Eram 8h30 de uma quarta-feira ensolarada em Buenos Aires quando o presidente da Argentina, Mauricio Macri, começou um anúncio em cadeia nacional com um sorridente “bom dia”.
“Na última semana temos tido novas evidências de falta de confiança por parte do mercado”, continuou, para então anunciar um acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para que o órgão adiante parte da linha de financiamento que foi acordada em maio para evitar o colapso da economia argentina.
A ideia, disse Macri, era acalmar os rumores de que a Argentina pode voltar a declarar moratória, uma interrupção de pagamentos de dívidas que representaria, no mínimo, o fracasso político de um governo de tecnocratas que foi elogiado por botar ordem nas contas públicas.
O objetivo do presidente não se cumpriu. Ao contrário, o peso argentino perdeu 8% do seu valor, a pior queda em um só dia desde o dia 8 de maio, quando Macri anunciou a polêmica volta do FMI.
A mensagem, que buscava gerar confiança, parece apenas tê-la transformado em pó.
O governo argentino fez muitas coisas para deter a queda do peso, que perdeu 50% do seu valor no último ano: investiu reservas, mexeu no gabinete, contraiu dívida, reestruturou a dívida local e subiu a taxa de juros a 60%, a mais alta do mundo. Na quinta-feira, o Banco Central da Argentina anunciou que vai leiloar US$ 500 milhões.
Mas a chamada “corrida cambial” segue, e com ela se aprofunda o medo entre os argentinos, que recorrem ao dólar para se defender da desvalorização.