Indígenas se rebelaram contra o governo de Nicolás Maduro na Venezuela – NoroesteOnline.com

Indígenas se rebelaram contra o governo de Nicolás Maduro na Venezuela

8 de janeiro de 2019
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“Aqui, o governo somos nós”, diz um dos homens armados com arcos e flechas, parte de um grupo de indígenas que tomaram o controle do aeroporto de Santa Elena de Uairén, no Sul da Venezuela, próximo da fronteira com o Brasil.

Ele faz parte dos pemones, um povo indígena que habita a região venezuelana de Gran Sabana e do Parque Nacional de Canaima, uma grande área protegida no Sudeste do país. Desde o começo de dezembro de 2018, toda a região está rebelada contra o governo do presidente Nicolás Maduro.

Os pemones passaram séculos vivendo segundo suas próprias leis e costumes nesta área, que tem com maravilhas naturais como a cachoeira de Salto Ángel – a queda d’água mais alta do mundo e um dos principais cartões-postais da Venezuela. A região também é extremamente rica em recursos – especialmente jazidas minerais.

Mas, no último dia 8 de dezembro, este povo indígena ganhou as manchetes da mídia venezuelana depois de um episódio turbulento.

A imprensa local noticiou a morte do jovem pemon Charly Peñaloza, de 21 anos, morto na área do acampamento El Arenal, próximo ao rio Carrao, por um destacamento da DGCIM (Direção Geral de Contrainteligência Militar), do governo venezuelano.

Segundo o relato da imprensa local, Peñaloza foi morto enquanto defendia outros indígenas que foram alvo de um ataque com armas de guerra. A incursão teria sido parte de uma operação secreta da DGCIM e da Corpoelec (Corporación Eléctrica Nacional), a companhia estatal de energia elétrica da Venezuela.

Por estarem em maior número, os moradores acabaram rendendo os servidores da DGCIM e da Corpoelec, e capturaram alguns deles. Também ficaram com as armas e explosivos dos funcionários.
Os líderes pemones classificaram a morte de Peñaloza de “assassinato” – assim como a Anistia Internacional, uma ONG transnacional que agora exige o fim das agressões do governo venezuelano contra a comunidade indígena.

‘Combate à mineração’

O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, demorou até o dia 12 de dezembro para mencionar o episódio.

Disse que o conflito foi parte do “combate contra a mineração ilegal, que causou um dano terrível ao Parque Nacional Canaima”, e assegurou que “há grupos armados que conseguiram se infiltrar nas aldeias indígenas”.

Mas não há apenas um interesse ecológico por trás da ação do governo.

Desde que começou a perder receitas do setor petroleiro e a sofrer sanções econômicas dos Estados Unidos, Maduro têm dito que a combalida economia venezuelana sobreviverá graças à exportação de riquezas minerais.

Em 2016, o governo criou a Zona de Desenvolvimento Econômico Nacional do Arco Mineiro do Orinoco. Trata-se de uma tentativa de criar uma fonte alternativa de renda com base nas minas desta região, que se estende desde a fronteira com a Guiana, ao leste, até o Brasil, ao sul. Além de ouro, a região tem ferro, bauxita, diamantes e coltan (um tipo de minério rico em nióbio e em tântalo) em abundância.

Nos últimos anos, Maduro fechou dois acordos com a Turquia para a venda de ouro venezuelano, evitando que este comércio seja paralisado pelas sanções de outros países.

Ambientalistas alertam para o fato de que o garimpo irregular que proliferou nos últimos anos ameaça não só a bacia do Orinoco, mas também a região paradisíaca habitada pelos pemones.

São três milhões de hectares de natureza selvagem, reconhecidos como patrimônio da humanidade pela Unesco. A região abriga ainda os montes Tepuyes, uma das formações geológicas mais antigas e singulares do mundo.

Os pemones acusam o governo de usar o pretexto da proteção ao meio ambiente para militarizar a região e assim garantir o controle dos recursos naturais. O Ministério das Comunicações da Venezuela não respondeu o pedido de informações sobre a situação em Canaima.

Quando Maduro comentou o assunto, em 12 de dezembro passado, os pemones já estavam protestando pela morte de Peñaloza. Interromperam o tráfego na rodovia Troncal 10, que liga a Venezuela ao Brasil; deram início a uma greve geral e tomaram o controle do aeroporto de Santa Elena de Uairén, próximo da fronteira com o Brasil – portanto, é impossível agora acessar Canaima sem a autorização deles.

A mobilização dos indígenas obrigou à suspensão, no território, das eleições locais que ocorreram no resto da Venezuela em 9 de dezembro.

Fonte: O Sul

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30 de junho de 2019
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