Conheça a cidade catarinense onde uma rua separa três cidades, três Estados e dois países – NoroesteOnline.com

Conheça a cidade catarinense onde uma rua separa três cidades, três Estados e dois países

10 de junho de 2019
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Caminhar livremente por três cidades, três estados e dois países em apenas uma rua é o que possibilita o Extremo-Oeste de Santa Catarina. É lá onde fica Dionísio Cerqueira, a 700 quilômetros de Florianópolis, cidade que faz divisa com Barracão, no Paraná, e fronteira com Bernardo de Irigoyen, no Estado de Missiones, na Argentina. O município catarinense de 15 mil habitantes tem uma rotina dividida com os paranaenses e argentinos.

Ao circular pela região, somente quem mora por lá sabe onde realmente está. A dica para os visitantes está nos postes de energia elétrica. Os redondos, vermelhos e verdes são catarinenses, enquanto os quadrados, verdes, azuis e brancos sinalizam a cidade paranaense.

Na terça-feira, no Diário Oficial da União, o Governo Federal reconheceu oficialmente um título que os moradores locais já usam há muito tempo. A publicação declara que Dionísio Cerqueira e Barracão estão na lista dos 33 municípios brasileiros considerados cidades-gêmeas. O ato do Ministério da Integração Nacional leva em consideração o crescimento da demanda por políticas específicas para as regiões de fronteira e a importância delas para a integração sul-americana, mas não aponta benefícios claros a curto prazo.

Na foto acima, à direita fica a Argentina, à esquerda o Paraná e à frente, no prédio, Santa CatarinaFoto: Emerson Souza / Agencia RBS

Cruzar do Brasil para a Argentina a pé não precisa de autorização ou fiscalização, basta atravessar a rua. No lado argentino, as lojas com produtos alimentícios são as mais procuradas. A travessia com carro, porém, precisa ser feita pela aduana. E é por isso que a todo instante turistas estacionam o carro do lado brasileiro e caminham até a Argentina para comprar vinho, doce de leite, azeite de oliva e outras coisas. Assim como são comuns as histórias de pessoas que moram em uma cidade e trabalham em outra.

O aposentado Setembrino Nunes de Proença, 67 anos, é gaúcho, assim como grande parte dos moradores da região. Mas reside em Barracão há 40 anos. Suas cinco filhas se casaram com argentinos e todas moram no país vizinho. Mesmo assim, Proença diz que não fala espanhol, mas elogia o lugar onde vive. Apesar de ser uma fronteira, região normalmente conhecida por insegurança, ele diz que nas cidades-gêmeas a situação é diferente:

— Um lado presta serviço para o outro. É um lugar bom de viver e seguro.

Outro ponto de travessia entre os dois países é o Parque Turístico Ambiental de Integração, construído em parceria entre as três cidades da região. Desde 2009, os municípios, incluindo também Bom Jesus do Sul (PR), distante oito quilômetros de Barracão, criaram o Consórcio Intermunicipal da Fronteira, que desenvolve ações e constrói obras na região. O responsável por fiscalizar o lado brasileiro do parque é um morador de Dionísio Cerqueira. Com um chapéu de palha para escapar do sol, Claudi Valentim dos Passos é responsável por manter a área limpa e organizada. Sob os olhos dele, os visitantes passam de um lado ao outro carregando sacolas.

— No verão movimenta bastante. Agora tem mais argentino vindo pro Brasil também, porque aqui algumas coisas são mais baratas para eles — contou o funcionário da prefeitura.

Claudi é o fiscal do parque de integração, que divide Dionísio Cerqueira de Bernardo de IrigoyenFoto: Emerson Souza / Agencia RBS

Crise brasileira afeta comércio argentino

A estrutura do comércio na tríplice fronteira não se compara ao que existe nas fronteiras do Rio Grande do Sul com o Uruguai e de Foz do Iguaçu com o Paraguai, por exemplo, mas ajuda a movimentar um milhão de turistas por ano. As lojas que mais atraem turistas são as de cosméticos, bebidas e produtos alimentícios. Porém, desde o começo do ano passado o movimento caiu consideravelmente por causa da crise brasileira. Além disso, as medidas tomadas pelo novo governo argentino desvalorizaram a moeda local.

O empresário Juan Alberto Junes, que herdou o supermercado da família criado em 1929, afirma que as vendas caíram consideravelmente:

— Nosso público é praticamente de brasileiros. Nós acompanhamos o Brasil e aqui um país depende do outro — explicou o comerciante.

História

O site da prefeitura de Barracão (PR) relata que a história das três cidades se confunde. De acordo com o texto, em 4 de julho de 1903, o general Dionísio Cerqueira fundou um povoado na fronteira com a vizinha Argentina. Por conta da fertilidade das terras e da quantidade de madeira existente na região, colonos do RS e de SC migraram para a região.

Em 1914, criou-se um um distrito judiciário chamado Dionísio Cerqueira com sede em uma em uma hospedaria construído no povoada que servia de local para pouso e descanso dos tropeiros, intitulada de Barracão, na cidade de Clevelândia. Em 1916, um acordo entre os governos resolveu o impasse de limites das áreas entre os Estados do Paraná e Santa Catarina.

Assim, Barracão foi dividido em dois, ficando parte no PR e parte em SC. A parte paranaense permaneceu chamada de Barracão e o espaço catarinense recebeu o nome de Dionísio Cerqueira, em homenagem ao fundador. A cidade argentina separada apenas pelo Rio Peperi Guaçu passou a ser denominada Bernardo de Irigoyen. Assim, o texto conclui que os três municípios parecem formar uma só cidade.

A emancipação de Barracão ocorreu em 1951, enquanto em Dionísio Cerqueira foi em 1953, quando até então pertencia a Chapecó. A população da cidade paranaense é de 10,2 mil pessoas, enquanto em Bernardo de Irigoyen são 7 mil. Somando com os 15 mil de Dionísio Cerqueira, a população da região é de 32,7 mil pessoas aproximadamente.

O que são cidades-gêmeas:

A lei publicada ontem define critérios para que uma cidade seja considerada gêmea. Em SC, somente Dionísio Cerqueira foi classificada dessa forma:

– Serão considerados cidades-gêmeas os municípios cortados pela linha de fronteira, seja essa seca ou fluvial, articulada ou não por obra de infraestrutura, que apresentem grande potencial de integração econômica e cultural, podendo ou não apresentar um conjunto urbana com uma localidade do país vizinho.

– Não serão consideradas cidades-gêmeas aquelas que apresentem, individualmente, população inferior a 2.000 (dois mil) habitantes.

Fonte: DIÁRIO CATARINENSE

EAD UNIJUÍ

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