O que o espanhol Javier Bardem, o brasileiro Wagner Moura e o porto-riquenho Benicio Del Toro têm em comum?
Todos eles interpretaram o mesmo papel: o famoso traficante de drogas Pablo Escobar (1949-1993), que chegou a figurar na lista de bilionários da revista “Forbes” em 1987.
Bardem é o mais novo a viver o chefe do Cartel de Medellín, na Colômbia. O ator estrela o filme “Escobar: A traição”, que estreia nesta quinta-feira (23).
O elenco tem ainda a atriz Penélope Cruz, com quem o ator é casado.
Veja outros atores que já representaram Escobar na ficção:

É bem rápida a aparição de Cliff Curtis como Pablo Escobar no filme “Profissão de risco” (2001), mas dá para perceber o poder do personagem.
Nas poucas cenas em que aparece, ele interage com o protagonista do filme, George Jung, vivido por Johnny Depp.
De comerciante de pequenas quantidades de maconha, Jung se transformou no maior traficante de cocaína dos Estados Unidos nos anos 1970. Chegou a ser responsável por 89% de toda essa droga que era vendida no país na época.
George Jung saiu da cadeia em junho de 2014, depois de 20 anos preso.

Na série colombiana exibida originalmente em 2012 e com o título de “Escobar, el patrón del mal”, coube a Andrés Parra representar o traficante. No Brasil, “Pablo Escobar: O senhor do tráfico” foi disponibilizado no Globosat Play.
Com capítulos ambiciosos (cada um custava, em média, US$ 170 mil), o programa teve grande audiência na Colômbia, mas gerou preocupação por uma suposta romantização da figura de Pablo Escobar.
“Todos nos lembramos de uma bomba de Escobar, de um atentado que vivemos e nos chocou. Mas o importante e revelador é ver todo o conjunto, como uma coisa levou à outra”, disse na época Juana Uribe, produtora da série transmitida pela rede Caracol.
“Pablo Escobar: O senhor do tráfico” baseou-se no livro-reportagem “A parábola de Pablo” (2001), de Alonso Salazar, que foi prefeito de Medellín entre 2008 e 2011. O autor elogiou o fato de a série levar em conta as contradições de Escobar.
“Nunca acreditei que as séries decidem o que acontece em uma sociedade, nem que os jovens serão delinquentes por assisti-las”, declarou Salazar na época.

Outra série exibida pela TV da Colômbia. Mas o foco aqui não era Pablo Escobar, vivido pelo ator Juan Pablo Franco.
Os protagonistas do programa exbido pela RCN em 2013 eram os irmãos Castaño: e Fidel (1951-1994), Carlos (1965-2004) e Vicente.
Os três tiveram participação no grupo paramiliar de extrema-direita Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC). As Farcs estavam entre os alvos das ações da AUC, que também tiveram Escobar como inimigo.
Em 2006, o governo colombiano fez um acordo com as AUC pela desmobilização do grupo, criando a lei de Justiça e Paz, que deu aos paramilitares penas máximas de oito anos. Em troca, os ultra-direitistas confessaram seus crimes, alguns contra a humanidade.

Pablo Escobar não foi o primeiro personagem famoso na vida real interpretado pelo ator porto-riquenho Benicio Del Toro.
Antes do colombiano em “Escobar: Paraíso perdido” (2014), ele havia sido Ernesto Che Guevara (1928-1967) “Che: A guerrilha” (2008) e “Che: O argentino” (2008), cinebiografia em duas partes dirigida por Steven Soderbergh.
Sobre o papel do traficante colombiano, Del Toro afirmou na época do lançamento: “Para mim, investigar as coisas é muito interessante, porque você pode aprender muito… sobre o personagem que está interpretando”.
A história de “Escobar: Paraíso perdido” acompanha o jovem canadense Nick, vivido pelo ator Josh Hutcherson, da franquia “Jogos Vorazes”, na Colômbia, onde se apaixona por Maria, sobrinha de Escobar, interpretada por Claudia Traisac.

O ator brasileiro Wagner Moura e o diretor José Padilha reeditar a parceria dos filmes “Tropa de elite” (2007) e “Tropa de elite 2: O inimigo agora é outro” (2010) na série “Narcos”, produzida para a Netflix.
Na primeira das três temporadas, Moura aparece 20 quilos mais gordo e falando em espanhol, idioma que não dominavava até cinco meses antes do início das gravações.
Não fosse a participação de Padilha, responsável pela criação da série, o antigo capitão Nascimento talvez nunca tivesse passado para o outro lado da lei.

Na mais recente produção a retratar o traficante colombiano, Bardem protagoniza e Penélope Cruz, com quem o ator é casado, interpreta a amante dele, a jornalista e apresentadora Virginia Vallejo.
O diretor e roteirista espanhol Fernando León de Aranoa, responsável por filmes como “Um dia perfeito” ou “Segunda-feira ao sol”, baseou sua história em livro de Virginia: “Amando a Pablo, odiando a Escobar”. Ela e Escobar tiveram um romance de vários anos.
“Não é um filme biográfico, não é apenas a história de um duro gângster. É a história de um homem que mudou a história do crime nas últimas décadas do século XX”, afirmou o produtor Miguel Menéndez de Zubillaga ao anunciar o filme.