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Blog da Sandra: A deficiência é sempre do outro

6 de fevereiro de 2019

Por Sandra de Faveri

Recentemente uma campanha nas redes sociais “#esefosseseufilho” quis trazer visibilidade sobre a questão que envolve a deficiência. Segundo informações, essa campanha nasceu de um grupo de mães que não aceitaram que um aluno fosse afastado de uma atividade da escola, por ser “diferente”. Aproveitando essa reflexão, o título da coluna de hoje é uma citação do escritor Carlos Scliar e nos faz pensar muito a respeito da deficiência. Assunto esse tão falado e comentando atualmente. Hoje se tem contato com uma realidade que muitas vezes “fazemos de conta” não existir. E essa é uma realidade que grita e é vivida por muitos alunos dentro de nossas salas de aula, por muitas crianças em seus lares. É vivida, também, por muitas mães e pais juntamente com seus filhos.

A citação de Carlos Scliar nos faz refletir sobre essa temática, porque a deficiência é sempre do outro. Nunca nossa. É o outro que é deficiente, é o outro que é anormal. Nós não. Nós somos perfeitos, puros, belos e sem defeitos. Somos “normais”. E essa normalidade é como se fosse uma fronteira entre nós e o outro. Uma linha tênue separa os “normais” dos “anormais”. Dessa forma, com essas regras de normalidade e anormalidade definimos o que pode ser aceito e o que deve ser marginalizado; o que pode ser desejado e o que deve ser evitado; quem pode ter voz e vez e quem deve ser silenciado. E em julgamentos somos bons. O que não aguentamos é sermos julgados. Isso nunca.

Pode-se observar que nos dias de hoje as pessoas ainda não aprenderam a se relacionar com as diferenças. Muitas vezes, o preconceito está dentro de cada um de uma forma escondida. Ainda há pessoas que olham para as outras com superioridade porque se sentem acima, se acham superiores porque seguem padrões sociais pré-estabelecidos.

Julgar os outros sem conhecer é um sinal de preconceito. Julgar o modo de vestir, de falar, a raça, o aspecto físico, a maneira de pensar, a religião, a escolha sexual, são muitas vezes a razão pela qual as pessoas são julgadas por serem diferentes, tornando-se vítimas de preconceito. E o preconceito existe e ele dói. Respeitar o outro, tal como ele é, sem considerá-lo inferior porque não está dentro dos padrões sociais ditados, é o primeiro passo para valorizar o ser humano como um todo, com seus defeitos e qualidades.

Cabe aqui a pergunta: nós “normais”, somos tão perfeitos assim?  Não acredito que a citação de Carlos Scliar se configure apenas em um jogo de palavras. Pelo contrário. Ela nos dá a dimensão exata da fronteira entre o normal e o anormal, apontando que a normalização naturalizada é algo que não deve impedir ninguém de ter os mesmos direitos.

Por um mundo com mais empatia. Por que sempre é bom lembrar: e se fosse seu filho? E se fosse seu neto? E se fosse seu sobrinho? E se fosse você?

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