Guitarras perdem espaço com mudanças na música – NoroesteOnline.com

Guitarras perdem espaço com mudanças na música

21 de outubro de 2018
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“Na verdade, eu queria ter mais concorrência.” O sorriso do outro lado do telefone não muda em nada um certo ar de lamento. Tom Morello é um dos maiores guitarristas da atualidade e esteve em bandas renomadas, e finadas, como o Rage Against the Machine e o Audioslave. Só que o músico norte-americano sabe melhor do que ninguém que, hoje, figuras míticas como ele são cada vez mais raras. Há algumas décadas convencionou-se chamar de guitar heroes aqueles que dominavam não apenas o instrumento elétrico, como também a plateia. O problema é que os anos foram passando e as coroas continuaram nas mesmas cabeças, com raríssimas exceções. Eric Clapton, Jimi Hendrix, Jimmy Page, Eddie Van Halen, Slash. Todos absurdamente talentosos. A grande maioria, verdadeiros dinossauros para uma geração que, em 2012, se perguntava no Twitter quem era aquele senhor de branco a se apresentar na premiação do Grammy. Aquele senhor era Paul McCartney.

Os tempos estão mudando, já diria Bob Dylan. E com eles, muda também toda a cultura ao redor. Portanto, seja você, amigo leitor, fã de Beatles ou não, contenha o rancor com as gerações que desconhecem um dos quatro integrantes daquela banda famosa de Liverpool e atente para o fato de que nos últimos anos os parâmetros da música mudaram. Não um, não dois. Todos. Ou, pelo menos, quase todos. A música não é mais criada da mesma forma, não é mais distribuída da mesma forma e sequer é consumida da mesma forma. Tantas mudanças não aconteceriam sem consequências. Se, no início dos anos 2000, a indústria fonográfica foi sacudida com os programas de compartilhamento gratuito (ou ilegais, como você preferir) de arquivos musicais como o Napster, outra revolução, essa bem mais recente, aconteceu a partir da proliferação dos serviços de streaming. Mas é claro, houve vítimas no meio do caminho. E a guitarra foi uma delas.

Neste sentido, não há nada tão representativo como a falência, em maio de 2018, da Gibson, uma das mais famosas fabricantes de guitarras de todo o mundo. Há alguns anos, seria inimaginável cogitar que a empresa poderia ir à bancarrota. Logo a Gibson, ela própria um ícone de 124 anos que produziu modelos que ficaram famosos nas mãos de astros do porte de Slash, do Guns ‘N’ Roses, e Pete Townshend, do The Who, ambos com uma linha própria da marca; e de B.B. King e sua Lucille, ela mesmo uma Gibson customizada. Curiosamente, foi justamente a tentativa de se adaptar aos novos tempos que acabou sendo o trágico passo em falso da centenária companhia de Nashville. A partir de 2012, ela resolveu expandir seu alcance e investiu na compra de empresas ligadas a aparelhos de áudio eletrônicos, a ponto de dois anos depois pagar 135 milhões de dólares em uma destas negociações. O passo foi maior do que a perna e, com 500 milhões de dólares de dívida, não restou outra alternativa a não ser o pedido de falência neste ano.

A derrocada de uma das gigantes trouxe de volta ao mercado uma questão que parece nunca sair de moda: o rock acabou? Ainda que a resposta mais simples e verdadeira seja “não”, é preciso se admitir que, bem, ele deixou de ser tão relevante. E isso, unido a outros fatores, fez com que a venda de guitarras em geral caísse nos últimos anos. Se em 2012, o número de unidades vendidas no Brasil beirava os 19 mil, em 2017 pouco passou de 5 mil. Feiras tradicionais como a ExpoMusic, que por 34 anos foi anual, neste ano não acontecerá. Os expositores consideraram o mercado desaquecido e preferiram adiar para maio do ano que vem. Para o presidente da Associação Nacional da Indústria da Música (Anafima), é preciso contextualizar a questão toda. “Essa queda aparece graficamente nas importações, mas se deu por alguns motivos muitos claros. Nesses últimos anos, o dólar baixou demais e nessa baixa se comprou muito. Aí veio a crise de 2014 e isso diminuiu em qualquer setor. Hoje, o mercado voltou a um pico de estabilidade. A bolha não existe mais. O mercado caiu, mas está voltando ao seu crescimento”, assegura Daniel Neves.

Profissional do Futuro Unijuí

3 de julho de 2026
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