Segundo a Organização Mundial da Saúde, atualmente, cerca de 55 milhões de pessoas convivem com a demência, sendo o mal de Alzheimer uma de suas formas mais comuns. O diagnóstico costuma ser feito depois do aparecimento dos sintomas, o que significa que o doente já está praticamente condenado a conviver com o mal até a morte.
O Alzheimer é um problema sério no Brasil?
A grande maioria dos casos de demência do Brasil ainda não foram corretamente identificados. Um artigo de 2015 sugeriu que 77% das pessoas que vivem com demência no país ainda não foram diagnosticadas. Eu estimaria que são cerca de 2,5 milhões de indivíduos com a doença no país.
O que mudou recentemente na identificação do Alzheimer?
Antigamente, só conseguíamos diagnosticar a doença após a morte. Em 2004, houve uma revolução que resultou no desenvolvimento de exames de imagem capazes de reconhecer placas e emaranhados no cérebro que significam que o paciente tem Alzheimer. O problema é que esses exames são caros e complexos. Em 2020, foi descoberta uma série de marcadores sanguíneos capazes de identificar esses sinais.
O que isso significa para a medicina?
Qual seria a importância desse novo exame?
Atualmente, sabemos muito pouco sobre a prevalência do Alzheimer em casos pré-clínicos, ou seja, antes do surgimento de sintomas. Podemos estar frente a uma pandemia silenciosa, pouco conhecida, e, consequentemente, não estamos nos preparando para isso. Identificar a doença 15, 20 ou 25 anos antes de sua manifestação faz com que a janela temporal de intervenção médica seja muito maior, e, assim, será muito mais fácil ajudar os pacientes.
Como é possível ajudar pacientes com Alzheimer?
Ainda que não tenhamos medicamentos curativos, sabemos que existem estratégias não farmacológicas que podem ser essenciais para impedir o declínio cognitivo. Isso envolve exercícios, alimentação saudável, vida social, entre outras práticas. Tudo isso tem um efeito importante para tentar evitar que o paciente entre na fase sintomática da doença. Por isso, identificá-la o quanto antes é fundamental.
O Alzheimer ainda é algo para se preocupar, e será assim até que desenvolvamos uma estratégia curativa. Mas é importante perceber como nós evoluímos em relação à doença. Antigamente, só conseguíamos diagnosticá-la após o falecimento. Agora, o diagnóstico pode vir antes dos primeiros sintomas. Estamos caminhando para uma mudança de paradigma enorme em relação à demência. Esse progresso é muito interessante de acompanhar.