Líderes na produção de hortaliças e frutas, agricultores familiares usam a internet para manter a atividade na pandemia – NoroesteOnline.com

Líderes na produção de hortaliças e frutas, agricultores familiares usam a internet para manter a atividade na pandemia

17 de agosto de 2020
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Quem tem uma alimentação saudável, com certeza tem produto da agricultura familiar na mesa. É que ela é responsável por dois terços da produção de frutas, verduras e legumes da horticultura no Brasil.

Somente nos cultivos de morango e pepino, por exemplo, os agricultores familiares participam em 80%. E na produção de alface, batata-doce, pimentão e couve, em mais de 60%. Nas lavouras de ciclo longo, lideram o cultivo da uva e do maracujá e, nas temporárias, os destaques ficam com a mandioca e o abacaxi.

Atualmente, os agricultores familiares representam 67% dos 15 milhões de produtores rurais do País e ocupam 77% das fazendas brasileiras. Apesar disso, participam em apenas um quarto de toda a produção agropecuária nacional, segundo o último Censo Agropecuário do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Seus ramos e identidades são diversos: além da pecuária e da agricultura, atuam como extrativistas e pescadores, e muitos são assentados da reforma agrária ou vivem em comunidades indígenas e quilombolas. A terra onde plantam é, ao mesmo tempo, a sua moradia e a principal fonte de renda e de alimentação.

Vendas durante a pandemia

As feiras livres são o principal canal de venda da agricultura familiar, mas muitas foram interrompidas ou tiveram redução de feirantes e de consumidores durante a pandemia do coronavírus.

E, mesmo com a reabertura delas em muitos pontos do País, tem agricultor que prefere continuar em casa com receio de contaminação, utilizando as estratégias de venda implementadas após a chegada da Covid-19. É o caso da agricultora familiar  Marlene Conceição de Jesus, que trabalha junto com o esposo e o filho.

Com a paralisação das feiras, de onde vinha toda a renda familiar, eles começaram a fazer entregas nas casas dos clientes, montaram uma tenda na frente de casa para expor os produtos e passaram a divulgar os alimentos da horta no WhatsApp e em uma página no Facebook. Na propriedade, eles plantam maracujá, laranja, mamão, feijão verde, alface, pepino, entre outros.

“Antes eu nem me ligava em redes sociais. Mas foi uma forma de continuar. É meu filho quem me ajuda agora com a internet. Tudo que é de redes sociais, ele que faz”, diz Marlene.

O coordenador de inovação do Senar (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural), Matheus Ferreira, conta que a nova geração das famílias de agricultores tem tido um papel importante na inserção de novas tecnologias no campo. “Muitos produtores ainda são resistentes e avessos ao comércio digital”, diz.

Por outro lado, uma pesquisa da Embrapa apontou que 61,4% dos trabalhadores rurais indicam que a falta de infraestrutura de conectividade no campo é um entrave para a digitalização do setor. Segundo o IBGE, mais de 70% dos 5 milhões de estabelecimentos rurais do Brasil ainda não possuem acesso à internet.

Aumento da produção

Se muitos tiveram perdas durante a pandemia, teve também quem precisou aumentar a produção para conseguir atender a expansão da demanda local.

Foi o caso da família do Michael Douglas dos Santos, de Palmeiras de Goiás (GO). Uma boa parte dos alimentos consumidos no município vinha de cidades vizinhas, mas, com a pandemia, muitos produtores deixaram de ir para as feiras de Palmeiras, com medo não vender ou de se contaminar.

Como a chácara da família de Michael fica dentro da cidade, o número de clientes cresceu. E, para dar conta da demanda, ele, sua esposa e o seu cunhado expandiram em 30% o plantio de alface e aproveitaram a oportunidade para divulgar melhor os produtos nas redes sociais.

“Quem não é visto não é lembrado”, diz Michael. Eles criaram uma página no Instagram onde divulgam o dia a dia da horta e aumentaram a divulgação pelo Whatsapp.

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