Tivemos no Brasil a aprovação da Base Nacional Comum Curricular, a BNCC. Um avanço importante para a educação, sem dúvida alguma. Aliado a esse fato, também na semana passada, durante uma aula no ensino médio noturno, conversando com uma aluna sobre o mercado de trabalho, esta me relatou que seu irmão não conseguia emprego de jeito nenhum. Contou, ainda, que o irmão possuía vários cursos de especialização, mas quando pediam o documento que comprovava a conclusão do Ensino Médio, este não era apresentado, pois ele não concluiu essa etapa. Consequentemente, não era contratado pelas empresas que o chamavam para entrevistas.
Esse relato fez-me pensar sobre a questão que envolve a não conclusão do Ensino Médio atualmente. Esse é um fato assustador e que acende uma luz amarela no que se refere aos altos índices de desemprego atualmente.
Muitos alunos acreditam que não possuir o ensino médio não é fator decisivo na hora de uma contratação. E isso é um engano. As empresas buscam candidatos qualificados, cada vez mais o mercado de trabalho exige não os “bons”, mas os “melhores”. Claro que cursos de qualificação são muito importantes, pois o mercado de trabalho busca os melhores como afirmei. No entanto, além da qualificação, primeiro é necessário ter o ensino médio completo. Querendo ou não, essa modalidade de ensino é muito importante para quem busca uma melhor colocação no mercado.
Acompanhando dados do Ministério da Educação (MEC) sobre a evasão e a repetência no ensino médio, observa-se que os índices são, de fato, alarmantes. Porém, a pergunta que não quer calar: por que alunos abandonam as salas de aula antes de concluir seus estudos? Os fatores para isso são muitos: jornada de trabalho exaustiva durante o dia, desinteresse pelos estudos, disciplinas pouco atrativas ou mesmo a falta de interesse dos alunos (acham mesmo que isso não é importante).
Porém, não podemos ficar atrelados às dificuldades. Para pensar sobre o ensino médio, é necessário sair do lugar-comum e ousar. Buscar ideias, ações, mudanças, formação de professores, enfim, tudo que possa auxiliar a escola na missão árdua de fazer com que seu aluno conclua seus estudos no tempo certo. A BNCC está ai e é um forma de buscar soluções.
Acredito que com conteúdos que façam sentido, o aluno sentirá que a escola, que a sala de aula tem um sentido diferente em sua vida. Tornar o conteúdo recebido pelo professor em vivências que possam ser aplicadas em situações reais faz muita diferença e é um caminho importante para que esse aluno venha para a escola sentindo-se parte dela, identificado com ela. E que permaneça nela.
O verdadeiro “x” da questão na escola definitivamente não é investir apenas em novas tecnologias, mas sim saber aplicá-las para tornar o aprendizado interessante e motivador, qualificando também o professor, para que esse seja de fato um mediador dentro da escola e da sala de aula.
Atualmente, é importante que a escola tenha um lugar de destaque. Um lugar que seja percebido como um ambiente no qual as relações interpessoais são fundamentais para o crescimento dos alunos, contribuindo para educá-los para a vida adulta, para o mercado de trabalho, por meio de estímulos que vão além de testes e provas. Mas, principalmente, com vivências, ensinamentos e práticas pedagógicas que possam ser incluídas no dia a dia de cada um.