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Sonho turístico sobre os trilhos

2 de dezembro de 2018
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Pouco antes de chegar à estação Princesa das Pontes, em Muçum, era possível ouvir o barulho da Maria Fumaça Malet, fabricada em 1920, ecoando alto pela Ferrovia do Trigo.

Ao chegar para o início da viagem, na estação, era possível sentir o calor do maquinário movido a água e lenha enquanto os vagões paravam na estação.

Aguardado por mais de 20 anos, o sonho do turismo sobre trilhos deu o primeiro passo ontem. O trem turístico fez o primeiro roteiro experimental, com saída de Muçum em direção a Guaporé, passando pelo V13, em Vespasiano Corrêa.

Além do teste turístico, comemorou-se também os 40 anos da construção do V13 pelos militares – o segundo mais alto viaduto da América Latina, medindo mais de 140 metros.

“Rememorar esta obra orgulha nosso batalhão ferroviário. Foi um feito histórico”, diz o tenente Zanini.

Estiveram presentes prefeitos, militares do 1º Batalhão Ferroviário de Lages, autoridades e moradores da região.

Clair Scarton

Com as próprias mãos

Filho de um marteleteiro e vigilante da ferrovia, o morador de Dois Lajeados Clair Scarton, 47, lembra do pai Antônio na década de 1970 ajudando a montar os trilhos.

“Eu corria pelo Viaduto do Pesseguinho com meu pai. Me emociona ver o trem de novo”, conta. Segundo ele, junto de outros entusiastas do turismo regional, o teste de ontem foi celebrado pelos moradores da região alta do Vale.

“A volta do trem turístico na ferrovia é uma grande conquista. Nos enche de ânimo”, enfatiza.

 

José Borges

Soldado 654

Em 1969, o soldado 654, na época, José Antônio Borges, 68, emocionou-se ao ver o trem que já transportara Getúli Vargas e, até hoje, reserva aquele quarto com a mobília em madeira nobre com suíte com direito à banheira exclusiva.

“Na época em que trabalhei na Ferrovia do Trigo, nossa equipe chegou a ser formada por mais de 1,3 mil homens”, relembra. “Era tanta gente que tiveram que criar um banco dentro do quartel para que todo mundo pudesse receber.”

Com o cabo Vitalino Possamai, a equipe era liderada 24 horas por dia para fazer a montagem da ferrovia e também transportar, carregar e descarregar produtos para caminhões.

“Foram dez anos trabalhando aqui. Vem muita coisa na memória ver o trem na ativa de novo”, conta Possamai.

A Ferrovia do Trigo foi inaugurada em 1978.

Inusitado

Nascida e criada em Muçum, a idosa Terezinha Brandão viu pela primeira vez, ontem, um trem na ferrovia. Movida pela curiosidade, seus olhos brilhavam frente a locomotiva.

“Já passeei tantas vezes a pé nestes 18 quilometros até o V13, mas nunca tinha visto uma coisa assim. É muito bonito.”

Olha o trem

O Maria Fumaça Malet pode trafegar a uma velocidade máxima de 42 km/h na Ferrovia do Trigo e tem capacidade para mais de 50 passageiros.

Só a parte frontal, onde fica o maquinista, pesa 120 toneladas, distribuídas em mais de 18 mil litros no reservatório, peso do maquinário e milhares de lenhas comportadas no eixo.

“O maior desafio do trem a vapor é para o foguista que precisa fazer fogo em movimento e tentar manter a pressão no trecho”, explica o maquinista, Renan Maas, 23.

mapa do trem

Para o diretor da Associação Brasileira de Preservação Ferroviária de Santa Catarina, Ralph Ilg, 65, ver o trem despontando novamente o turismo da região é a consolidação do trabalho iniciado pela organização em 1977.

“Desde lá temos lutado pela preservação das ferrovias em todo país. O turismo feito no trem é algo único, onde é possível contemplar verdadeiras obras de artes feitas pelos militares”, diz

A palavra dos prefeitos

“Vamos alavancar o turismo regional. Foi um grande passo para podermos trazer mais pessoas para conhecer nossa gastronomia e as belezas naturais do Vale do Taquari.”
Amilton Fontana, prefeito de Roca Sales

“Um novo espaço se abre com o turismo da ferrovia. Precisaremos estar preparados para isso, pois será um novo modelo para trabalho em turismo.”
Sandro Herrmann, prefeito de Colinas

“O trem vai profissionalizar ainda mais nosso setor de turismo e consolidar os roteiros existentes no Vale do Taquari, que são muito atrativos.”
Rafael Mallmann, prefeito de Estrela

“Este primeiro teste de turismo pela ferrovia enfatiza nossa aptidão em transportar turistas pelos trilhos. Esta conquista é resultado da luta de muitos prefeitos que quiseram fazer isso acontecer.”
Lourival de Seixas, prefeito de Muçum

Fonte: A HORA DO VALE / CRISTIANO DO VALE

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