Presentes no dia a dia dos brasileiros, alimentos como o feijão, a cebola e a mandioca perderam espaço no campo, nas últimas duas décadas, devido à baixa rentabilidade e à escassez de mão de obra. A produção de bergamota, companhia dos gaúchos, especialmente durante o inverno, já foi maior do que a atual, mas voltou a crescer em anos recentes, após um declínio na década passada. O pêssego, que vem perdendo área, registrou aumento de produção e continua dando sabor aos doces finos de Pelotas, município com a maior produção do Estado.
Vinculado predominantemente à agricultura familiar, o cultivo do feijão tem encolhido a cada safra. Em Canguçu – que tem o maior número de minifúndios do país –, a produção do feijão preto caiu pela metade entre 2006 e 2017, passando de 2,2 mil toneladas para 1,1 mil toneladas, segundo o IBGE. A área dedicada ao cultivo, que era de 5,4 mil hectares, recuou para 2,9 mil.
O secretário do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Canguçu, Delair Radtke, afirma que há quatro anos a área de soja no município alcançava 18 mil hectares. Na última safra, ultrapassou 40 mil hectares. “O preço não ajudou, então o pessoal migrou do feijão para a soja”, justifica. Na última safra, a cotação da saca ficou entre R$ 150 e R$ 170, enquanto o dirigente calcula que o valor justo teria que ser 100% superior. Na avaliação de Radtke, faltam políticas públicas e compras governamentais que possam dar ao produtor a certeza da comercialização.