaliptos, que recebeu o confronto diante do Guarany-Cam com portões fechados, o Riograndense anunciou a desistência da competição. Com isso, o Tribunal de Justiça Desportiva (TJD) da Federação Gaúcha de Futebol (FGF) aplicou a pena de dois anos de afastamento de campeonatos oficiais.
Dia 25 de janeiro de 2019. Estádio dos Eucaliptos. Doze dias após confirmar a volta do futebol profissional e participar do congresso técnico da Terceirona, o Riograndense desistia, mais uma vez, da competição. Novamente, o Estádio dos Eucaliptos foi ponto-chave na decisão. Sem garantia de recursos e de que as obras fossem concluídas a tempo, a diretoria comunicou a FGF que não participaria do certame. Desta vez, não haverá punição. A decisão foi tomada restando praticamente dois meses para o início do campeonato.
Agora, o Riograndense segue sem perspectiva de abrir as portas. As obras continuam, enquanto for possível. A única fonte de renda obtida pelos abnegados e poucos dirigentes que restaram são as doações.
– O ritmo vai depender daquilo que nos ajudarem de material, mão de obra. Temos que estar pedindo todos os dias. O que tem estamos pegando para o dia. Não tem estoque. Vamos comprando conforme entra – explicou o presidente do Riograndense, Gilberto Pires.
Não há certezas no clube ferroviário. O que parecia uma boa ideia no dia 14 de janeiro, durante o congresso técnico, tornou-se uma enorme incógnita dias depois.
– Nossa expectativa muda todos os dias. Hoje se apresenta um novo problema, amanhã tem outro. Mexer em estrutura antiga não é fácil. Agora vamos com calma. Vamos ver o que dá para fazer – resume Pires.
Hoje, o presidente Gilberto Pires viaja a Porto Alegre para participar da Assembleia Geral Ordinária da FGF. Lá, pretende explicar a situação e continuar mantendo contato com a entidade máxima do futebol gaúcho. Mas, para que não ocorra novamente o que aconteceu nas últimas participações do clube em competições oficiais, o mandatário prefere não dar prazos ou previsões de volta ao futebol.
– Tudo depende da gente realizar o que tem que realizar. Para não prometer e não poder cumprir. Tudo se resume a obras, liberação, adequação, tudo nesse sentido – justifica.